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Volkswagen defende campanha com Elis Regina: “família autorizou”

Consumidores se queixaram da propaganda, que “ressuscita” cantora por meio de IA. Executivos da montadora ressaltam que ação teve, além de alto índice de aprovação, anuência da família da artista
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Marcus Celestino

11 jul 2023

5 minutos de leitura

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O comercial da Volkswagen que celebra os 70 anos da montadora no Brasil e ressuscita Elis Regina por meio de Inteligência Artificial segue dando o que falar. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) abriu representação ética contra a campanha. Tal foi motivado, segundo a organização, por queixas de consumidores.

Em nota enviada à Automotive Business, o Conar diz que estes “questionam se é ético ou não o uso de ferramenta tecnológica e Inteligência Artificial (IA) para trazer pessoa falecida de volta à vida”. Além disso, aponta ainda para “o respeito à personalidade e existência da artista e a veracidade”.

Roger Corassa, vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen do Brasil, defendeu a peça e, por conseguinte, a utilização da tecnologia. O executivo concedeu entrevista à Automotive Business durante lançamento de edição especial do T-Cross na segunda-feira, 10, mesma data em que o Conar abriu a representação ética.


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“Família de Elis autorizou”, defende VW

“Tudo começa com a família da Elis. Começa com a Maria Rita, com os irmãos, com todos que estavam num primeiro momento emocionalmente envolvidos. Precisávamos ter essa anuência. A nossa primeira preocupação, além de envolver a Maria Rita como filha, foi a de envolver todos os irmãos e a família”, ressaltou Corassa.

O executivo fez questão ainda de salientar que esta foi a “premissa zero” para encetar a campanha que joga luz em Elis, falecida em 1982. A tecnologia veio em seguida.

“A tecnologia foi a nossa segunda preocupação. Se vocês notarem bem, nenhuma palavra, absolutamente nenhuma palavra, foi usada de forma que a Elis nunca a tivesse dito. Nós isolamos a tecnologia em uma canção, canção esta que ela interpretou inúmeras vezes, com exatamente aquelas palavras”, comentou.

O Conar, contudo, questiona sobre a possibilidade de o uso da Inteligência Artificial “causar confusão entre ficção e realidade para alguns, principalmente crianças e adolescentes”. Para Corassa, a tecnologia utilizada no filme produzido por sua agência, a AlmapBBDO, é utilizada em um contexto positivo. 

“É uma tecnologia nova, que ainda gera dúvida ou polêmica. Mas no momento que ela é usada da forma correta, do bem, estabelecendo uma relação de onde sempre o que foi dito na verdade já foi dito, eu acho que ela é pertinente e deve ser levada em consideração na discussão”, completou.


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Segundo o Conar, a representação será julgada nas próximas semanas por seu conselho de ética, “garantindo-se o direito de defesa ao anunciante e sua agência”. Ainda de acordo com a organização, o julgamento é efetuado cerca de 45 dias após a abertura da representação. 

A Volkswagen, por sua vez, afirmou à reportagem que “foi notificada pelo Conar em 10 de julho e apresentará sua resposta no prazo concedido”.

Comercial da Volkswagen com Elis: expectativas foram superadas

As expectativas acerca do filme da Volkswagen com Maria Rita e Elis Regina, de acordo com executivos da própria montadora, foram superadas. A peça, segundo Roger Corassa, foi a mais vista, historicamente, no país num período de 24 horas.

“Essa campanha começou a partir do fato de que todo brasileiro tem uma história com a Volkswagen. Ela é uma homenagem, um agradecimento ao Brasil, ao brasileiro, por todo esse amor e paixão pela marca”, disse o vice-presidente de vendas e marketing da companhia.

Ele diz que esse foi o conceito: traduzir como marca uma empresa com setenta anos e é próxima das pessoas.

“A gente já esperava uma repercussão boa, mas foi, mesmo, espetacular. Não tem igual. Foi uma das propagandas com o maior engajamento da história do país. Fizemos uma propaganda na TV, domingo, 9, uma vez. No entanto, antes disso [o filme] explodiu por meio de redes sociais, em grupos de família, amigos, condomínio, de modo espontâneo”, destacou Ciro Possobom, CEO da Volkswagen do Brasil.

O executivo comentou ainda que a peça fala sobre sentimentos, pessoas e tradição Além disso, chancelou a fala de Corassa, acrescentando que o filme traz “uma conexão com os produtos”, mas que enfatiza as pessoas.

Segundo a Volkswagen, a campanha atingiu um índice de 98,5% de interação positiva, com apenas 1,5% de reações negativas. “A crítica é bem-vinda. Nós vivemos num país livre, onde as pessoas podem colocar suas opiniões”, disse o vice-presidente de vendas marketing da VW. Vale ressaltar que os números, para a empresa, são considerados excepcionais.

Leia na íntegra a nota do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar)

O Conar abriu hoje, 10 de julho, representação ética contra a campanha “VW Brasil 70: O novo veio de novo”, de responsabilidade da VW do Brasil e sua agência, AlmapBBDO, motivada por queixa de consumidores.

Eles questionam se é ético ou não o uso de ferramenta tecnológica e Inteligência Artificial (IA) para trazer pessoa falecida de volta à vida como realizado na campanha, a ser examinado à luz do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, em particular os princípios de respeitabilidade, no caso o respeito à personalidade e existência da artista, e veracidade.

Adicionalmente, questiona-se a possibilidade de tal uso causar confusão entre ficção e realidade para alguns, principalmente crianças e adolescentes.

A representação será julgada nas próximas semanas por uma das Câmaras do Conselho de Ética do Conar, garantindo-se o direito de defesa ao anunciante e sua agência. Em regra, o julgamento é efetuado cerca de 45 dias após a abertura da representação.

O Conar aceita denúncias de consumidores, assim como outras manifestações sobre a peça publicitária, bastando que sejam identificadas. Em obediência à LGPD a identidade dos denunciantes é protegida.

Veja a resposta da Volkswagen do Brasil

A Volkswagen do Brasil foi notificada pelo CONAR em 10 de julho e apresentará sua resposta no prazo concedido.