
É por isso que as perspectivas para este ano são bem otimistas. A fabricante espera vender 17 mil veículos na América Latina, sendo quase metade do volume (8 mil unidades) apenas no Brasil, que é hoje o maior mercado da Volvo na região com sobra.
“Se a gente tivesse condições de aumentar a produção, nós poderíamos vender ainda mais porque a demanda nas concessionárias está maior do que isso. Então a expectativa é de um ano muito bom, apesar da guerra (entre Rússia e Ucrânia), que é um problema que nem deveria existir em 2022. Mas, por enquanto, isso ainda não nos afetou”, revelou Luis Rezende, presidente da Volvo Cars para América Latina.
Expansão no México
O executivo conversou com exclusividade com Automotive Business durante o evento de lançamento do C40. O local escolhido para a estreia foi o México, atualmente o segundo maior mercado da empresa na região – e um dos países fundamentais para a estratégia de crescimento da Volvo.
“Estamos crescendo muito no México, onde tínhamos pouco mais de 3% de participação antes de assumirmos as operações e hoje já estamos com 10%. Trata-se de um mercado com o maior potencial de crescimento para nós por ser do tamanho do Brasil. Aqui, as pessoas têm o costume de consumir muito SUV de grande porte, até por conta da influência dos Estados Unidos. Então, espelhando-se em países como o Brasil, nossa expectativa é de vender de 8 a 9 mil carros em um futuro breve”, declarou Luís.
Brasil ainda é líder

O C40 acaba de ser lançado oficialmente no mercado brasileiro por R$ 419.950, inicialmente em versão única de acabamento.
Entretanto, a própria fabricante revelou que uma configuração mais barata será lançada em breve, o que deve alavancar a procura pelo veículo.
Até agora, a marca se diz feliz com o resultado: a meta de comercializar 200 unidades já foi batida no período de pré-venda e a tendência é que mais clientes se interessem nos próximos meses.
O otimismo é tamanho a ponto de o executivo confiar que a filial brasileira pode atingir a meta estabelecida pela matriz antes do prazo – que é de fazer com que os elétricos correspondam a 50% das vendas até 2025.
“Se a gente tiver sucesso em 2022, com certeza dá (para atingir a meta antes do objetivo). Vamos lançar um produto elétrico por ano até 2025, então nesse ritmo certamente dá. E isso é legal porque nos dá condições de ter discussões com a matriz que são muito importantes porque estamos entregando resultados”, disse Rezende.
Referência em eletrificação

Embora não tenha sido a primeira marca a lançar um carro elétrico no país (a primazia coube à BMW), a Volvo assumiu as rédeas da eletrificação ao investir pesadamente na construção de eletropostos nas principais cidades brasileiras.
Segundo Rezende, a medida fez parte de um ousado plano que se avizinhava com a decisão da matriz.
“A empresa tem estratégia de ter carros 100% elétricos já em 2030 e você não consegue mudar uma direção global sendo um mercado da América Latina que representa 3% das vendas mundiais. Quanto antes você se adequa, melhor. Foi por isso que migramos para um portfólio 100% eletrificado, além de investir em pontos de recarga e eletrificação”.
Sobre o desenvolvimento da rede de eletropostos pelo país, Luis vê com bons olhos as iniciativas de outras montadoras, que estão investindo na instalação de pontos de recarga, inclusive em rodovias.
“Ainda existe uma restrição por parte de alguns consumidores (sobre ter um carro elétrico), mas eu diria que hoje a curiosidade é muito maior do que a rejeição imediata. Só que a questão dos pontos de recarga precisa ser resolvida e estamos jogando nisso também. Há outras marcas fazendo isso, o que me alegra muito porque isso ajuda e podemos cuidar de outros assuntos até que essa confiança esteja estabelecida”, concluiu.
