
A novidade no menu está na linha de road machinery, abrangendo máquinas para compactação, nivelamento e pavimentação que passarão a ser montadas na fábrica de Pederneiras, SP. A oferta será reforçada com a importação de retroescavadeiras e minicarregadeiras feitas no México, aproveitando a ociosidade das instalações de uma fábrica de ônibus. A nacionalização da linha mexicana será progressiva, começando com pelo menos 30% de conteúdo para permitir as trocas com o Brasil dentro do acordo de comércio.
“A postura da Volvo não é de se recolher diante da crise, mas avançar. Projetos em nossa área de atuação são de longo prazo. Qualquer recuo pode comprometer negócios no futuro” – explica Kawakami. Dona de uma linha completa de equipamentos pesados, a marca aproveita sua infra-estrutura já disponível na América Latina (como a fábrica no interior paulista, a rede de distribuição e assistência técnica disponível em todos os países vizinhos) para entrar no segmento de equipamentos compactos para construção, que representam 50% do mercado latino-americano em volume e cerca de 40% em valor.
Os dois produtos a serem nacionalizados em Pederneiras cobrem dois terços das oportunidades que a Volvo enxerga no segmento de compactadoras.
O ano fantástico
Para a Volvo CE o ano de 2008 foi ‘fantástico’ e permitiu à empresa alcançar as metas que deveriam ser registradas no final de 2009. “Infelizmente o cenário para 2009 não é o mesmo que projetamos no passado” – reconhece Kawakami. Ele trabalha com um crescimento do PIB brasileiro de até 2% e acredita que o país pode absorver o impacto da crise melhor que a maior parte do planeta.
O mercado total de máquinas de construção na América Latina em 2008 foi de 43 mil unidades, metade de produtos pesados e metade para produtos compactos. A Volvo colocou na praça 3.500 máquinas, crescendo 40% em volume sobre 2007 e obtendo um faturamento 34% maior.
O executivo pretende colocar rapidamente o novo portifólio à disposição dos clientes, estimulando os negócios da fábrica e também da rede de distribuidores. A fábrica mexicana, em posição estratégica, permitirá atender a América do Norte, além de abastecer a região latina. A operação conta com o suporte do Banco Volvo, que financia pelo menos metade das vendas atuais na América Latina e funciona como alternativa para Finame.
A linha de equipamentos pesados para construção oferecida na América Latina pela Volvo traz 70% de produtos made in Brasil. Da fábrica de Pederneiras saem vinte modelos diferentes, tornando a unidade a mais versátil do grupo Volvo.
Depois das filas de espera que se formaram em 2008 e do susto que pegou de surpresa o setor em todo o mundo, Kawakami não se arrisca a fazer prognósticos para as vendas em 2009. Ele reconhece que o faturamento no primeiro bimestre ficou 20% a 25% abaixo do mesmo período do ano passado e admite que a operação sofreu alguns ajustes, realizados com o cuidado de afetar o mínimo possível a vida das pessoas. “Elas são nosso principal capital” – diz.
Ele assegura que houve poucos casos de cancelamento de pedidos. “Também não é verdade que as obras desabaram ao redor do mundo” – afirma. Para o executivo, o comportamento do setor de máquinas de construção é bem diferente do que acontece na área de automóveis, que reage rápido a estímulos como a redução do IPI. O comprador de máquinas é motivado pela oferta de crédito e oportunidades de obras. Kawakamki destaca a importância das concessões de rodovias para os negócios no setor, em função da agilidade das operadoras. A construção rodoviária levou 500 máquinas da Volvo em 2008.
Kawakami não duvida que o PAC (programa de aceleração do crescimento tocado pelo governo) estimula os negócios e tem importância para o setor de infra-estrutura. “Há programas definidos e recursos mas, infelizmente, muitas vezes não se sabe como aplicar” – explica.
Ele arrematou a conversa com um grupo de jornalistas em São Paulo, dia 5 de março, renovando sua esperança de se promover a recuperação da infra-estrutura no Brasil, o que inclui muitas outros segmentos além das obras rodoviárias. “Provavelmente teríamos um apagão em breve se o ritmo de crescimento da economia se prolongasse. Com a retomada, pode faltar energia” – adverte.