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Volkswagen acusa Keiper de abuso

Reportagem atualizada às 19h50
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cria

18 mai 2016

4 minutos de leitura

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Por causa da paralisação de suas três fábricas de automóveis no Brasil pela falta de bancos, a Volkswagen enviou comunicado acusando o Grupo Prevent – controlador dos fornecedores Keiper, Mardel e Cavelagnide – de interromper “sem motivo” o fornecimento de peças das empresas.

“As frequentes paradas das linhas de produção da VW do Brasil causadas pelas interrupções injustificadas geraram de março de 2015 até o momento 56 dias perdidos de produção. Cerca de 35 mil veículos deixaram de ser produzidos nesse período”, informa a montadora. De segunda, 16, a quarta-feira, 18, a VW teria deixado de produzir 1,2 mil veículos por dia em cada fábrica no Brasil (São Bernardo do Campo, São José dos Pinhais e Taubaté).

No pedido que encaminhou à 2ª Vara Cível de São Bernardo do Campo, a VW anexou e-mails enviados pelos fornecedores de componentes com solicitações de pagamentos e alertas de interrupção no envio de peças. “O descumprimento reiterado dos contratos por parte das empresas do braço brasileiro do Grupo Prevent não é mero desalinhamento comercial. As recorrentes ameaças ou ações de fato que ocasionam novas paradas às linhas da VW do Brasil, pela paralisação injustificada do fornecimento de peças, são acompanhadas de solicitações sucessivas de aumento abusivo de preços e pagamento injustificado de valores sem respaldo contratual ou econômico para as empresas do Grupo Prevent”, alega a fabricante de automóveis.

De acordo com fontes da VW, o Grupo Prevent adquiriu em diferentes momentos empresas da mesma área de atuação como forma de dominar o segmento e desde então tenta impor seus preços. E a montadora, por sua vez, falhou em não desenvolver um novo fornecedor mesmo após sofrer interrupções no fornecimento por mais de um ano.

Mais de 12 mil funcionários da Volkswagen tiveram sua rotina afetada, com implicações para toda a cadeia de fornecedores. Até o meio da tarde de quarta-feira, 18, a Volkswagen ainda não tinha perspectiva de retomada plena da produção em suas fábricas.

FORNECEDOR DEVOLVE ACUSAÇÃO

Em resposta, o Grupo Prevent informa que nunca houve descumprimentos contratuais por parte das empresas da companhia e que o Poder Judiciário de São Paulo teria cassado em 2015 todas as liminares e multas impostas à Keiper, justamente por entender que a VW havia deixado de cumprir todos os acordos com ela firmados.

O grupo informa que todas as paradas de fornecimento de peças foram sempre precedidas de comunicados e alertas, em cumprimento aos contratos.

“A paralisação no fornecimento de peças, uma vez que não tínhamos uma solução amigável, se fez necessária para justamente preservar o grupo Keiper, não somente do ponto de vista da estrutura corporativa, mas também, e principalmente, de preservar os recursos humanos, já combalidos por muitas demissões oriundas dos baixos volumes de produção, assim como preservar sua integridade financeira para honrar seus compromissos junto aos fornecedores”, informa a Keiper.

Por fim, o Grupo Prevent afirma que a questão das liminares está sob análise do Poder Judiciário e provará que as alegações da VW são inverídicas.

No início da noite do dia 18, a VW enviou novo comunicado que indica dificuldade para retomar plenamente sua produção: “Apesar das liminares expedidas, as empresas do Grupo Prevent (Keiper, Mardel e Cavelagni) continuam ocasionando paradas de produção nas fábricas da Volkswagen. Os fornecedores, no dia de hoje (18), provavelmente na tentativa de confundir o representante do poder judiciário, enviaram um porcentual ínfimo para a produção de bancos para abastecer as linhas. Dessa forma, os prejuízos à Volkswagen e a sua cadeia de fornecedores diretos, formada por centenas de empresas e seus milhares de empregados, persistem.”

PRODUÇÃO DA FIAT COMEÇA A VOLTAR NA QUINTA, 19

A Fiat, que também paralisou sua produção em Betim (MG), por falta de bancos, igualmente recorreu à justiça e obteve na quarta-feira à tarde decisão liminar para assegurar a volta em 24 horas do fornecimento de componentes pelas empresas do Grupo Keiper/Prevent.

A Fiat espera que o ritmo de produção na planta mineira seja retomado gradualmente a partir de quinta-feira, 19, já que será preciso reorganizar toda a logística de produção, afetada pela interrupção do envio de peças. As remessas para Betim estavam interrompidas desde quinta-feira, 12, e a produção da fábrica parou na segunda, 16.