
O segredo para manter o vigor está em combinar a nova tecnologia das linhas de montagem, que leva 60% de automação à área de armação, com um conceito só aparentemente simples de ser colocado em prática: a valorização do operário.
Marco Antonio Teixeira, diretor da fábrica, conta que a montadora busca a melhor condição de trabalho possível para seu pessoal e deixa um canal aberto para os funcionários se comunicarem com a direção e darem sugestões de melhorias na linha de produção. O retorno vem em ganho de produtividade, melhoria da qualidade, segurança e redução do absenteísmo.
A estratégia de valorizar os profissionais atende ao conceito mundial da marca mas vem ganhando força no Brasil há 15 anos, enquanto cresceu a pressão dos sindicatos do setor. A companhia organizou o ‘Profiraum’ na fábrica, um local onde treina os funcionários para a montagem quando há lançamentos ou dificuldade em alguma parte do processo. “O menor investimento com o maior impacto está no treinamento”, aponta Teixeira.
É nessa hora que a opinião dos funcionários conta muito. “Os engenheiros de operação projetam toda a montagem, mas são os operários que fazem o trabalho”, avalia o executivo. É com a ajuda deles que a montadora consegue melhoras, ganhos de produtividade e até adequações para que a função seja feita em uma posição mais ergonômica e confortável.
Em uma destas situações, um funcionário alertou que havia um problema na montagem da porta de um modelo. Uma peça à qual os operários não tinham acesso acabava não sendo bem fixada e poderia causar ruídos quando o veículo fosse para a rua. Junto com o operador, a Volks alterou o processo e ganhou mais qualidade para o produto final.
Mudança
A cultura de estreitar a comunicação entre as linhas de montagem e os responsáveis pelo projeto ainda não está totalmente enraizada nos funcionários. As áreas de armação e pintura apresentam a maior participação, enquanto alguns setores ainda trabalham para estimular o pessoal. Apesar disso, Teixeira afirma já ter verificado bons resultados: “Nossa pesquisa anual mostrou que os funcionários estão mais estimulados, além do índice de absenteísmo ter caído”.
Teixeira considera que o avanço na automação da fábrica não é motivo de preocupação para os operários, já que a intenção não é reduzir o número de empregos. “Antes havia funcionários que caminhavam até 28 quilômetros todos os dias dentro da fábrica para desempenhar suas tarefas. É esse tipo de desperdício que cortamos”, explica.
Foto: executivos em visita à fábrica da Volkswagen da Anchieta.
