
Um amigo certa vez me disse que daqui a alguns anos comeremos 20 gramas de Pringles pelo mesmo preço que pagamos atualmente. Ele até pode ter razão, já que tudo vem diminuindo há algumas décadas. No caso do Volkswagen Virtus 2023, tivemos o mesmo: uma redução na potência, vejam só.
Se no caso das famosas latas de batatas chips houve redução de 200 gramas para “míseros” 124 g, no caso do sedã da Volkswagen, tivemos uma perda de potência de quase 10% – tal qual no Polo 2023. Teria tal solução acabado com o desempenho interessante do três volumes?
A resposta, para alegria de muitos, é um belo de um não. Evidentemente que os motivos de regozijo não se limitam aos consumidores, mas também reverberam para os departamentos da Volkswagen.
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Explicamos: o Virtus amargou 5.626 licenciamentos em 2022. Acometido pela crise de semicondutores e pouco badalado por frotistas, que ainda eram seduzidos pelo saudoso Voyage, não teve o apelo necessário para ter um ano de sucesso.
Agora, a VW quer virar o jogo. Com as duas versões de entrada do modelo equipadas com motores menos potentes, com preços bem interessantes e pacotes de equipamentos recheados, a montadora mira locadoras no anseio de, ao menos, dobrar o número de vendas do Virtus em 2023.
Virtus 170 TSI AT: será que o desempenho ajuda?

Evidentemente ninguém quer comprar um carro, perdão pelo linguajar, “manco”. Mas este não é o caso do Virtus 170 TSI AT, versão testada pela reportagem da Automotive Business.
O conjunto, mesmo do finado up! turbo, foi recalibrado e entrega 109 cv de potência quando abastecido com gasolina e 116 cv, no álcool. O torque máximo é de 16,8 kgfm, já liberado na faixa dos 1.750 giros com qualquer um dos combustíveis no tanque.
Por termos este torque máximo disponível num giro baixo nesta configuração do EA211, o Virtus 170 TSI vai bem, obrigado, nas ultrapassagens. O motorista pode confiar que não passará por qualquer tipo de sobressalto.
Todavia, aqui entramos no famigerado “nem tudo são flores”. As respostas não são tão imediatas e as acelerações não são lá tão “animadas” quanto nas opções mais potentes do Virtus.
Para complicar um pouco mais, a transmissão automática de seis velocidades perdeu um pouco de seu joie de vivre. No entanto, a parruda caixa tem engates precisos e prima pela otimização de consumo de combustível.
Mas, cara leitora e caro leitor. Lembram do que mencionei anteriormente? Isso não é um problema grave. O motorista se acostuma rapidamente com tal comportamente e tem a comodidade de realizar as trocas manuais por meio de aletas no volante — que é o mesmo do Nivus.
Interior do Virtus menos potente
A propósito, antes de darmos prosseguimento aos detalhes dinâmicos, falemos do interior. Embora ainda cometa alguns pecados, o Virtus 2023 ficou um pouco mais esmerado. Tem, por exemplo, acabamento em vinil com costuras duplas nas versões mais caras.
Nas versões de entrada os bancos são de tecido, mas têm boa ergonomia e não são desagradáveis ao toque. Já a partir da configuração Comfortline eles ganham revestimento de couro e, na Highline, dispõem de detalhes em preto e marrom. Na inédita Exclusive, temos ainda uma elegante costura em xadrez.
Os passageiros que vão no banco traseiro viajam com conforto. Têm à disposição entradas USB-C que servem para dar aquela boa carga no smartphone. Há também encostos de cabeça e cinto de segurança de três pontos para todos os ocupantes.
Existem, claro, alguns deslizes. Na versão 170 TSI AT há excesso de plástico rígido e que incomoda ao toque por todo o habitáculo. Além disso, falta muito para que o console central chegue ao patamar de alguns dos rivais do Virtus.
Virtus segue com suspensão muito bem acertada

Um dos grandes predicados do Virtus sempre foi o bom acerto de suspensão. E ele segue, imutável. Com ótima calibração, faz com que o Virtus 170 TSI 2023 tenha boa estabilidade e pouca rolagem da carroceria nas curvas.
Pesa ainda a favor do sedã a sua arquitetura. Construído sobre a plataforma “coringa” MQB, conta com aços de alta resistência em sua construção que favorecem dinâmica e, por conseguinte, seguranca.
Um dos poucos problemas é a dificuldade do sedã em absorver as imperfeições do solo — isso mesmo com rodas de 15 polegadas. Para piorar, o motor tricilíndrico é ruidoso, e o barulho invade o habitáculo de maneira incômoda. O isolamento acústico, não tem jeito, segue como um handicap do três volumes.
Itens de segurança do novo Volkswagen Virtus

O Virtus, conforme já falamos nesta matéria aqui, vem com boa lista de itens desde a versão de entrada. O sedã dispõe de seis airbags, assistente para partida em subidas, controle eletrônico de estabilidade (ESC), controle de tração (ASR) e bloqueio eletrônico do diferencial (EDS).
A versão testada, 170 TSI com câmbio automático, adiciona piloto automático adaptativo e a frenagem autônoma de emergência.
Mesmo com maior rigidez nas regras do Latin NCAP, é provável que o Virtus não faça tão feio quanto alguns de seus rivais no teste de segurança da entidade.
Isso, claro, é cena de um próximo capítulo. Por ora, vale ressaltar que o Virtus segue como a Pringles. Pode até ter sofrido redução considerável em um quesito importante, mas ainda é um produto saboroso — no seu caso, principalmente para frotistas.
NR: As fotos desta reportagem são do novo Virtus na versão Highline. A Volkswagen não disponibilizou imagens de configuração 170 TSI AT.
