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CO2

VW admite nova fraude: emissão de CO2 acima do divulgado

Na esteira do escândalo do “dieselgate”, envolvendo fraude nas emissões de poluentes de 11 milhões de carros a diesel de diversas de suas marcas, o Grupo Volkswagen encontrou um novo e grave problema durante o processo de investigação interna que busca descobrir os procedimentos irregulares que levaram a companhia à situação atual. Desta vez, a fabricante admitiu que cerca de 800 mil veículos vendidos desde 2012 têm níveis de emissão de CO2 e consumo de combustível de 10% a 15% mais altos do que os informados aos consumidores. A empresa informou em comunicado ao mercado na terça-feira, 3, que a nova fraude representa “risco financeiro” de € 2 bilhões – basicamente indenizações a clientes que compraram carros pela economia anunciada, ou multas cobradas por países onde automóveis com baixas emissões de CO2 têm descontos em impostos.
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Redação AB

03 nov 2015

3 minutos de leitura

Quase todos os modelos afetados pela nova descoberta de irregularidade usam motores diesel 1.4, 1.6 e 2.0 do grupo, que equipam VW Golf, Passat e Polo, Audi A1 e A3, Seat Ibiza e Skoda Octavia fabricados desde 2012. Também foi incluído na lista de emissões de CO2 e consumo acima do divulgado o motor a gasolina 1.4 ACT usado pelo Polo, que tem tecnologia de desligamento de cilindros para economizar combustível. O mercado europeu é o grande impactado pela notícia, pois é onde mais se vendem veículos diesel e as emissões de CO2 são largamente informadas aos consumidores.

“Na revisão em andamento de todos os processos e fluxos de trabalho em conexão com motores diesel ficou estabelecido que os níveis de emissão de CO2 e consumo de combustível de alguns modelos foram colocados muito para baixo durante o processo de certificação”, admite o comunicado oficial distribuído pela companhia na terça-feira. “O conselho de administração da Volkswagen AG iniciará imediatamente num diálogo com as agências de homologação sobre as consequências dessa descoberta. Isso deverá levar a uma avaliação confiável das consequências legais e econômicas dessa questão ainda não totalmente explicada”, acrescenta.

No mesmo comunicado, Matthias Müller, há quase um mês no posto de CEO do grupo, afirma que o novo problema faz parte da política de transparência que implantou assim que assumiu o comando. “Desde o início eu pressionei forte pelo implacável e amplo esclarecimento dos eventos. Não vamos parar por nada nem por ninguém. É um processo doloroso, mas nossa única alternativa. Para nós, a única coisa que conta é a verdade. Essa é a base do realinhamento fundamental que a Volkswagen precisa”, escreveu o executivo. “O conselho de administração lamenta profundamente essa situação e deseja sublinhar sua determinação para sistematicamente continuar no ritmo atual de esclarecimento e transparência”, acrescentou.

Um porta-voz do grupo disse às agências de notícias que não será necessário fazer um recall dos veículos afetados, pois não se trataria de um problema técnico. Segundo ele, a companhia ainda não decidiu se será necessário fazer uma provisão de recursos para pagar os estimados € 2 bilhões em reclamações de consumidores e países, pois avalia que é cedo para isso e que essa estimativa ainda é muito imprecisa.

O novo problema surge apenas um dia após a agência ambiental EPA alegar ter encontrado discrepâncias nas emissões de poluentes de motores diesel 3.0 V6 TDI do Grupo VW que equipam SUVs como Audi A6, Volkswagen Touareg e Porsche Cayenne (leia aqui). A fabricante, no entanto, negou ter instalado neste motor qualquer software para burlar os testes e insiste que o problema só ocorre com os propulsores EA 189 2.0 de quatro cilindros.