
No topo do ranking, onde os três maiores fabricantes detêm 57% do mercado nacional, aconteceu a mudança mais significativa: a Volkswagen foi atingida em cheio pelo recuo das vendas e foi a montadora que mais perdeu terreno. Os emplacamentos mergulharam 15,3% nos primeiros quatro meses do ano em relação ao mesmo intervalo do ano passado, foi o maior tombo entre as grandes, e a marca cedeu 2,2 pontos porcentuais de participação, para 17,3%. A explicação para desempenho tão ruim está provavelmente na alteração de portfólio, com a saída de cena da Kombi e Gol G4, que juntos geram impacto negativo em torno de 25 mil unidades a menos, e a estreia um tanto atrasada do Up!, que era para ter sido lançado ainda no fim de 2013 mas só chegou em fevereiro – e com preços um tanto salgados nas versões mais completas.
Com isso, a Volkswagen deslizou do segundo para o terceiro lugar no ranking, perdendo a posição que ocupava para a General Motors. Mas a GM não tomou participação de ninguém, apenas manteve a sua fatia de 17,7%, porcentual praticamente idêntico ao do primeiro quadrimestre de 2013. Suas vendas recuaram 4,7% no período, quase em linha com a variação negativa média do mercado (4,5%). O portfólio inteiramente renovado desde o ano passado ajudou a marca Chevrolet a se manter sem grandes sobressaltos, com boa ajuda do Onix, hoje o carro mais vendido do País no varejo das concessionárias.
A Fiat também amargou queda de vendas maior que a média do mercado, com tombo de 5,4% no quadrimestre, mas apesar disso conseguiu manter quase inalterada sua participação, de 22,3% no período, em leve recuo de 0,2 ponto sobre o ano passado. Foi a única marca que conseguiu market share acima de 20%, o que garantiu uma liderança folgada, com mais de 48 mil unidades de dianteira sobre a segunda colocada.
Como nem Fiat e nem GM tomaram terreno, apenas mantiveram, isso significa que a Volkswagen perdeu participação para quem vem de baixo. E não foi para a Ford, que também apenas se segurou na quarta posição, com linha de produtos modernizada que levou a pequeno ganho de 0,27 ponto, para fatia de 9,2% do mercado, mas queda nas vendas de 1,6% em relação aos primeiros quatro meses de 2013 – ainda assim, menos do que o recuo médio.
GANHOS NA INTERMEDIÁRIA
Estão na ala intermediária da tabela do ranking, nas quinta, sexta e sétima posição, as marcas que mais ganharam mercado no início de 2014 em meio ao recuo geral das vendas – e foram as únicas três que tiveram desempenho positivo em relação ao ano passado até agora. Quem mais avançou foi a Renault, que recuperou sua quinta colocação com expansão de quase um ponto porcentual (0,94) em seu market share, para 6,72%. Os emplacamentos da francesa cresceram impressionantes 10,9% no quadrimestre, o que se explica pela base de comparação baixa – no começo de 2013 a montadora paralisou a produção para obras de ampliação na fábrica de São José dos Pinhais (PR), o que prejudicou o desempenho. A retomada veio com a renovação do Logan e boa aceitação do Sandero e Duster.
A segunda marca que mais conquistou terreno do primeiro terço do ano foi a Hyundai, que apesar de ter descido da quinta para a sexta posição do ranking, ganhou 0,83 ponto de participação, para 6,67%, ficando encostada na Renault. As vendas da coreana avançaram quase 9% no período, alavancadas principalmente pelo crescimento da produção da linha HB20 na fábrica de Piracicaba (SP), que passou a trabalhar em três turnos para atender à forte demanda pelos modelos de sua família brasileira de produtos.
Logo abaixo, em sétimo lugar, a Toyota se inclui entre as únicas três que conseguiram crescer este ano no ranking das 10 mais vendidas. As vendas avançaram 3,3% e seu market share subiu 0,38 ponto, para 5%. Apesar de o Etios não ter encontrado tão boa aceitação quanto outros carros da mesma categoria lançados nos últimos anos (caso do HB20), foi suficiente para incluir a montadora no rol dos hatches compactos que representam mais de 70% do mercado brasileiro. Também ajudou o recente lançamento do novo Corola.
Os números se tornam vermelhos outra vez na parte de baixo da tabela. A Honda, em fase de renovação de seu modelo compacto, o Fit, conseguiu se manter na oitava posição com as boas vendas do Civic. Os emplacamentos da marca decresceram quase 1%, bem menos do que a média do mercado, ficando com fatia de 3,8% do mercado no último quadrimestre, porcentual apenas 0,37 ponto menor do que o registrado no mesmo período de 2013.
Com menos de 2% do mercada cada uma, Citroën e Nissan trocaram suas posições no pé do ranking. A marca francesa subiu da décima para a nona posição, com queda de 7,7% nas vendas e participação estável, de 1,95% no quadrimestre. Já a Nissan caiu da nona para a décima com expressivo recuo de 20% nas vendas, mas permaneceu com seu market share quase estável, perdendo apenas 0,37 ponto, para 1,91%. Apesar desse recultado, as perspectivas para a japonesa são bem melhores, com a recente inauguração de sua fábrica em Resende (RJ) e o lançamento ainda este mês do New March nacional – por coincidência, fabricado bem ao lado de onde são feitos os Citroën brasileiros, na vizinha Porto Real (RJ).
