
O trabalho mais intenso da Volvo continua sobre o utilitário esportivo: “O XC60 está bem posicionado entre modelos maiores e menores (das marcas de luxo) e concorrerá com Range Rover Evoque, Audi Q3 e Q5, por exemplo”, afirma o CEO da Volvo Cars do Brasil, Luís Rezende.
O executivo mantém sua previsão para este ano de cerca de 3 mil unidades, apesar de os quatro primeiros meses de 2014 terem sido cerca de 10% melhores que os do ano passado. “Acredito em um primeiro semestre mais forte porque, durante a Copa do Mundo, haverá menos dias úteis e este ano também há eleição, o que gera um cenário de indefinições”, diz Rezende.
No mix atual da Volvo, 65% das vendas são do utilitário esportivo XC60. O hatch V40 responde por 25% e a dupla S60/V60 (sedã e perua) pelos 10% restantes. A chegada este ano da versão Cross Country pode fazer a linha V40 subir dos atuais 25% para 27%. “Provavelmente avançaria sobre a participação do XC60”, estima o gerente de produto e preço, André Bassetto.
A Volvo inscreveu-se no Inovar-Auto como importadora e pode importar 2.675 carros livres dos 30 pontos porcentuais extras de IPI. Os carros trazidos hoje ao Brasil vêm da Bélgica.
MAIS POTÊNCIA E TORQUE COM ECONOMIA
Motor tem 245 cv, 5 cv a mais que a versão anterior. Torque também está mais alto e surge em rotações mais baixas. Segundo a Volvo, novo conjunto é facilmente combinável com tecnologias híbridas.
As mudanças no motor resultaram em 245 cv de potência (5 cv a mais), torque mais elevado e em rotações mais baixas. Ele passou de 32,6 para 35,7 kgf.m, agora não mais entre 1,8 mil e 5 mil rotações por minuto, mas de 1,5 mil a 4,8 mil rpm. Esse propulsor é fabricado pela Volvo na Suécia e pesa 22 quilos a menos que o antecessor.
Se considerada a troca do câmbio anterior (um automatizado de dupla embreagem e seis marchas) pelo atual, a redução de massa do conjunto foi de 23 kg. A fabricante criou um bloco de alumínio compacto para conseguir a redução de peso pretendida, com atenção especial à rigidez. Ele tem camisas de ferro fundido com revestimento especial para redução de atrito. Em outros mercados, também é utilizado em uma versão a diesel de 181 cv em outra a gasolina com turbo e compressor, capaz de gerar 306 cv. A produção em maior escala ajuda na redução de custos.
Este motor traz turbo integrado ao coletor de escape para baixar o peso e ajudar na dissipação de calor. Um catalisador compacto também colabora para a redução de peso sem restringir o fluxo de gases. Em alguns casos, ele chega a ser 27% mais econômico que a geração antiga.
Para diminuir o tamanho do motor foi preciso também reduzir as galerias de óleo, que resultaram na elaboração, pela Castrol, de um lubrificante 0W20. Automotive Business dirigiu cerca de 100 quilômetros por avenidas e rodovias do Rio de Janeiro um XC60 T5 com o novo motor. O carro tem conforto e estabilidade compatíveis com um utilitário esportivo.
O trajeto escolhido pela montadora, com velocidade muitas vezes limitada a 40 km/h, atrapalhou a avaliação do carro, mas foi possível sentir boas respostas ao pé direito, tanto com o câmbio em modo manual como automático. De acordo com a Volvo, a aceleração de zero a 100 km/h baixou de 8,1 segundos para 7,2 s na versão Drive-E. O consumo de gasolina em cidade subiu de 6,9 para 8 km/l e em estrada passou de 8,7 para 11,1 km/l.
Os bancos dianteiros têm ajustes elétricos. O do motorista traz memória. Eles são confortáveis e seguram bem o corpo em curvas. A posição de dirigir é prejudicada pelo volante, cujo ajuste de profundidade deveria permitir deslocá-lo ao menos três centímetros mais à frente. Fazem falta ainda no XC60 T5 Drive-E as aletas para trocas de marcha atrás do volante. E somente a opção R-Design vem com navegador GPS. O restante agrada, do couro dos bancos à eficiência do ar-condicionado.