
O surgimento de novas cores baseia-se em tendências do mercado. “Para a VW do Brasil, o fundamental é que, além de tendência, a cor seja perene, agradável por muitos anos. Portanto, nem toda tendência de moda se aplica”, recorda o diretor de design, Luiz Alberto Veiga.
A supervisora de design e acabamentos da empresa, Marília Biill, conta que o verde é uma tendência de moda, porém com aceitação restrita no Brasil. O azul se mantém forte, em especial em tons mais escuros. “Em 2014, a marca apostou nos azuis, com destaque para o azul-acqua, exclusivo para o novo Fox, e o azul-cobalto, exclusivo para a SpaceFox”, afirma. Segundo Marília, o azul-night, ao lado do prata-lunar, é oferecido em quase toda a linha 2015”, disse.
A Volkswagen também busca manter espaço para as cores duradouras como amarelos, laranjas e vermelhos, geralmente oferecidos em versões mais esportivas. Para a nova Saveiro Cross e o Gol Rallye a VW lançou o laranja-canyon no lugar do laranja-atacama, que surgiu no CrossFox 2011. Para o novo CrossFox há o laranja-saara, com efeito metálico.
Vermelhos mais escuros agradam àqueles que gostam, mas nem tanto, de chamar atenção. Toda a linha 2015 conta com o vermelho-ópera, enquanto o vermelho-wine é exclusivo da nova Space Cross. Segundo os fabricantes de tintas, o vermelho e suas variações terão crescimento na América do Sul em 2015.
BRANCO MANTÉM ACEITAÇÃO
O branco-cristal tem presença forte nos carros VW e está entre os mais vendidos. Influenciado por automóveis importados de luxo, que valorizaram a cor nos últimos anos, o Brasil aderiu à moda e derrubou o estima de “cor de táxi”.
“Os tons de branco são muito democráticos e funcionam em praticamente todos os modelos da marca”, afirma Marília Biill. Pesquisas recentes das fabricantes de tintas Axalta e PPG apontaram branco e prata como as cores preferidas na América do Sul (veja aqui).
ENTENDA O PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS CORES
A equipe de design e acabamentos da VW do Brasil desenvolve as cores da carroceria e também das peças plásticas internas e externas do veículo. A adoção de novas tonalidades ocorre de forma multidisciplinar, com o envolvimento das áreas de design, marketing, engenharia, compras, finanças e laboratório de materiais, entre outras, e em conjunto com parceiros externos, como os fabricantes e fornecedores de tintas e pigmentos.
O processo de desenvolvimento de novas cores parte de uma pesquisa de tendências de moda, consumo, comportamento e mercado. Com esses dados, os designers criam um briefing que orienta os fornecedores quanto às necessidades da montadora para os novos produtos. Para chegar a essas ideias, a designer responsável por cores, Telma Blasquez, e mais dois coloristas fazem testes, estudos e misturas de cores na cabine de pintura criada para a área de design.
O próximo passo fica por conta dos fabricantes de tinta: apresentar propostas ao design, que seleciona as amostras e solicita ajustes e correções de tonalidade, brilho e pigmentação, a fim de chegar a uma cartela de cores novas.
Os departamentos de engenharia e laboratório de materiais também orientam os fornecedores quanto às exigências técnicas relacionadas a emissões, durabilidade e demais especificações de qualidade das tintas, peças e pigmentos. Com isso, algumas melhorias de desenvolvimento são necessárias para ajustar cada proposta de cor e assim novas amostras são submetidas a testes e avaliações até que se chegue à aparência e aos requisitos técnicos necessários.