
Se a desconfiança se confirmar, o número de pessoas envolvidas no esquema pode ser maior do que o esperado, já que seria necessário financiar continuamente uma equipe capaz de garantir que o software fosse instalado em diferentes propulsores.
Informações da própria Reuters apontam, no entanto, que os funcionários do Grupo Volkswagen envolvidos no caso não passam de 10, contrariando suspeitas anteriores de que seria um grupo de cerca de 30 pessoas (leia aqui). Quanto mais executivos do alto escalão fizerem parte do esquema, mais a companhia deve ser considerada responsável, com penalidades maiores.
A investigação criminal da empresa na Alemanha constatou que mais de duas pessoas estão envolvidas no caso, “mas consideravelmente menos de dez”, segundo declarou um porta-voz da promotoria de Brunswick, cidade do norte do país, próxima à Wolfsburg, onde fica a sede da Volkswagen.
As suspeitas recaem sobre Ulrich Hackenberg, diretor de desenvolvimento da Audi, que, ao lado de Wolfgang Hatz, que ocupa cargo equivalente na Porsche, pode ter liderado as ações para burlar as regras de emissões. Hackenberg é tido como um dos grandes engenheiros automotivos da Alemanha, responsável por uma série de evoluções na gama de produtos do Grupo Volkswagen.
Um dos exemplos é a plataforma modular MQB, cujo projeto foi liderado por ele. Ser acusado como responsável soaria como um fim triste para a carreira de sucesso do executivo de 65 anos. Também seria irônico ter um dos líderes da Audi como articulista do esquema, já que a empresa é exemplo de boas práticas dentro do grupo.