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Vendas perdem ritmo de crescimento em junho

Emplacamento mensal de veículos leves fica igual a maio e reduz passo da recuperação sobre ano passado
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Redação AB

02 jul 2018

2 minutos de leitura

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Ainda sob o impacto da paralisação dos caminhoneiros entre fim de maio e começo de junho, as vendas de veículos leves andaram de lado no mês passado, o que reduziu o passo da recuperação sobre o ano passado.
Segundo dados de emplacamentos antecipados por fontes de mercado na segunda-feira, 2, foram licenciados 195.095 automóveis e comerciais leves zero-quilômetro em junho, somente 73 unidades a mais do que em maio, resultando em crescimento porcentual marginal de 0,09%, e de apenas 3,1% sobre o mesmo mês de 2017.
O resultado puxou para baixo o ritmo de crescimento das vendas de veículos que vinha sendo observado desde o início do ano, mas ainda assim foi superada a barreira de 1 milhão de emplacamentos antes do que ocorreu em 2017. De janeiro a junho foram emplacados 1,13 milhão de automóveis de comerciais leves, número 13,7% superior ao do mesmo período do ano passado – porcentual bastante reduzido em relação à expansão de 20% registrada na comparação anual do primeiro quadrimestre.

AMEAÇAS NO HORIZONTE

A paralisação dos caminhoneiros, que fez parar a economia nacional, incluindo todas as linhas de produção e distribuição de veículos no País, explica boa parte do resultado de junho abaixo da média de meses anteriores. Mas especialistas avaliam que este não é o único fator negativo, o horizonte já mostra ameaças estruturais.
A greve de maio/junho trouxe reversão de expectativas e fez recuar a confiança do consumidor no crescimento econômico e na própria manutenção de seu emprego. A alta do dólar também contribui para essa reversão ao pressionar a inflação e os preços dos veículos – tanto importados quanto nacionais com boa quantidade de componentes estrangeiros.
Para reforçar o conjunto de fatores negativos, a Copa do Mundo desvia a atenção dos consumidores, que atrasam a compra do veículo ou canalizam recursos para outros bens, como TV ou mesmo uma viagem à Rússia para ver os jogos. Depois, muitos acabam desistindo do carro novo, porque as condições mudaram ou não têm mais dinheiro.
Julho, mês de férias escolares no País e continuação da Copa, também não promete ser muito melhor. Só a partir de agosto o pulso do mercado poderá ser medido de forma mais precisa, já sob efeito de outro fator que promete alimentar novas turbulências econômicas: as eleições de outubro, que têm potencial de sobra para desestabilizar a economia por ainda mais tempo.
O cenário incerto e um tanto quanto negativo coloca em risco as projeções de vendas de veículos este ano no País, estimadas pelos fabricantes em 2,4 milhões de automóveis e comerciais leves. Nesta terça-feira, 3, a Fenabrave, associação que reúne os concessionários, irá divulgar os números de mercado e revisar suas previsões – provavelmente para baixo –, que ao fim do primeiro trimestre estimavam 2,5 milhões de unidades.