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Volkswagen puxou vendas de veículos para baixo

A parada na produção das fábricas brasileiras da Volkswagen respingou no mercado brasileiro de veículos. Dados do Renavam divulgados pela Fenabrave na quarta-feira, 5, indicam que setembro terminou com baixa de 12,1% nas vendas na comparação com agosto, para 159,9 mil automóveis comerciais leves, caminhões e ônibus. A falta de veículos nas concessionárias da montadora estaria entre os principais fatores para mais uma contração.
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Giovanna Riato

05 out 2016

3 minutos de leitura

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-Veja aqui os dados da Fenabrave

Com o problema, setembro ficou entre os meses de menor volume de vendas de 2016, atrás apenas de janeiro e fevereiro, que são tradicionalmente fracos. O resultado foi ainda 21,3% menor do que o registrado em setembro de 2015. “O principal fator crítico para o mercado hoje é esta questão da falta de peças, que pode atrapalhar a produção de algumas montadoras”, avalia Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave. No acumulado dos nove meses do ano, os emplacamentos somaram 1,5 milhão de unidades, com queda de 22,8% na comparação com intervalo equivalente do ano anterior.

As fábricas da Volkswagen interromperam as atividades por mais de um mês por falta de componentes feitos por empresas do Grupo Prevent. A montadora voltou a produzir no dia 16 de setembro em ritmo acelerado para repor os estoques na rede, mas o impacto da parada no já enfraquecido mercado nacional motivou a Fenabrave a revisar as expectativas para este ano (leia aqui). O tombo até dezembro deve chegar a 19,8%, com o emplacamento de 2,06 milhões de veículos.

A falta de carros da marca alemã impactou a média diária de vendas de setembro, que ficou em apenas 7,6 mil emplacamentos/dia. O volume é 4,7% inferior ao de agosto. Para agravar a situação, o mês passado teve ainda dois dias úteis a menos, com apenas 21 de licenciamentos. “A mudança política também não refletiu no mercado da forma como esperávamos”, admite Assumpção Jr., na tentativa de explicar mais um resultado negativo que contraria a previsão de melhora das vendas nos últimos meses do ano.

Segundo o executivo, o desemprego ainda elevado e a dificuldade para obter crédito estão entre outros fatores que puxam a demanda para baixo. Ele calcula que, a cada 10 pedidos de financiamento, apenas três fichas são aprovadas.

MAIOR PARTICIPAÇÃO DAS VENDAS DIRETAS

As vendas de veículos feitas diretamente pelas montadoras a frotistas ganharam importância com a queda do mercado. Esta demanda respondia por cerca de 20% dos negócios nos tempos de volume superior a 3 milhões de unidades por ano. Agora a participação aumentou para 33% no acumulado de 2016. “O volume não subiu, mas como o varejo caiu, o peso destes emplacamentos ficou maior”, esclarece Assumpção Jr.

Para proteger a rede de distribuição da concorrência com estes frotistas, que atuam também nas vendas de carros seminovos, a Fenabrave firmou acordo com a Anfavea que determina que estas empresas só podem oferecer veículos no mercado 12 meses após a compra (leia aqui). “É uma autorregulação, algo importante para setor”, aponta o presidente da Fenabrave. Segundo ele, as vendas de veículos usados respondem, em média, por 15% do faturamento das concessionárias. Fatia de 25% das receitas vem dos serviços no pós-venda e os 60% restantes são obtidos nos negócios com carros zero-quilômetro.

Com a crise que afeta o setor automotivo, estes porcentuais ficaram desequilibrados, o que causou o fechamento de 1,7 mil revendas no País entre janeiro de 2015 e março deste ano. Outras 470 casas foram abertas neste período, de marcas que estão ampliando atuação, como Jeep e Audi. Ainda assim, o saldo foi de 1,2 mil lojas que encerraram as atividades, o que fez a rede de distribuição nacional encolher para 7 mil concessionárias. O impacto da redução foi devastador para os empregos no setor: 124 mil vagas foram cortadas nas revendas, que passaram a contar com 380 mil colaboradores, número três vezes superior ao das montadoras.

Assista à entrevista exclusiva com Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave: