
Para Cieslak, o segredo de uma empresa como a Volvo, que nos últimos cinco anos figurou entre as cinco primeiras companhias no ranking As melhores empresas para se trabalhar, da Revista Você SA, é o cuidado com o ambiente de trabalho.
“O trabalho, a produtividade, o negócio não acontece se não tiver energia com paixão – somos estimulados a trabalhar com energia e a nos apaixonarmos pelo que fazemos a partir do como fazemos. Não tem mágica, depende da corporação”, disse o executivo. As ações da empresa, segundo ele, devem primar não só pela permanência do trabalhador, o que garante o andamento das atividades que a empresa se propõe a fazer dentro do mercado, mas também devem visar a sustentabilidade do negócio.
Citou como exemplo o caso de 2009, quando a Volvo foi eleita uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil, na edição de setembro da Você SA, e no mês seguinte, demitiu 300 pessoas. “Manter essas trezentas pessoas a mais não era sustentável naquele momento”, defendeu.
A política de relacionamento com os trabalhadores ganhou novo formato na Volvo, quando em 2003 a unidade brasileira decidiu estrategicamente se tornar uma subsidiária de “classe mundial” – com valores e operações em níveis elevados de satisfação e produtividade. Em uma auto avaliação realizada há 10 anos, de 1 mil pontos possíveis, a empresa totalizou 350 pontos.
“Percebemos que havia um longo caminho a percorrer: em 10 anos, conseguimos sanar problemas e avançar. É mais que ganhar prêmios, é colher agora os frutos que plantamos em 2003 e plantar agora o que queremos colher em 2023”, reforçou.
As melhorias pelas quais a Volvo passou nesses 10 anos foram basicamente estruturadas em ações que envolvem diretamente o recurso humano, com o objetivo de criar equipes globais de alto desempenho para apoiar programas corporativos que deram suporte aos processos de melhorias do setor na empresa.
Ele elencou diversos aspectos envolvidos neste processo: recrutamento e seleção de pessoas cuja política incentiva a diversidade, apoiada na identificação de talentos; melhorias na comunicação, que abrange grupos com reuniões semanais, criação de comissão de fábrica para estreitar a relação funcionário-empresa; equipes auto gerenciáveis e programas que englobam a política de qualidade de vida, com um olhar minucioso para as diversas práticas que envolvem todos os aspectos do trabalhador: jornada flexível, promoção de alimentação saudável, assistência médica domiciliar de urgência, programa individual de home-office pós licença maternidade, atividades sociais e programa de preparação para aposentadoria, além dos programas corporativos educacionais, como curso de idioma, programas de voluntariado, planejamento familiar e de investimentos e programas de desenvolvimento de lideranças.
“O bom andamento das práticas se dá a partir da observação de três pilares: da constância dos propósitos, o que envolve manutenção; consistência, que está ligado ao como fazer, e por fim, coerência, que é a conexão do que se prega com a vivência do dia-a-dia”, concluiu.