
|
|||||||||||||||||||||||||||
Pedro Kutney, AB
Algumas horas antes de entregar 18 troféus aos melhores fornecedores de 2010 nesta quinta-feira, 18, Alexander Seitz (foto), vice-presidente de compras da Volkswagen América do Sul, confirmou a estratégia que havia anunciado na premiação do ano passado: está trazendo novos fornecedores para suprir a empresa no Brasil e Argentina com maior eficiência. São empresas, segundo Seitz, que estão montando novas fábricas com elevado grau de automação, para garantir maior competitividade produtiva e, claro, custos menores.
Seitz não contou quantos fornecedores exatamente virão ao todo, mas citou alguns exemplos. Um deles é a fabricante mexicana de vidros automotivos Vitro, que instalou uma nova fábrica em Diadema (SP), perto da planta Anchieta da Volkswagen, em São Bernardo do Campo. Outro é a Peguform, que já tinha instalações no Brasil, mas montou uma nova unidade em Atibaia (SP) com alto grau de automação, para produzir para-choques já pintados. O executivo também lembrou que a canadense Magna está fazendo investimentos em expansão em várias áreas no Brasil e, na Argentina, comprou a Pabsa, que fornece bancos para a VW.
Segundo Seitz, um dos principais desafios para os próximos anos será montar uma rede de suprimentos competitiva e com portfólio mais amplo, para atender tanto exigências legais como o aumento do poder de compra dos consumidores, que requerem a adição cada vez maior de equipamentos de segurança e conforto nos carros produzidos no País. “O mercado está mudando, com exigências de reduções de emissões e oferta de itens de conforto e segurança mesmo nos modelos mais populares”, avalia. Exemplo disso é o ar-condicionado, hoje presente em 80% dos carros da marca vendidos aqui. “Quando cheguei na empresa em 2008 esse porcentual não passava de 15%”, lembra.
A legislação que obrigará a instalação de airbags frontais e freios com ABS em 100% dos modelos vendidos no mercado brasileiro a partir de 2014 também exige o desenvolvimento de novos fornecedores. Seitz disse que a Volkswagen está em negociações para diversificar as compras de cada um desses sistemas para no mínimo dois fabricantes. Ele revelou que no caso do ABS, por exemplo, a única fornecedora atual no Brasil, a Bosch, em breve ganhará a companhia da também alemã Continental, que já atende a VW em outros países. “Um só fornecedor nem daria conta de produzir tudo que vamos precisar”, explica.
Problemas no andar de baixo
O chefe de compras da Vokswagen disse que a maioria dos gargalos observados em anos recentes estão sendo resolvidos. “Conseguimos mais fornecedores de componentes plásticos, mas ainda temos alguns problemas com fundidos de maior peso. Por isso estamos trazendo mais um fornecedor para essas peças”, avisa.
Seitz avalia que os principais problemas atualmente estão nos andares de baixo da cadeia de suprimentos. “Os tier 2 e 3 também precisam mudar e se modernizar, ou a cadeia não funciona, não é sustentável. A produtividade está caindo no Brasil porque falta automação e o custo de mão-de-obra está aumentando”, pondera. O executivo avalia que os empresários do setor de autopeças deveriam aproveitar o momento propício para modernizar as fábricas. “Acho que nunca mais eles terão a chance de comprar máquinas tão baratas”, disse, destacando o câmbio favorável para importar maquinário.
Para Seitz a modernização das fábricas é o caminho para reconquistar competitividade. “Em vez de aumentar barreiras às importações é preciso elevar a competitividade e parar de chorar porque o mundo está complicado.” Ele lembrou que todo o crescimento do mercado brasileiro este ano está sendo aproveitado só por modelos importados, situação que classificou como “preocupante”. “Precisamos melhorar nossos custos e investir mais em pesquisa em desenvolvimento para competir”, ressaltou, admitindo que a maior parte da inovação ainda acontece nas matrizes das empresas multinacionais do setor.
