
Na primeira semana de agosto as revendas Volkswagen começam a receber os novos Gol e Voyage reestilizados por brasileiros nos estúdios de design daqui e da Alemanha. A geração que chega agora ao mercado já estava planejada havia cerca de dois anos e se integra à identidade visual da VW pelo desenho dianteiro e pelas novas lanternas traseiras. Quando acesas à noite, permitem perceber de longe que se trata de carros Volkswagen.
O Gol 1.0 parte agora de R$ 27.990, alta de R$ 86. O Voyage 1.0 tem tabela inicial de R$ 29.990, acréscimo de R$ 77. Vale dizer que ambos os carros estão mais equipados desde as versões de entrada, independentemente da motorização. Os vidros dianteiros e as travas das portas têm acionamento elétrico de série. A abertura do porta-malas também tem abertura elétrica nos dois modelos.
Todas as versões do Gol passam a vir também com limpador e lavador do vidro traseiro. Conta-giros, console central estendido e cintos traseiros laterais retráteis são outros itens que deixam as versões básicas mais civilizadas.

Mudanças de estilo estão também na traseira dos dois modelos. Lanternas do Voyage agora ocupam parte da tampa do porta-malas.
Com motorização 1.6 o Gol parte agora de R$ 31.890 e o Voyage, de R$ 34.590. Thomas Schmall, presidente da VW no Brasil, não quis revelar o montante investido na renovação das linhas, mas sua expressão denota que ele sabe onde cada centavo foi gasto. Boa parte desse investimento teve como destino o novo motor de um litro, que agora se chama 1.0 TEC. Recebeu várias modificações que o tornaram até 4% mais econômico e com partidas a frio mais rápidas (veja
aqui as mudanças aplicadas nos propulsores). A economia de combustível pode atingir 8% com o pacote BlueMotion Technology, que inclui pneus com menor resistência à rolagem.
“A intenção é vender em média 16 mil unidades por mês do Gol e 7 mil/mês do Voyage”, afirma o gerente de marketing da montadora, Henrique Sampaio. Esse volume pode ser maior nos primeiros meses, algo natural para os lançamentos. Tanto Sampaio como Schmall negam mudanças de estratégia para o Gol Geração 4, cujas vendas correspondem a 25% do total da linha Gol.
Munido de dados do mercado nacional, Henrique Sampaio afirma que o segmento de hatches compactos em que o Gol se encontra representava 65% das vendas em 2002 e caiu para 56% em 2011. Contudo, o volume de tais modelos nesse mesmo período subiu de 796 mil para 1,48 milhão de unidades. “Este ainda é o segmento mais importante do mercado”, diz o gerente de marketing. Segundo a VW, de 2002 para cá os concorrentes do Gol saltaram de 11 para 21, isso sem mencionar os que estão chegando, como o piracicabano Hyundai HB e o sorocabano Toyota Etios.
Sobre a liderança nas vendas, os discursos de Sampaio e Schmall também estão alinhados. “Ela é consequência de um bom produto.” Para falar sobre a vida difícil do Voyage num mercado cada vez mais competitivo, o gerente de marketing mais uma vez utiliza números: “Em 2010 eram dez concorrentes. Neste ano são 15.
Ao contrário do que ocorre com os hatches compactos, os sedãs pequenos vêm ganhando participação. Em 2008 respondiam por 17% de todo o mercado e agora são 19%. Nesse período o volume total desse setor saltou de 392 mil para 494 mil unidades. Sampaio considera o Chevrolet Cobalt e os Fiat Siena e Grand Siena concorrentes importantes. Sobre esse assunto, a vice-presidente de vendas e marketing, Jutta Dierks, admitiu em tom de brincadeira: “Seria ótimo se pudéssemos ter aumentado a distância entre eixos do Voyage nessa mudança!”
Toda a arquitetura eletrônica dos carros mudou e permitiu interatividade maior entre os sistemas e a simplificação do chicote elétrico. Os freios estão melhores. Receberam novo servofreio de dez polegadas, que reduz o esforço no pedal, e sistema ABS (opcional) mais eficiente.
Outra alteração significativa: Gol e Voyage tornaram-se os primeiros automóveis no Brasil a utilizar tecidos para forração de bancos e laterais de portas feitos a partir de garrafas PET recicladas. O toque é frio, típico de materiais sintéticos, mas transmite mais resistência do que simplicidade ou despojamento.

Versão Comfortline do Voyage tem acabamento interno bem cuidado. Item opcional no porta-malas organiza o espaço e impede que objetos menores rolem de um lado para o outro (fotos: divulgação).
São 12 padronagens ao todo, desenvolvidas durante dois anos em parceria com fornecedores locais da montadora. Mas tem um detalhe que atrapalha demais o brilho desse pioneirismo: a matéria-prima tem de ser importada porque o Brasil ainda não tem fornecedores de plástico reciclado que atendam aos requisitos necessários para a produção desses tecidos.
BOAS IMPRESSÕES
Automotive Business avaliou duas das novidades, uma versão do Gol e outra do Voyage. O hatch equipado com o novo motor 1.0 convence. Tem desempenho aceitável naquelas situações em que a maioria dos carros com motor de um litro se mostra anêmica, como subidas longas e uso geral com o ar-condicionado ligado. Segundo a montadora, quando abastecido com etanol o Gol 1.0 acelera de 0 a 100 em 12,9 segundos, atinge 165 km/h e faz 7,7 km/l na cidade e 9,6 km/l em estrada. Quando equipado com o pacote BlueMotion Technology, esses números sobem, respectivamente, para 8 km/l e 10,1 km/l.
O outro carro avaliado foi um Voyage 1.6 com conveniente câmbio automatizado i-Motion, opcional. Em meia hora de uso, um motorista habituado com carros manuais aprende a lidar com a novidade e a tirar proveito do conforto que ela traz. Essa transmissão ainda titubeia em alguns momentos, com mudanças às vezes vagarosas, mas vale os R$ 2,6 mil que a VW cobra por ela.
Segundo a Volkswagen, quando abastecido com álcool o Voyage 1.6 i-Motion acelera de 0 a 100 km/h em 10,5 segundos e vai a 191 km/h. Também com etanol, o sedã 1.6 percorre 7,3 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada. O Voyage tem um bom porta-malas, que acomoda 480 litros. Nessa nova geração a VW criou para ele um opcional capaz de organizar e esconder objetos menores no fundo do compartimento. Há também ganchos para pendurar sacolas a fim de evitar que as compras fiquem rolando de uma lado para outro.
Tanto Gol como Voyage têm um ano de garantia para todo o carro, três anos para motor e transmissão e cinco anos contra perfuração de chapa.