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Vendas de veículos tombam no 1º trimestre, mas Anfavea sustenta projeção de alta para 2022

O primeiro trimestre de 2022 fechou com vendas de veículos bem mais fracas do que o esperado pela Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no país. Ainda assim, a associação decidiu sustentar a projeção de que serão negociados 2,3 milhões de unidades no mercado brasileiro este ano, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, com crescimento de 8,5% sobre 2021.
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Giovanna Riato

08 abr 2022

4 minutos de leitura

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“Apesar do resultado menor do que prevíamos, o desenvolvimento do mercado está dentro das nossas expectativas de um começo de ano mais fraco, com melhora progressiva. Março já se mostrou um mês mais aquecido do que os anteriores”, apontou Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, em coletiva de imprensa na sexta-feira, 8.

Diante disso, o executivo entende que é cedo para fazer uma nova projeção. O primeiro trimestre somou 406 mil unidades vendidas, entre leves e pesados, uma baixa de 23,2% sobre o resultado do mesmo período de 2021. Em março foram 146,8 mil emplacamentos, com redução de 10,9% na comparação com fevereiro e de 22,5% sobre março do ano passado.

Crise é global, reforça Anfavea

Moraes justifica o desempenho anêmico do primeiro trimestre do ano pelo cenário complexo, que soma uma série de desafios: a guerra na Ucrânia, que agravou o problema da falta de componentes para produzir veículos, a alta na taxa de juros para conter a escalada da inflação e até mesmo o anúncio do governo federal de que fará uma nova redução no IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), o que faz com que os consumidores entrem em compasso de espera antes de concretizar qualquer compra.

O presidente da Anfavea também reforça que o baque não aconteceu apenas no Brasil, mas em outros mercados de veículos importantes ao redor do mundo. “Em março, os emplacamentos diminuíram 10,9% na China, 22,2% nos Estados Unidos e 14,3% no Reino Unido na comparação com o resultado de um ano atrás”, comparou. E destacou:

“Há desafios na cadeia de produção global. Não é um problema exclusivo do Brasil”, reforça.

Diante desse contexto, o executivo lembra que até mesmo a projeção global de venda de veículos leves está menor. “A guerra na Ucrânia, por exemplo, afeta um mercado de 1,8 milhão de carros, somando a região com a Rússia”. Entre janeiro e fevereiro, a IHS Markit, consultoria especializada no segmento, reduziu a expectativa para o mercado global de 84,1 milhões de veículos para 81,5 milhões de emplacamentos.

É cedo para falar em crise de demanda

Em março, o nível de veículos em estoque chegou a 125,5 mil unidades, somando o pátio das montadoras e as concessionárias. O patamar é o mais alto em 17 meses. Apesar disso e do cenário desfavorável, Moraes defende que ainda é cedo para assumir que o setor automotivo enfrenta uma crise de demanda no Brasil. 

“Há muitos elementos na mesa, como a desorganização da produção por falta de semicondutores. Ainda temos demanda reprimida, como a das locadoras”, analisa.

Ele calcula que, no primeiro trimestre, foram vendidos 70 mil unidades às locadoras, volume abaixo dos 100 mil carros previstos justamente por falta de produto. “Essas empresas precisam de 600 mil veículos este ano para renovar suas frotas”, aponta.

Mesmo conservando certo otimismo para o mercado em 2022, o executivo reafirmou a preocupação com a “calibragem da taxa de juros para conter a inflação no país”. Com a Selic (a taxa básica da economia) em 11,75% ao ano, a Anfavea estima que o juro real para o consumidor chegue a 27% ao ano, número bastante superior ao dos Estados Unidos, por exemplo, onde o porcentual é de apenas 5% ao ano, apesar de o país também estar investindo na elevação das taxas para conter a inflação.

Segundo Moraes, caso a política monetária não seja gerida com cuidado, é possível que a quantidade de consumidores com capacidade para arcar com a compra e o financiamento de um automóvel fique menor. “Temos o desemprego em alta, renda em baixa, endividamento das famílias… Mais de 50% das vendas de veículos no varejo dependem de financiamento”, lembra o executivo, alertando para a necessidade de oferecer condições para viabilizar essa faixa de consumo.