O executivo disse que a maior parte das importações de peças está sendo feita pelos sistemistas que fornecem conjuntos já montados, mas admitiu que o nível de nacionalização dos carros Volkswagen feitos no Brasil está baixando. Até o ano passado, o índice de nacionalização girava em torno de 80% e este ano recuou “de três a cinco pontos porcentuais”. Seitz disse que no passado recente a maioria dos componentes importados diretamente pela Volkswagen vinha da Europa, e que hoje as operações cresceram e estão mais complexas, “pois importamos peças de muitos lugares, principalmente México, China e países do Leste Europeu”.
Sobre a chegada de fabricantes chineses ao País, Seitz disse que considera “muito bom que queiram nacionalizar a produção, pois assim vão competir em igualdade com as fábricas já instaladas aqui, mas não acho que é isso que vai acontecer, pois estão falando em índices muito baixos de nacionalização”. O executivo de compras avalia que “os fornecedores locais vão ter muitos problemas para vender para Chery e JAC”, lembrando que “o preço do aço aqui é 30% mais caro, do plástico 20% mais e o custo de mão-de-obra já está parecido com o de Portugal, mas sem a mesma produtividade”.
Orçamento crescente
O departamento de compras da Volkswagen gastou R$ 15,5 bilhões em 2010, para produzir 826 mil unidades de 15 modelos no Brasil e 87 mil de quatro modelos na Argentina. Deste total, 24% foram gastos com insumos químicos, 34% metálicos e 29% com componentes de powertrain e elétricos. Os 13% restantes foram destinados a compras não envolvidas na produção, como serviços de transporte e logística, por exemplo. Do total de 4,5 mil fornecedores ativos, 700 fornecem materiais diretamente ligados à produção, que equivalem a 78% do custo dos veículos fabricados no Brasil.
Seitz calcula que este ano o valor das compras deve continuar a crescer, algo em torno de 5%, acompanhando o ritmo de expansão da produção. Ele informou ainda que desde o ano passado o orçamento foi unificado com as operações da Argentina, “porque estamos inter-relacionados com suprimentos conjuntos”, o que explicaria boa parte o salto de 50% dos gastos nos últimos dois anos – em 2008 as compras totalizaram R$ 10 bilhões mas só incluíam o Brasil.
A Volkswagen monta na Argentina a perua SpaceFox e picape Amarok na planta de Pacheco, perto de Buenos Aires, e mantém uma fábrica de caixas de transmissão em Córdoba – unidade que passa por significativa ampliação e dentro de dois anos deve se tornar a segunda maior do grupo no mundo para esse componente, aumentando a produtividade das atuais 3,5 mil unidades/dia para 5 mil.
Assista abaixo à entrevista exclusiva de Alexander Seitz à Automotive Business TV
Supply Award 2010

Representantes da Pirelli Mauro Pessi e Roberto Ruoppolo (ao centro) recebem o troféu de melhor fornecedor da Volkswagen em 2010 do presidente da companhia, Thomas Schmall (à esq.), e do vice-presidente de compras para América do Sul, Alexander Seitz (à dir.)
Nesta quinta-feira à noite, no Credicard Hall, em São Paulo, a Volkswagen premiou os melhores fornecedores de 2010, avaliados pela qualidade, produtividade, custos e inovação. O grande vencedor do ano foi a Pirelli, que levou o troféu de “Melhor dos Melhores”. A fabricante de pneus foi a única a vencer duas das 14 categorias do 12º Supply Award: se destacou como a melhor fornecedora de componentes de “exterior” e na “engenharia de desenvolvimento de novos produtos”, além de ser uma das quatro finalistas em “qualidade de novos produtos”.
Pela primeira vez a Volkswagen incluiu seus fornecedores da Argentina no Supply Award, que foram finalistas em todas as categorias de premiação. Foi criado também um prêmio especial que reconheceu quatro empresas que investiram no desenvolvimento de negócios no país vizinho.
Veja abaixo todos os fornecedores premiados da Volkswagen:
