
|
|||||||||||||||||||||||||||
Pedro Kutney, AB
O desempenho das vendas de veículos em setembro confirmou a desaceleração do mercado. Segundo dados do Renavam, foram emplacados no mês 311.682 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, o que significa queda de 4,8% sobre os 327.393 emplacamentos de agosto passado. Com relação a setembro de 2010, houve discreta alta de 1,5% ante os 307.042 licenciamentos daquele período. No acumulado dos primeiros nove meses de 2011, a soma é de 2,68 milhões de unidades, em crescimento de 7,2% na comparação com idêntico intervalo do ano anterior.
A evolução dos porcentuais mostra queda do ritmo das vendas, conforme vem sendo avaliado há meses por analistas. A expansão do mercado em relação aos acumulados de 2010 começou em mais de 10% no início deste ano, desceu para 8% até agosto passado e agora já cedeu um ponto. Assim o desempenho do mercado converge para as principais projeções: a associação dos fabricantes, a Anfavea, estima crescimento de 5% em 2011 inteiro, enquanto a Fenabrave, que representa os concessionários, calcula avanço de 6,2%.
A análise de média diária de vendas em setembro, no entanto, mostra expansão sobre o mês anterior. Em agosto, a média foi de 14.234 emplacamentos em cada um dos 23 dias úteis, enquanto que nos 21 dias úteis de setembro o número subiu 4,27%, para 14.842.
Rapel e vendas às locadoras
A prática de rapel (emplacamentos de carros ainda não vendidos por concessionários) foi a principal responsável por fazer a média diária subir. Apenas no último dia útil do mês, foram registrados 23.432 emplacamentos, número bem superior à média do mês, o que sugere a manobra de rapel para inflar vendas, assegurar participação de mercado e cumprir cotas para garantir bônus.
Também continuam em alta as vendas corporativas, principalmente às locadoras de veículos, que em setembro representaram 26% dos negócios. Esses negócios estão “salvando” os números do ano, pois sem eles o mercado já estaria em profunda queda, motivada pelo recuo do crédito para as camadas de poder aquisitivo mais baixo. Com dificuldade para aprovar financiamentos, esses consumidores deixaram de comprar os carros mais simples, principalmente os modelos 1.0.
“Reflexos das medidas macroprudencias do Banco Central, em dezembro de 2010, somadas à crise financeira internacional e ao aumento do endividamento dos consumidores, provocam forte tendência de desaceleração nas vendas, que ainda apresentam patamar elevado em função dos negócios corporativos, principalmente às locadoras”, avalia Ayrton Fontes, economista da agência de promoção de varejo automotivo MSantos.