
“Temos uma posição muito sólida e deveremos continuar crescendo em 2013”, destacou o executivo. A projeção da Volvo para o mercado de pesados e semipesados (acima de 15 toneladas de peso bruto total) este ano é de expansão de 20%, para 105 mil unidades, contra 87,4 mil em 2012. Sobre o fato de ser muito mais otimista do que a previsão da Anfavea, a associação de fabricantes, que espera mercado de caminhões em torno de 7% a 7,5% maior em 2013, Alm foi enfático: “Confiamos no nosso número.”
“Esse é um mercado muito dinâmico. Não seria surpresa se em 2013 repetíssemos o número recorde de 2011, de 111 mil (pesados e semipesados)”, disse Bernardo Fedalto, diretor de vendas e marketing. “Existem elementos para isso, como o crescimento da safra de grãos e o aumento do comércio de bens esperado para este ano”, acrescentou.
PROGRAMA DE INVESTIMENTO
O presidente Roger Alm está agora está debruçado no planejamento para direcionar o novo programa de investimentos da companhia para a região, de US$ 500 milhões nos próximos três anos, quase o dobro dos US$ 280 milhões investidos de 2009 a 2011, conforme anunciado em outubro passado pelo CEO Olof Persson (leia aqui).
O programa, segundo Alm, envolve diversas ações de modernização e expansão da fábrica de Curitiba (PR), o lançamento do novo extrapesado FH (apresentado na Europa no ano passado), a introdução no Brasil de mais uma das marcas de caminhões do grupo (Mack, UD ou Renault Trucks), além de suporte ao desenvolvimento de produtos e rede. Nada disso, contudo, está totalmente definido. “Ainda estamos estudando o melhor momento para lançar o novo FH e introduzir a nova marca”, afirma o executivo.
Alm garante que o martelo ainda não foi batido sobre qual nova marca o grupo introduzirá no Brasil, nem mesmo se a Volvo pretende com isso entrar em segmentos nos quais não participa hoje, de caminhões leves e médios abaixo de 15 toneladas, ou se serão negócios conflitantes, com produtos e lojas diferentes disputando as mesmas faixas de mercado. “Tudo isso será definido mais adiante”, limita-se a dizer, sem informar datas.
A aposta do mercado é para a UD, marca criada após a compra da Nissan Diesel, que tem linha ampla de modelos, dos quais poderiam ser vendidos aqui os menores, caso não se queira criar concorrência dentro do mesmo grupo. A Renault também tem chances, houve interesse no passado recente e alguns caminhões da marca já são montados em pequena escala no Uruguai e vendidos em diversos países sul-americanos, mas a competição com a Volvo seria maior nesse caso. Os Mack dificilmente teriam sucesso no Brasil: feitos nos Estados Unidos, têm configuração de motor avante, no bico do caminhão, o que reduz espaço de carga dentro da legislação brasileira, que limita o comprimento dos veículos.
Também não há definição sobre onde os veículos dessa segunda marca seriam produzidos, no Brasil ou outro país sul-americano. Mas a intenção é aproveitar as boas condições do BNDES/Finame, o que traz à mesa a exigência, para a concessão desses financiamentos a juros baixos, do índice mínimo de nacionalização do veículo de 60% em peso e valor. Com isso, a balança pende para a produção em Curitiba, onde ainda existe espaço no terreno de 1 milhão de metros quadrados, que começou a ser ocupado pela empresa em 1977.
DESEMPENHO POSITIVO
Os 15.878 caminhões Volvo emplacados no Brasil no ano passado representaram queda de 16,7% sobre 2011, mas o recuo foi bem menor do que a média do mercado, que caiu 20% no período, afetado pela mudança da legislação de emissões e retração da economia. “Prefiro lembrar que de 2008 a 2012 nossas vendas cresceram 42% no País e nosso market share avançou de 12,8% para 18,2%”, ressalta Alm. No ano passado, também houve ganho de participação de mercado, de um ponto porcentual, de 17,1% para 18,2%, considerando só os dois segmentos onde a marca sueca atua, pesados e semipesados (veículos acima de 15 toneladas de peso bruto total).
Segundo Alm, somando o desempenho dos modelos FH e FM, a Volvo liderou as vendas de caminhões pesados no Brasil em 2012 pelo segundo ano consecutivo, com participação de 27% no segmento. “De cada quatro caminhões pesados vendidos no Brasil, um é Volvo.” No mercado de semipesados, a linha VM conquistou market share de 10,1%. O executivo também afirmou que a marca liderou as vendas de modelos Euro 5, com 23% dos pedidos de semipesados e pesados com a nova motorização que atende aos limites de emissões de poluentes previstos na fase P7 do Proconve, em vigor desde o início de 2012.
Alm destacou ainda outros pontos positivos da performance do grupo em 2012 na América Latina. Ele disse que a Volvo lidera as vendas no Peru, onde tem 50% do segmento de mineração. Na Venezuela, a Mack é líder com 32% das vendas de caminhões no país. No Chile, único país sul-americano onde o grupo atua com todas as suas marcas, o market share em 2012 foi de 20%, incluindo os negócios com Volvo, Mack, UD e Renault Trucks. Na Argentina, atuando com Volvo e Renault, a participação foi de 10%.
No total, o Grupo Volvo apurou faturamento líquido de US$ 4,4 bilhões na América Latina, cerca de 10% das receitas da companhia no mundo. As vendas na região somaram 23,6 mil unidades, com participação de 16,8% no mercado de 140 mil caminhões acima de 14 toneladas de peso bruto total. A marca Volvo respondeu por 81% dos negócios, a Mack por 13%, a Renault por 5% e a UD por 1%.
Assista abaixo a entrevista exclusiva de Roger Alm a ABTV: