
-Veja aqui os dados da Fenabrave
Em fevereiro foram negociados 185,9 mil unidades entre leves e pesados, com retração de 26,7% sobre o já fraco janeiro e de 28,3% sobre fevereiro de 2014. O total inclui a venda de 178,8 mil veículos leves, com queda de 26,6% na comparação mensal e de 27,2% na anual, volume mais baixo para o mês desde 2008.
No caso dos modelos comerciais, a venda de caminhões foi a que mais caiu. Com 5,1 mil emplacamentos, a contração chegou a 32,6% no segmento em fevereiro na comparação com janeiro. Em relação ao mesmo mês de 2014 a queda foi de 50,1%. Já as vendas de ônibus caíram 11,7% sobre o mês anterior e 35,6% em relação ao registrado há um ano, para 1,9 mil chassis.
A Fenabrave, que começou o ano com expectativa de que o mercado brasileiro diminuísse 0,5% ao longo de 2015, declarou ter se surpreendido com resultado tão ruim. “O ano começou abaixo da nossa expectativa”, admitiu Tereza Maria Dias, diretora da MB Associados e responsável pelas projeções da Fenabrave. A economista, conhecida por traçar expectativas pessimistas acerca da conjuntura brasileira até mesmo em períodos de crescimento, apontou que o tombo é resultado de uma série de fatores. “Houve queda rápida do ritmo econômico, com cenário mais difícil do que o esperado.”
Tereza acredita que o crescimento da inflação neste início de ano – que compromete a renda das famílias – e a restrição do acesso ao crédito pelos bancos foram os principais fatores de influência. “O PIB deve cair pelo menos 1,5% este ano e o desemprego vai começar a crescer. Há expectativa de que cerca de 660 mil trabalhadores sejam demitidos, principalmente no setor de construção civil”, indica a economista.
MERCADO 10% MENOR EM 2015
Diante da visão pessimista da MB Associados, Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave, desconsidera as severas crises de 1998 e de 2008, que causaram fortes quedas nas vendas de veículos, e diz nunca ter presenciado situação tão difícil e incerta no setor automotivo mesmo atuando nele há mais de 30 anos. “O cenário está esquisito”, declarou, enfatizando a dificuldade de prever a demanda dos próximos meses.
Por causa dessa nebulosidade, o executivo prefere não revisar as projeções para este ano. “Vamos esperar o fechamento do primeiro trimestre”, apontou, na esperança de ver a curva de queda das vendas deixar de se aprofundar em março. No ano passado, o Carnaval tinha acontecido nesta época, enquanto em 2015 o feriado caiu em fevereiro, o que reduziu o número de dias úteis do mês para apenas 17. Apesar de evitar falar sobre as expectativas para o ano, o material distribuído pela Fenabrave na coletiva de imprensa indica tendência de queda da ordem de 10% nas vendas este ano.
Assumpção avalia que não há nenhum sinal alentador para os negócios no setor automotivo. Segundo ele, o PIB fraco ou em queda já é motivo suficiente para abalar as vendas de veículos. “Sem PIB a roda não gira”, defende. Além disso, o executivo afirma que os bancos têm sido bastante cautelosos para liberar crédito. Segundo ele, a média de aprovação das fichas está em apenas 30%. Apesar da queda da inadimplência nos empréstimos para pessoa física, a Fenabrave avalia que há tendência de crescimento dos calotes nos contratos de pessoa jurídica. Para compensar isso, as financeiras têm sido mais cautelosas de uma forma geral.
Nem mesmo a nova legislação aprovada no fim de 2014, que facilita e torna mais ágil a retomada do veículo em caso de inadimplência, parece ter tido o efeito esperado sobre as vendas. A medida era um pleito dos fabricantes e distribuidores de veículos, mas não foi capaz de estimular as vendas e reduzir os estoques do setor. A Fenabrave estima que o volume de carros armazenados esteja equivalente a 55 dias de vendas, considerando estoques das fábricas e das concessionárias.
Assista à entrevista exclusiva com Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave:
