
Depois de fechar os últimos anos com perda de participação nas vendas de veículos no Brasil, a Volkswagen acelera seu plano para fortalecer a posição local e reconstruir a imagem que permanece amparada por sucessos do passado. A ideia é lançar novos modelos, entre nacionais e importados e reformular a oferta de veículos. “Os primeiros sinais dessa reestruturação vão começar a aparecer nos próximos meses, mas vamos levar de três a cinco anos para ter uma mudança completa e mais consistente”, conta David Powels, CEO da montadora para o Brasil e a América do Sul. Os planos incluem o lançamento de três SUVs e o de uma picape média.
Segundo ele, a empresa pretende enxugar o número de versões oferecidas para os seus carros, algo que já começou na atualização mais recente do Up! (leia aqui). Com a ação, a Volkswagen quer ser mais assertiva com o consumidor. Dentro desse plano, o Gol continua com papel relevante na marca como modelo de entrada, com produção concentrada na fábrica de Taubaté, assegura Powels. O Up! aparece em seguida, com maior valor agregado. A gama Fox, que parecia não ter espaço nos novos planos da marca, fica, como garante o executivo. “Vamos nos concentrar nas versões mais aventureiras”, conta.
NOVOS MODELOS
Powels prefere não dar muitos detalhes sobre o posicionamento dos carros que ainda não foram lançados, mas que chegarão em breve. Ainda assim, ele confirma que a empresa prepara uma nova picape. A promessa é de que a Saveiro permaneça na gama, mas no fim de 2018 ganhe uma irmã maior par brigar no crescente segmento de picapes médias.
Já entre novembro e dezembro deste ano começa a ser feito o Polo na fábrica da Anchieta – a produção pré-série já foi iniciada, aponta a companhia. No início de 2018 chega ainda o sedã Virtus. O executivo promete para o médio prazo três SUVs: um compacto que será lançado em até dois anos, a nova geração do Tiguan, que começa a ser fabricada no México em 2018 e será importada para o Brasil e ainda um terceiro modelo, sobre o qual Powels não deu qualquer detalhe pois “ainda está em estudo”.
UM VW ELÉTRICO PARA O BRASIL
“Estamos no Brasil há 65 anos e temos muitos fãs da marca. Por isso, queremos subir um patamar. Vamos recorrer também a modelos importados”, diz. Ele promete inclusive a chegada de um carro elétrico. “No Brasil não vejo um horizonte de grandes volumes de modelos com esta tecnologia que justifique a produção local. Ainda assim, isso faz parte da nossa estratégia global e estamos desenvolvendo carros zero emissão lá fora. Vamos trazer uma opção para o Brasil que vai colaborar com este reposicionamento da marca. Será algo de nicho”, conta.
Além de comandar os negócios da marca no Brasil, o executivo tem sob sua responsabilidade 26 mercados da América so Sul, Central e Caribe que, nas contas dele, somam até 1,7 milhão de carros por ano. A fatia da Volkswagen nesse bolo, no entanto, é pequena, inferior a 3%. Incomodado com o número tímido, ele planeja elevar as exportações a partir do Brasil e elevar este porcentual para 3,3% já em 2017. Em três anos o plano é responder por 5% destas vendas e, em 10 anos, chegar a 7%.