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Vendas param no varejo e concessionários sofrem

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pedro

31 ago 2011

4 minutos de leitura

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Pedro Kutney, AB

Desde o início de agosto até a terça-feira, dia 30, haviam sido emplacados 306 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no País, número exatamente igual às vendas de julho passado inteiro, indicando que o mercado brasileiro de veículos está em rota de estagnação. Esperando por mais 18 mil a 20 mil licenciamentos no último dia útil do mês, o número de até 326 mil unidades significará crescimento de até 6,5% diante de julho e de 4% sobre agosto de 2010. Na comparação dos acumulados ano contra ano, a expansão continua em torno de 8%, totalizando 2,37 milhões de veículos comercializados de janeiro a agosto deste ano.

O problema maior está na qualidade dessas vendas, com baixa rentabilidade, pois são os frotistas que estão sustentando o mercado às custas de grandes descontos nos preços de tabela, especialmente as locadoras, que segundo algumas fontes representaram 30% das compras em agosto, contra 24,7% em julho. Especificamente em São Paulo, um especialista calcula que esse porcentual já chegue a impressionantes 45%.

Por isso, sem as vendas diretas aos frotistas, na ponta do varejo automotivo, nos concessionários, o cenário já é de recessão, com queda dos negócios, principalmente nas lojas dos quatro maiores fabricantes (Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford). Para piorar, as concessionárias ganharam a concorrência das locadoras, que compram os carros direto dos fabricantes com grandes descontos e, menos de um ano depois, vendem os veículos seminovos que concorrem em preço com os novos, roubando mais fregueses.

Concessionárias à venda

“Principalmente na Grande São Paulo, é possível encontrar inúmeras concessionárias à venda, pois seus gestores querem sair do negócio pela rentabilidade baixa ou nula e os riscos decorrentes em função dos altos custos operacionais”, revela Ayrton Fontes, economista da agência de promoção de varejo automotivo MSantos. Ele exemplifica: “Uma concessionária Fiat de médio porte, que no passado valia algo em torno de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões e era muito difícil encontrar alguém que quisesse vender, hoje pode ser facilmente comprada por R$ 6 milhões. E conheço casos em que dá para negociar valor mais baixo”, diz.

O problema da falta de rentabilidade começou a aflorar em dezembro passado, quando o Banco Central baixou medidas que encareceram e tornaram mais restritivos os financiamentos de prazos mais longos e sem entrada. Isso tirou do mercado alguns milhares de novos compradores de carros zero-quilômetro, que não tinham um usado para entregar como entrada. Para piorar, os juros subiram ao longo do ano. Além da queda natural das vendas que a situação provocou, as financeiras também tiveram queda de rentabilidade e pararam de pagar generosas comissões às concessionárias, que compensavam as margens apertadas (ou até zeradas) no comércio dos carros em si.

Existem ainda velhas práticas que, segundo especialistas de mercado, estão agravando a situação já desfavorável. As montadoras, especialmente as quatro maiores, com a produção ainda embalada, não deram nenhum alívio aos concessionários: continuam a impor cotas de comercialização para concessão de bônus (ou margens maiores), o que vem obrigando revendas, sempre no fim do mês, a emplacar carros antes de vendê-los para cumprir suas cotas, em prática conhecida como “rapel”. Esses veículos precisam ser negociados rapidamente, antes do faturamento, portanto em condições pouco favoráveis, com grandes descontos. Sem a compensação das comissões das financeiras, a rentabilidade do setor escoou pelo ralo.

“Os ovos de ouro acabaram, agora já estão comendo a galinha”, resume Fontes. “Por isso hoje qualquer oferta para compra de concessionária na Grande São Paulo é muito bem ouvida e negociada, porém não há compradores”, completa.