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Viva a tecnologia

Economia de combustível é o tema dominante nos dois lados do Atlântico Norte. Nos EUA, há 250 milhões de veículos rodando (perto de nove vezes a frota brasileira) e a dependência do petróleo continua aumentando. Tanto que a GM decidiu subsidiar o preço do álcool em 60% numa região da Califórnia para os veículos com motor flex. Na Europa Ocidental, da mesma forma muito vulnerável aos combustíveis fósseis, a luta pelo menor consumo liga-se a uma histérica campanha contra as emissões de gases de efeito estufa (CO2), pois existe relação direta.
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cria

27 fev 2008

5 minutos de leitura

A coluna sempre defendeu veículos mais econômicos, independente do discutível benefício quanto à menor presença de CO2 na atmosfera. Entretanto, o motor não é o único caminho. Fatores como massa e aerodinâmica também contam. Os pneus igualmente têm importância e isso ficou claro na semana passada, quando a Michelin apresentou em Marselha (França) a quarta geração da sua linha Energy Saver (Economizador de Energia, em tradução livre). Até o fim do ano, a oferta dessa classe de pneus cobrirá 85% das dimensões demandadas na Europa para automóveis.
Os pneus são o único ponto de contato com o solo e limitar a resistência à rodagem está entre as prioridades no objetivo de diminuir o consumo de combustível. Seria relativamente fácil se não existissem complicadores como aderência em curvas e freadas, além de durabilidade. Ninguém deseja ter a segurança comprometida, nem que os pneus acabem mais cedo. O segredo está na administração de conflitos: aquecer pouco ao rodar – para economizar combustível – e subir a temperatura da borracha rapidamente na hora de frear, a fim de diminuir a distância de parada.
Para tanto é necessário reduzir a massa do pneu e desenvolver novos compostos. No caso do Energy Saver, além dessas técnicas, a empresa francesa aumentou a adição de sílica (óxido de silício) em detrimento do negro de carbono, que dá coloração preta aos pneus. A sílica representa agora 30% da composição da banda de rodagem, limite atual para esse recurso construtivo.

A demonstração comparativa no campo de provas de Fontange foi convincente. Dois Mercedes-Benz Classe C rodaram 102 km em 2 horas e 20 minutos. Aquele equipado com os novos pneus alcançou a média de 14,7 km/l de diesel, economia de surpreendentes 5,5%. No outro teste – frenagem em pista molhada a 70 km/h – os jornalistas conseguiram reduzir a distância de parada, em média, 2,30 metros – vantagem de 8,5%. Na prova subjetiva de estabilidade em curvas, no molhado, houve nítido ganho.

Durabilidade supera em mais de 40% os concorrentes premium (30.000 km contra 42.000 km, na Europa). Feitos os cálculos, incluindo o custo um pouco maior do Energy Saver, é possível economizar o equivalente a mais de um pneu ao longo da vida útil do conjunto, considerando o preço do litro de diesel utilizado por metade dos automóveis novos vendidos na União Européia.

Como vantagem final, uma diminuição acima de 4 g/km em emissão de CO2. A regulamentação exige que até 2012 ocorra uma redução média de 30 g/km nos carros novos. Aproximadamente 15% dessa meta pode se alcançar apenas com os pneus. A tecnologia vence, mais uma vez.
AUTONOMIA E CONSUMO EM XEQUE NO ECOSPORT
O Ecosport com câmbio automático, só na versão de motor 2-litros, exigiria tanque de combustível maior para garantir autonomia compatível, mesmo utilizando gasolina. Motor perde 5 cv (138 cv contra 143 cv com câmbio manual), provavelmente visando menor consumo de combustível. Não é muito perceptível, pois a agilidade se mantém. Ainda assim, ideal seria manter 143 cv (Fernando Calmon, Alta Roda, 27 de fevereiro).
O NOVO INTERESSE DAS MARCAS IMPORTADAS
A fase de rápido crescimento das vendas internas deve atrair marcas importadas que desistiram, em passado recente, do mercado brasileiro. A volta da Suzuki é considerada certa. Fala-se, ainda, que Mitsubishi teria interesse em assumir o controle das operações, hoje com o Grupo Souza Ramos. Daihatsu (marca pertencente à Toyota) também consideraria retomar as atividades. Além de rumores sobre a Kia (Fernando Calmon, Alta Roda, 27 de fevereiro).
IMPORTADORES TÊM MAIOR PRESENÇA NO CHILE E ARGENTINA
O fato é que Argentina e Chile, por exemplo, vizinhos com mercados muito menores que o Brasil, dispõem de mais marcas e modelos importados em oferta diversificada, mesmo em baixos volumes. Tamanho continental do País, claro, sempre atrapalha. Mas quando entes envolvidos começam a ganhar (muito) dinheiro, esquecem de antigas mazelas e partem de novo para a luta (Fernando Calmon, Alta Roda, 27 de fevereiro).
A MARGEM FICA MELHOR COM USADOS
Vender carros usados proporciona, em média, lucro líquido de US$ 223 por unidade, enquanto um novo deixa margem de somente US$ 31. Cenário apontado pela associação de concessionárias dos EUA começa se repetir aqui. Há vários exemplos semelhantes e explica a avidez de compra dos usados por parte dos revendedores autorizados (Fernando Calmon, Alta Roda, 27 de fevereiro).
O GPS, O RADAR E A FISCALIZAÇÃO
Pouco adiantará a proposta de impedir o uso de alertas de radares residentes em navegadores GPS. Hoje, na internet, já existem sites – um deles, www.tracksource.org.br – que hospedam arquivos com a localização dos radares. As listas, aliás, estão espalhadas em diferentes sítios públicos e foram apenas centralizadas. Não há como controlar, nem fiscalizar (Fernando Calmon, Alta Roda, 27 de fevereiro).
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