
-Veja aqui os dados da Anfavea
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“A média diária de vendas aumentou no mês passado”, destaca Antonio Megale, presidente da entidade. A alta, calcula a organização, seria de 4% na comparação com setembro, para 7,9 mil emplacamentos por dia. Outubro teve um dia útil a menos do que o mês anterior. A expectativa é de que esse número possa crescer ainda mais em novembro e dezembro com a retomada da operação da Volkswagen, que teve quebra de fornecimento de alguns componentes recentemente e ainda não conseguiu reabastecer plenamente a sua rede de concessionárias.
PROJEÇÃO FOI MANTIDA, MAS PARECE DISTANTE
Se a tendência for mesmo de aumento, a indústria poderá amenizar a queda nas vendas acumulada no ano. De janeiro a outubro foram licenciados 1,66 milhão de veículos novos, entre leves e pesados. O volume é 22,3% inferior ao de período equivalente de 2015. É o patamar mais baixo para este período do ano desde 2006. A projeção da entidade é de que a queda diminua para 19% até o fim de 2016 e o ano termine com 2,08 milhões de carros vendidos. “Mantemos esta expectativa e devemos ficar muito próximos dela. Vamos passar de dois milhões de emplacamentos”, estima Megale.
Ainda que o executivo esteja otimista, será preciso mudança importante para que os resultados convirjam para a projeção da Anfavea. Serão necessários mais de 200 mil emplacamentos mensais em novembro e em dezembro. Há alguns anos o número não soaria absurdo, mas o patamar é alto para o atual mercado contraído. Até agora nenhum mês de 2016 alcançou este volume de vendas.
“Há alguns anos novembro têm sido um bom mês. Com o 13º salário há injeção importante na economia” avalia Megale. Na opinião dele este efeito pode ser potencializado por algumas decisões políticas, com a adoção de medidas que ofereçam mais confiança para o mercado. OI executivo defende, por exemplo, a aprovação da polêmica PEC que limita os gastos do governo.
“Por enquanto o consumidor não quer se endividar, mas vamos saber se a melhora de alguns indicadores muda este humor”, observa. O Salão do Automóvel de São Paulo, que abre as portas par ao público no dia 10 e segue até 20 de novembro, pode ser outro fator capaz de impulsionar as vendas, segundo Megale. “O evento chama a atenção para as novidades do setor”, diz.
Segundo Megale, o maior desafio para a indústria é melhorar o índice de confiança do empresário e do consumidor. Outro índice importante, enfatiza, é o medo da população de perder o emprego, que faz com que as pessoas pensem duas vezes antes de investir na compra de bens duráveis ou contrair novas dívidas. Como consequência disso, a Anfavea aponta que a participação dos financiados nas vendas chegou ao menor patamar histórico em outubro. Do total negociado no mês, apenas 51,7% foram comprados por meio de linhas de crédito. Este porcentual normalmente fica acima de 60%.
A Anfavea ainda não divulga expectativa oficial para 2017, algo que só deve ser feito no começo do ano. Ainda assim, Megale adianta que a expectativa é de crescimento de um dígito, algo da ordem de 8%.
