
As decisões foram anunciadas na terça-feira, 13, pelo recém-criado conselho de administração da divisão. “A marca Volkswagen está se reposicionando para o futuro. Estamos nos tornando mais eficientes, dando novo foco ao portfólio de produtos e abrindo espaço para novas tecnologias ao acelerar o programa de eficiência”, destacou o CEO Diess em nota. Há quase um ano, em novembro de 2014, o Grupo Volkswagen havia anunciado um programa de investimentos de € 85,6 bilhões para todas as divisões no período 2015-2019. Ao menos metade dos recursos seriam usados na modernização e expansão das linhas de produtos. Contudo, após o escândalo das emissões dos carros diesel que atinge 11 milhões de veículos das diversas marcas do grupo (5 milhões só da Volkswagen), todas as unidades da companhia terão de fazer cortes profundos em seus gastos.
Após a Volkswagen, é esperado o anúncio de redução de investimentos nas divisões Audi, Porsche, Seat e Skoda, que também estariam trabalhando em “programas de eficiência” parecidos. A Audi, marca que mais contribui com lucros para o grupo, já trabalhava em um plano para aumentar sua produtividade antes do escândalo. De acordo com fontes do setor citadas pela imprensa internacional, já no ano passado a empresa planejava cortar € 2 bilhões em custos anuais para compensar gastos com a adoção de novas tecnologias. É possível que as economias tenham de ser ainda maiores, já que a Audi admitiu que vendeu cerca de 2 milhões de veículos diesel equipados com o mesmo sistema que frauda os testes de emissões.
DIESEL SÓ COM SCR
Para começar, a Volkswagen promete corrigir seu principal problema: quer equipar os carros diesel vendidos na Europa e América do Norte com sistema de pós-tratamento catalítico dos gases de escape, o sistema SCR, com injeção de solução de ureia (conhecida como AdBlue na Europa e Arla 35 no Brasil) para reduzir as emissões de poluentes. “Os veículos diesel serão equipados apenas com sistemas de exaustão que usam a melhor tecnologia ambiental”, diz a nota da VW, sem deixar claro, no entanto, se essa é a solução encontrada para sanar os problemas de emissões de poluentes de veículos já vendidos, ou se somente novos modelos vão incorporar o SCR.
Os carros da marca que foram desmascarados em um teste independente de estrada nos Estados Unidos com emissões quase 40 vezes maiores do que as permitidas pela legislação usavam o sistema EGR, de recirculação dos gases de escape, que não atendiam os limites e utilizavam equipamento eletrônico que fraudava as medições em testes de laboratório.
APOSTA NA ELETRIFICAÇÃO
Em contraposição ao fiasco de imagem ambiental trazido pelos carros diesel, como forma de acenar com tecnologias mais limpas para o futuro, a Volkswagen anunciou a ampliação da eletrificação da plataforma multiveículo MQB, sobre a qual podem ser fabricados 43 modelos de automóveis do grupo. O objetivo é usar a MQB para oferecer mais opções de veículos híbridos plug-in, meio híbridos (mild hybrids) equipados com baterias de 48 volts (têm um pequeno propulsor elétrico para auxiliar nas arrancadas e podem rodar algum tempo em inércia, com o motor desligado), bem como automóveis de grande volume de produção 100% elétricos com autonomia para rodar até 300 quilômetros. A fabricante também fala em seguir investindo no desenvolvimento de motores a combustão mais eficientes a gasolina, diesel e gás natural.
A Volkswagen promete ainda a criação da plataforma elétrica MEB para uso em futuros carros compactos elétricos de diversas marcas do grupo. O desenvolvimento será feito sobre arquiteturas já existentes de veículos de passageiros e comerciais leves, com objetivo central de lançar modelos com autonomia elétrica de 250 a 500 quilômetros.
No Salão de Frankfurt, setembro passado, o Grupo VW anunciou que lançaria até o fim desta década 20 modelos elétricos e híbridos plug-in, incluindo o primeiro 100% elétrico da Porsche, baseado no conceito Mission E apresentado no evento, além de uma versão comercial do Audi e-tron Quattro.
Seguindo a linha de eletrificação, a Volkswagen informou também que o projeto do Phaeton será totalmente redefinido. A nova geração do sedã de grande porte topo de linha da marca, a ser lançada entre 2019 e 2020, terá propulsão 100% elétrica. A ideia é utilizar o modelo como exemplo de evolução tecnológica da Volkswagen, com motor elétrico de grande autonomia, além de sistemas avançados de conectividade e assistência ao motorista, com funções como frenagem automática e direção parcialmente autônoma.
“Reconhecemos que somente poderemos implementar essas inovações para o futuro da Volkswagen se fomos bem-sucedidos com nosso programa de eficiência e em dar novo foco ao portfólio de produtos”, afirmou Diess. “Junto com meus colegas do conselho de administração e todo o time estamos trabalhando em velocidade máxima nessas questões. A equipe da Volkswagen sempre provou que permanece unida e totalmente focada em construir o futuro, particularmente em tempos difíceis”, completou.