“Com seus produtos premium, forte posição no mercado e expertise tecnológica, a Scania é um elemento central do grupo de veículos comerciais que pretendemos completar. Estamos convencidos de que (a oferta) é muito atraente para os acionistas da Scania e criará valor em longo prazo para a Volkswagen”, disse o presidente do conselho administrativo do Grupo VW, Martin Winterkorn.
A proposta é de cerca de € 22,26 (200 coroas suecas) por ação aos minoritários da Scania, para todas as ações A e B, o que equivale a um prêmio de 57% por ação A e de 53,3% por ação B, levando em conta os preços médios dos papeis da Scania no mercado nos últimos 90 dias. O período de aceitação da oferta deve começar em 17 de março e terminar em 25 de abril próximo. O negócio só será consolidado caso o grupo alemão consiga adquirir mais de 90% do total de ações da Scania, para então retirar da bolsa todos os papeis da empresa. Para financiar a operação, a Volkswagen informa que vai emitir € 2 bilhões em ações.
A aquisição completa pretende eliminar os atuais obstáculos à cooperação. “O plano para integrar plenamente a Scania ao Grupo Volkswagen segue uma lógica industrial convincente. Vai melhorar significativamente a capacidade, eficiência e flexibilidade do grupo compreendido por Scania, MAN e VW Veículos Comerciais (Nutzfahrzeuge), pela utilização de ferramental comum, numa estratégia semelhante àquela utilizada em nossos carros de passeio”, disse o membro do conselho administração da VW responsável por veículos comerciais, Leif Östling.
Com a integração total da Scania ao grupo, a companhia calcula sinergias que podem gerar economia de mais de € 200 milhões até o fim de 2014. No horizonte de 10 a 15, a Volkswagen estima que lucro operacional de sua divisão de veículos comerciais seja de € 650 milhões por ano.
A consolidação da divisão de veículos comerciais do Grupo VW envolve vários movimentos coordenados e vem se arrastando desde 2006, quando a MAN, também fabricante de caminhões, ônibus e motores, tentou adquirir o controle da Scania em uma operação agressiva, sem acordo com o board da companhia. Então a VW, que já era a maior acionista de ambas as empresas, entrou na negociação e parou o processo, refazendo a estratégia. Primeiro, em 2009, vendeu para a MAN a Volkswagen Caminhões e Ônibus, com sede no Brasil, que assim criou a MAN Latin America. Depois, em 2011, assumiu todo o controle acionário da MAN. Agora tenta fazer o mesmo com a Scania, como o último lance que faltava para formar uma unidade de negócios com ampla gama de modelos, desde utilitários leves até caminhões extrapesados.