
A entidade considerou os emplacamentos dos primeiros 11 dias úteis do mês, do dia 1º até a segunda-feira, 16. Por isso os números apontam para queda pouco maior do que a antecipada por Automotive Business (leia aqui). “É normal os emplacamentos diminuírem nas segundas-feiras”, explica Julian Semple, consultor da Carcon Automotive. A média diária de vendas caiu mais de 5% comparando o número registrado em junho com o da primeira metade deste mês, para 16 mil veículos/dia.
A retração, no entanto, não indica que a curva de expansão do mercado se reverteu. O resultado do início do mês passado foi inflado artificialmente por compras realizadas no fim de maio que só foram concretizadas em junho, já que muitas concessionárias precisaram refaturar o carro com preço menor depois que o governo anunciou a redução no IPI. O período de férias escolares também reflete nas vendas. Muitos pais aproveitam o mês para saírem de férias com os filhos.
Mesmo com a redução do ritmo na primeira metade de julho, o resultado deve ficar próximo do anotado em junho, quando foram licenciados 353,2 mil veículos novos. O motivo é que este mês tem vantagem de dois dias úteis em relação ao anterior. Previsão da MB Associados aponta para um mercado de 318,2 mil unidades. O nível elevado de emplacamentos deve se manter até 31 de agosto. Se não houver mudanças, a partir daí o governo voltará a cobrar a alíquota integral do IPI.
O consultor Ayrton Fontes, especializado em varejo automotivo, indica que as vendas diretas voltaram a crescer e tiveram participação importante nos emplacamentos do período. Segundo ele, os frotistas, principalmente as locadoras, estão aproveitando o desconto no tributo para renovar suas frotas. Por outro lado, as vendas a pessoas físicas seguem mais restritas por causa das dificuldades para a liberação de crédito. Apesar da redução dos juros, os prazos estão mais curtos e há exigência de entrada. Com isso, parte da população que tem a renda comprometida com outras dívidas não consegue comprar um carro novo.
Confira o desempenho da primeira quinzena de julho por segmento:
LEVES
Impactadas pela redução do IPI, as vendas de veículos leves aceleraram 18,5% sobre a primeira quinzena de julho de 2011, para 170,6 mil unidades. Quando a comparação é feita com o mesmo período do mês anterior, no entanto, há queda de 2,8%. Foram emplacados 136,1 mil automóveis, com queda de 3,5% na base mensal e expansão de 2,5% na anual. Considerando comerciais leves, houve redução tímida de 0,2% sobre o mês passado e elevação de 18,5% sobre igual intervalo do ano anterior.
PESADOS
Com 6,4 mil emplacamentos, as vendas de veículos pesados caíram 5,4% sobre a primeira quinzena de junho e 33,9% em relação ao início de julho de 2011. O tombo no segmento de caminhões foi de 5% na comparação mensal e de expressivos 34,9% na anual, para 5,4 mil licenciamentos. Já os fabricantes de ônibus somaram vendas de 984 unidades, com redução de 7,6% na comparação com o mês passado e de 27,7% sobre o mesmo intervalo de 2011.