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Volvo fecha rede e passa a cobrar recarga de veículos elétricos rivais

Empresa vai cobrar tarifa de R$ 4,00 para que donos de veículos de outras marcas utilizem a sua rede de carregadores
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Lucia Camargo Nunes

03 jul 2024

4 minutos de leitura

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A Volvo Cars anunciou na quarta-feira, 3, que passará a cobrar clientes de outras marcas que utilizarem seus eletropostos instalados o país. A partir do dia 10 de julho, a empresa cobrará uma tarifa de R$ 4,00 por kW/h proveniente de seus carregadores.

O valor é mais alto do que o custo de recarga residencial (cerca de R$ 1,00 o kw/h) e dos postos privados que também oferecem recarga, a preços que giram em torno dos R$ 2,00.

A empresa também informou que vai cobrar uma taxa de conectividade por carregamento de R$ 2,50 e uma taxa de ociosidade de R$ 5 por minuto após o 16º minuto em que o veículo atingiu 100% de carga.

Clientes da Volvo, por sua vez, terão gratuidade da taxa de conectividade e da tarifa de recarga. Apenas a taxa de ociosidade será cobrada. Para evitar fraudes, o cadastro será feito, por enquanto, apenas em um celular por carro.

R$ 70 milhões para ampliar pontos de recarga

A decisão de fazer a cobrança partiu de uma espécie de mapeamento do mercado. Na visão da empresa, apenas ela investe pesado na expansão da rede de carregadores no país, uma rede que, antes, era utilizada por usuários de veículos de outras marcas.

Marcelo Godoy, presidente da Volvo Car Brasil, ressaltou que mais do que a cobrança, a marca está abrindo um capítulo novo da história, que ele chama de “pacto de eletrificação”. Para ele, a infraestrutura é hoje o maior gargalo da indústria no Brasil e no mundo.

“Nosso pacto é reinvestir cada centavo dessa receita para colocar mais carregadores e continuar essa jornada. Hoje abrimos o pacto de eletrificação, uma jornada em que a gente chama todos da indústria a vir com a gente, colocar mais carregadores nas ruas e aumentar a infraestrutura”, afirmou Godoy.
Questionado sobre o valor da recarga a não-clientes ser alto em relação a outros eletropostos, Godoy argumentou que são carregadores bem localizados, agregados a serviços e conveniência, operados 24 horas por câmeras e com uma central 0800.

“Meu sonho, como executivo, é que isso despertasse uma necessidade em outras montadoras em colocar carregadores na rua e quebrar essa barreira do carregamento. Queremos chamar mais pessoas para participar do que a gente vem trabalhando desde 2017, porque essa é a grande virada”, afirmou o presidente da Volvo.

Godoy disse, ainda, que não há contrapartida por conta dos concorrentes nesse processo.

Para Volvo, não há contrapartida dos demais competidores

“Do meu lado, estou colocando à disposição fazer o pacto e liderar isso. Hoje é notório que as outras montadoras não estão colocando carregador na rua. Vemos outros empresários instalando carregador como um negócio. Do nosso lado, estamos preparados para o pacto. Mas quando a gente abre essa discussão, a contrapartida não muda. O que ouvimos é: ‘eu não coloco, mas a Volvo coloca’”.

A reportagem da AB questionou outras fabricantes de veículos elétricos a respeito dessa responsabilidade de se construir uma rede de eletropostos o país.

Por meio de nota, a GWM informou que “a infraestrutura de recarga é um desafio e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade de novos negócios. Os carregadores já instalados e gratuitos auxiliam no avanço da eletromobilidade e a escolha pela utilização é do consumidor. Iniciativas que visem o crescimento dessa infraestrutura, mas que busquem também o aumento dos carregadores rápidos e ultrarrápidos, sempre terão apoio da GWM”.

A BYD, por sua vez, informou que “tem estratégias sólidas focadas no Brasil em todos os aspectos, tanto com rede de carregamento quanto em constantemente informar os usuários sobre os benefícios dos carros elétricos. A marca também tem uma parceria com a Shell Raízen e está investindo em conjunto na criação de 600 novos eletropostos pelo Brasil todo”.

A Volvo afirma que já investiu R$ 70 milhões para expandir a infraestrutura de recarga rápida para veículos eletrificados aqui no país. De 2017 para cá, a empresa conseguiu erguer uma rede formada por  52 eletropostos de carga rápida. Há meta de se chegar a 101 pontos em algum momento no futuro.

“Para que o protecionismo?”

Marcelo Godoy comentou a pressão que a Anfavea, a associação que representa as montadoras, está fazendo para que o governo federal antecipe a alíquota máxima do imposto de importação de veículos elétricos.

“Este é um momento bem confuso da economia, com um movimento de muita retórica. Isso acaba criando dúvidas nos clientes. E para que esse protecionismo?”, questionou.

“É um pedido descabido, porque já foi acordado que isso seria em fases. Não sou a favor nem contra o imposto de importação. O que eu sou a favor é da previsibilidade, porque numa economia de mercado isso faz muito mal para o país”, completou.

Godoy também disse que a Volvo já havia se antecipado ao aumento de preços de 7% no início do ano com a tarifa de importação em 10% e não haverá reajuste agora que a alíquota passa a ser de 18%.