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Verticalização em montadoras vai esbarrar na necessidade de parcerias

Novas soluções exigem compartilhamento cada vez maior de conhecimento e tecnologia
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Mario Curcio

27 set 2023

2 minutos de leitura

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O desejo de retorno à verticalização dentro das montadoras vai esbarrar na necessidade cada vez maior de formação de parcerias na indústria automobilística. Essa foi a conclusão dos participantes do painel “De cadeia de valor para ecossistema de fornecedores: o salto do setor automotivo”.

O debate sobre o tema ocorreu no #ABX23 – Automotive Business Experience, principal evento do ecossistema automotivo e da mobilidade, que aconteceu em 20 de setembro, em São Paulo. A verticalização foi citada pelo mediador do painel, Antônio Jorge Martins, como consequência de ações recentes de montadoras para exploração de lítio e produção das próprias baterias. Martins é coordenador acadêmico da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Fornecedores são provedores de soluções

Luís Fernando Abreu, diretor de relações com investidores da Iochpe Maxion, recorda: “A grande mudança que ocorre no setor começou com a eletrificação. Cada vez mais, os fornecedores se tornam provedores de soluções e nós da Iochpe ampliamos a formação de parcerias. Não creditamos que é possível voltar ao modelo do passado”, diz, referindo-se à verticalização.

Sílvio Furtado, vice-presidente de soluções para veículos comerciais da ZF América do Sul, concorda: “É preciso buscar cada vez mais parcerias para oferecer o melhor produto.” Antônio Azevedo, CEO da Logigo, acrescenta: “Quando se trata de tecnologia, a verticalização não é o caminho.”


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Cláudio Castro, diretor executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Schaeffler para a América do Sul, afirma: “O pleno domínio do conhecimento técnico e de saber como fazer melhor é o fator mais importante. Por isso também entendemos que a verticalização não é a melhor solução. Neste momento, cada montadora vem seguindo um caminho. E nós, como fornecedores, conseguimos agregar valor aos nossos produtos ao mesmo tempo que criamos um portfólio amplo. Além disso, também somos capazes de suprir as montadoras com informações.”

Digitalização crescente

Os participantes do painel também concordam que a interdependência entre montadoras e fornecedores é reforçada pelo aumento da digitalização nos processos, produtos e outros atores envolvidos. “A indústria mudou bastante nestes dois últimos anos, com toda a cadeia digitalizada, não somente em processos produtivos como na parte administrativa. A ZF fez isso também”, garante Furtado.

Azevedo, da Logigo, vê esse processo até mesmo nos produtos que entrega: “Quanto mais funções agregadas naquilo que fornecemos às montadoras, mais o consumidor final fica satisfeito. Por isso estamos sempre visitando feiras internacionais, para entender o que existe à disposição e o que é possível entregar para os clientes locais.”

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