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Paulo Ricardo Braga, AB
A vinda de fabricantes chineses para o mercado brasileiro pode sinalizar bons negócios para a Visteon. Alfeu Dória (foto), diretor geral para a América do Sul, explica: a empresa tem ótimas relações com as asiáticas, que respondem por nada menos de 40% do faturamento global e apresentam crescimento acelerado. Entre 2002 e 2009, quando morou em Xangai, o executivo da multinacional americana assistiu ao avanço extraordinário do mercado chinês, que cresceu de 700 mil veículos por ano para 7 milhões.
“A Visteon chegou à Ásia na hora certa, com as tecnologias adequadas. Hoje fornecemos 60% dos componentes para interior destinados às grandes montadoras da região e 18% em eletroeletrônica. Estamos presentes também na área de iluminação e climatização”, assinala Dória.
Junto com a poderosa SAIC, a Visteon estruturou a Yanfeng, principal fornecedora na região de componentes para interiores da General Motors e Volkswagen. “Somos líderes disparados nessa especialidade. Atendemos também 90% das necessidades da JAC”, observa.
Na Coreia a constituição da Halla, que tem 30% de ações em bolsa, levou a fornecimentos maciços em climatização e refrigeração à Hyundai, que hoje é o principal cliente global da Visteon. A Ford vem logo a seguir – como herança dos tempos em que a companhia pertencia à montadora.
Boas perspectivas no Brasil
Com esse retrospecto, a Visteon é invariavelmente candidata a fornecedora das asiáticas que pretendem se estabelecer no Brasil. É o caso da Chery, que já consultou sobre painéis e cluster para o S18 e o QQ. E quanto às outras empresas, como a JAC e a Hyundai? “Se elas não nos procuram, nós iremos fazer uma visita a elas”, garante Dória, que mantém negociações também com a Hyundai aqui.
Para o executivo haverá limite às importações, até mesmo por questões logísticas. Se é fácil trazer de fora peças compactas, de alto valor, fica difícil transportar de forma compensadora partes volumosas, difíceis de embalar. Ele entende que muitas empresas acabarão produzindo localmente, como já demonstraram a Chery e a Hyundai, embora tragam para cá seus próprios fornecedores. “Fazemos parte desse time e já estamos aqui”, conclui.
A Visteon deverá fazer novos investimentos para acompanhar o ritmo de crescimento da produção automotiva brasileira. Enquanto os chineses não chegam, a empresa mantém em seu portfólio clientes importantes como Ford, PSA Peugeot Citroën, GM, Volkswagen, Fiat, Toyota, Mercedes-Benz e Honda.
E o parque industrial brasileiro está pronto para avançar em direção a novos patamares? Sim, no entender de Dória. “Em tempos de globalização, há uma expressiva experiência automotiva acumulada no País. Temos exemplos de projetos tocados quase inteiramente aqui, como o do Chevrolet Agile, do novo Fiat Uno, do Volkswagen Fox e do Gol”, destaca, lembrando que o governo deve estimular a inovação e desenvolvimento de tecnologia local com a nova política de estímulo à competitividade, conhecida como PDC.
O Brasil, junto com a Argentina, é região importante para a Visteon, onde obtém 7% da receita mundial. Outros 18% vêm dos Estados Unidos e 35% da Europa. A sede da companhia no País fica em Guarulhos (SP), onde produz equipamentos para interiores e climatização, a maior parte destinada à Ford de São Bernardo do Campo (SP). A montadora é atendida com os mesmos componentes diretamente na Bahia por uma filial da Visteon no site de Camaçari. Já a fábrica argentina de Pacheco da Ford é suprida por unidades locais que produzem sistemas de refrigeração e climatização.
Incentivos em Manaus
A Visteon concentra em Manaus (AM) a produção de eletrônicos, como sistemas de som e multimídia para veículos, e clusters para painéis. Dória entende que a região representa uma alternativa importante para o Brasil na área de eletrônicos e deve incentivar a produção local. Há incentivos de impostos municipais, estaduais e federais.
A vantagem de montar na capital do Amazonas fica expressiva quando a empresa recebe sinal verde para um PPB, plano de produção básico, que traz descontos no IPI e Imposto de Importação. Com um PPB o fabricante local pode acrescentar 2% à rentabilidade dos negócios, mas a receita não pode ser destinada a outros países. Os desafios logísticos ficam menores com o uso intensivo de frete aéreo, indispensável para peças de pequeno volume e alto valor agregado – como é o caso de sistemas eletrônicos.
Dória não tem dúvida de que a Ásia continuará a ser a fonte principal de suprimentos de eletrônicos para todos os países do mundo. No caso de componentes para computadores e automação de brinquedos, a China será a força principal. Tratando-se de eletrônica veicular, o Japão segue à frente, junto com Malásia, Indonésia e Tailândia, depois de tomar providências para diminuir a vulnerabilidade a terremotos e tsunamis.
Assista à entrevista exclusiva com Alfeu Dória, diretor geral da Visteon para a América do Sul: