
O comercial da Volkswagen que celebra os 70 anos da montadora no Brasil e ressuscita Elis Regina por meio de Inteligência Artificial segue dando o que falar. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) abriu representação ética contra a campanha. Tal foi motivado, segundo a organização, por queixas de consumidores.
Em nota enviada à Automotive Business, o Conar diz que estes “questionam se é ético ou não o uso de ferramenta tecnológica e Inteligência Artificial (IA) para trazer pessoa falecida de volta à vida”. Além disso, aponta ainda para “o respeito à personalidade e existência da artista e a veracidade”.
Roger Corassa, vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen do Brasil, defendeu a peça e, por conseguinte, a utilização da tecnologia. O executivo concedeu entrevista à Automotive Business durante lançamento de edição especial do T-Cross na segunda-feira, 10, mesma data em que o Conar abriu a representação ética.
LEIA TAMBÉM:
– Por que as pessoas amaram e odiaram a campanha da VW que ressuscita Elis Regina?
“Família de Elis autorizou”, defende VW
“Tudo começa com a família da Elis. Começa com a Maria Rita, com os irmãos, com todos que estavam num primeiro momento emocionalmente envolvidos. Precisávamos ter essa anuência. A nossa primeira preocupação, além de envolver a Maria Rita como filha, foi a de envolver todos os irmãos e a família”, ressaltou Corassa.
O executivo fez questão ainda de salientar que esta foi a “premissa zero” para encetar a campanha que joga luz em Elis, falecida em 1982. A tecnologia veio em seguida.
“A tecnologia foi a nossa segunda preocupação. Se vocês notarem bem, nenhuma palavra, absolutamente nenhuma palavra, foi usada de forma que a Elis nunca a tivesse dito. Nós isolamos a tecnologia em uma canção, canção esta que ela interpretou inúmeras vezes, com exatamente aquelas palavras”, comentou.
O Conar, contudo, questiona sobre a possibilidade de o uso da Inteligência Artificial “causar confusão entre ficção e realidade para alguns, principalmente crianças e adolescentes”. Para Corassa, a tecnologia utilizada no filme produzido por sua agência, a AlmapBBDO, é utilizada em um contexto positivo.
“É uma tecnologia nova, que ainda gera dúvida ou polêmica. Mas no momento que ela é usada da forma correta, do bem, estabelecendo uma relação de onde sempre o que foi dito na verdade já foi dito, eu acho que ela é pertinente e deve ser levada em consideração na discussão”, completou.
– Faça sua inscrição no #ABX23, encontro mais influente do ecossistema automotivo e da mobilidade
Segundo o Conar, a representação será julgada nas próximas semanas por seu conselho de ética, “garantindo-se o direito de defesa ao anunciante e sua agência”. Ainda de acordo com a organização, o julgamento é efetuado cerca de 45 dias após a abertura da representação.
A Volkswagen, por sua vez, afirmou à reportagem que “foi notificada pelo Conar em 10 de julho e apresentará sua resposta no prazo concedido”.
Comercial da Volkswagen com Elis: expectativas foram superadas
As expectativas acerca do filme da Volkswagen com Maria Rita e Elis Regina, de acordo com executivos da própria montadora, foram superadas. A peça, segundo Roger Corassa, foi a mais vista, historicamente, no país num período de 24 horas.
“Essa campanha começou a partir do fato de que todo brasileiro tem uma história com a Volkswagen. Ela é uma homenagem, um agradecimento ao Brasil, ao brasileiro, por todo esse amor e paixão pela marca”, disse o vice-presidente de vendas e marketing da companhia.
Ele diz que esse foi o conceito: traduzir como marca uma empresa com setenta anos e é próxima das pessoas.
“A gente já esperava uma repercussão boa, mas foi, mesmo, espetacular. Não tem igual. Foi uma das propagandas com o maior engajamento da história do país. Fizemos uma propaganda na TV, domingo, 9, uma vez. No entanto, antes disso [o filme] explodiu por meio de redes sociais, em grupos de família, amigos, condomínio, de modo espontâneo”, destacou Ciro Possobom, CEO da Volkswagen do Brasil.
O executivo comentou ainda que a peça fala sobre sentimentos, pessoas e tradição Além disso, chancelou a fala de Corassa, acrescentando que o filme traz “uma conexão com os produtos”, mas que enfatiza as pessoas.
Segundo a Volkswagen, a campanha atingiu um índice de 98,5% de interação positiva, com apenas 1,5% de reações negativas. “A crítica é bem-vinda. Nós vivemos num país livre, onde as pessoas podem colocar suas opiniões”, disse o vice-presidente de vendas marketing da VW. Vale ressaltar que os números, para a empresa, são considerados excepcionais.
Leia na íntegra a nota do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar)
O Conar abriu hoje, 10 de julho, representação ética contra a campanha “VW Brasil 70: O novo veio de novo”, de responsabilidade da VW do Brasil e sua agência, AlmapBBDO, motivada por queixa de consumidores.
Eles questionam se é ético ou não o uso de ferramenta tecnológica e Inteligência Artificial (IA) para trazer pessoa falecida de volta à vida como realizado na campanha, a ser examinado à luz do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, em particular os princípios de respeitabilidade, no caso o respeito à personalidade e existência da artista, e veracidade.
Adicionalmente, questiona-se a possibilidade de tal uso causar confusão entre ficção e realidade para alguns, principalmente crianças e adolescentes.
A representação será julgada nas próximas semanas por uma das Câmaras do Conselho de Ética do Conar, garantindo-se o direito de defesa ao anunciante e sua agência. Em regra, o julgamento é efetuado cerca de 45 dias após a abertura da representação.
O Conar aceita denúncias de consumidores, assim como outras manifestações sobre a peça publicitária, bastando que sejam identificadas. Em obediência à LGPD a identidade dos denunciantes é protegida.
Veja a resposta da Volkswagen do Brasil
A Volkswagen do Brasil foi notificada pelo CONAR em 10 de julho e apresentará sua resposta no prazo concedido.
