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Informações atualizadas no dia 11/7, às 9h30
Giovanna Riato, AB
A Volvo foi a primeira montadora a apresentar no Brasil caminhões que atendem às normas de emissões determinadas pelo Conama P7 ou Euro 5, na última sexta-feira, 8. Os pesados e extrapesados da linha F receberam investimento de US$ 20 milhões para adaptar as tecnologias desenvolvidas na Suécia à realidade brasileira.
Os modelos FH ganharam mais potência, que varia agora de 420 cv a 540 cv de acordo com a configuração do veículo. Entre as atualizações da nova geração estão novos eixos traseiros sem redução de cubos e a caixa de câmbio I-Shift. As famílias FMX e FM com motor 11 litros também foram atualizadas para atender à nova norma de emissões, mas mantiveram a mesma potência.
“Com o sistema SCR, os motores estão mais fortes e robustos. Com mais tecnologia embarcada é necessário ter novos componentes”, conta Alvaro Menoncin, responsável pela engenharia de vendas da montadora. Segundo a empresa, não foi difícil encontrar parceiros locais para fornecer os componentes. Os veículos chegam com índice de nacionalização superior a 75%, com produção local de itens como motor e transmissão manual.
As atualizações para atender às novas exigências ambientais resultaram em um aumento de preços de 10% nos modelos FH, de 12% no FM, de 10% no FMX com motor 13 litros e de 12% no modelo equipado com propulsor 11 litros. O reajuste é semelhante ao anunciado pela Mercedes-Benz, entre 8% e 15% para toda a linha, mas pode ficar mais alto caso o governo volte a cobrar o IPI de 5% do setor de caminhões, o que está programado para o início de 2012.
Já o custo da operação deve continuar o mesmo. A redução de 5% no consumo de combustível prometida para os novos modelos será compensada pelo investimento em Arla 32. “Isso vai depender do preço do aditivo, ainda não anunciado, mas esperamos que fique estável”, aponta Menoncin.
Os caminhões serão comercializados com garantia total, com exceção dos problemas ocasionados pelo uso do combustível incorreto. “Escolhemos a tecnologia SCR por ela ser mais robusta. Em uma emergência o motorista pode abastecer com o diesel S500, desde que depois verifique as condições do veículo. No entanto, se isso for feito com frequência, trará danos sérios ao caminhão”, esclarece Bernardo Fedalto, gerente de caminhões da linha F.
Vendas
Ao contrário de outras montadoras, a Volvo projeta estabilidade de vendas entre este ano e o próximo. Para a companhia, não deve haver forte antecipação das compras em 2011 ou intensa desaceleração do mercado no começo de 2012. “Até agora não percebemos uma movimentação de pré-compra. A decisão vai de acordo com a situação econômica e, com a safra recorde de grãos prevista para o próximo ano, também não esperamos uma queda muito brusca no primeiro trimestre”, acredita Fedalto.
A montadora garantiu a liderança de pesados durante o primeiro semestre de 2011, com 24,8% de participação. A expectativa para este ano é comercializar cerca de 14.250 caminhões do segmento, que deve alcançar vendas totais de 57 mil unidades. Com isso, o Brasil deve manter o posto de primeiro mercado global da companhia pelo terceiro ano consecutivo.
Conama P7
A Volvo diz não enxergar possibilidades para que a nova legislação de emissões seja adiada. No entanto, não nega que o mercado ainda tem dúvidas sobre o assunto. Para esclarecer algumas incertezas, a empresa entregará um vídeo para cada cliente que comprar um caminhão com a tecnologia. A intenção é esclarecer questões básicas como o combustível adequado e o uso do Arla 32, entre outros assuntos.
Roger Alm, presidente da Volvo do Brasil, está confiante sobre o programa nacional de emissões veiculares depois de ter acompanhado a chegada da norma na Europa. “Quando o Euro 5 começou lá, o número de postos que distribuia o diesel adequado também não era grande mas os motoristas não tiveram problema”, conta. Para ele, não há motivo para incertezas, já que a tecnologia dos veículos foi amplamente testada e circula em 170 mil caminhões da marca vendidos no mundo.
A disponibilidade do combustível, outra dúvida sobre a chegada da norma, também deve ser garantida em 2,5 mil postos espalhados pelo Brasil, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP). A Volvo acredita que o número é o suficiente para atender ao volume inicial da frota de veículos Euro 5. Já a distribuição de Arla 32, também feita nos postos, será reforçada pela montadora, que promete bombas de 20 litros do aditivo em todas as concessionárias do País.
Depois de apresentar os pesados e extrapesados da linha F, a Volvo prepara agora a nova geração dos semipesados VM, que estão em fase final de desenvolvimento. Os modelos devem ser apresentados nos próximos meses.
