
O recado vem de Garcia Sanz, membro do conselho de administração do Grupo, responsável pela área de compras e pela região da América do Sul. Junto com Thomas Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil, e Alexander Seitz, diretor de compras para a América do Sul, ele participou de uma entrevista com jornalistas nesta quinta-feira à noite, em São Paulo, pouco antes da reunião anual com os fornecedores de componentes e serviços, quando há um reconhecimento dos parceiros com melhor desempenho.
Seitz explicou que há 500 fornecedores na região, dos quais um terço representa empresas locais. Nesse grupo estaria a fonte dos problemas da Volkswagen no supply chain, diante da falta de compromisso de longo prazo e carência nos investimentos em aumento de capacidade, novas tecnologias de produção, controle de qualidade e novas ferramentas de trabalho.
A atuação de uma parcela desses fornecedores traria dificuldades na obtenção de melhores resultados na cadeia de produção. Ao lado de pressões constantes para reajustes de preços, haveria deficiência do ponto de vista de qualidade, das entregas e desejo de ‘vestir a camisa’ como estariam acostumados a fazer os fornecedores da Volkswagen que atendem a companhia na Europa.
“Junto com os aumentos constantes do aço e elevação dos custos trabalhistas temos encontrado dificuldade para conquistar um nível maior de cooperação para elevar a produtividade ao longo da cadeia e evitar repasse de preços ao mercado” – advertiu Sanz para justificar a busca de novas parcerias no exterior.
Sanz, que esteve visitando as fábricas brasileiras para observar processos e analisar o grau de competitividade da operação, disse que o Brasil enfrenta os preços mais altos do mundo para matérias-primas, apesar dos altos volumes adquiridos e da composição de encomendas com os fornecedores. O aço asiático chega aqui muito mais barato que o oferecido pelas siderúrgicas locais – a diferença estaria acima de 15%, computados todos os custos logísticos.
A Volkswagen importa pelo menos 10% do aço que utiliza na produção de seus automóveis, mas tem planos de chegar a até 30% e já admitiu que pretende elevar a participação de compostos plásticos e outros materiais nos projetos. Seitz, por sua vez, diz que “chega a ser uma estupidez a necessidade de comprar aço no exterior”, referindo-se à disponibilidade local do produto e às dificuldades logísticas de gerenciar o suprimento externo.
Os três executivos da Volkswagen ressaltaram a necessidade de encontrar fórmulas para enfrentar os veículos asiáticos que chegam ao Brasil com preços extremamente competitivos, como os coreanos. “O aumento nas matérias-primas, custos trabalhistas e retrabalho causado por baixa qualidade em suprimentos podem agravar em 500 a 3.000 reais o custo por veículo” – advertiu Schmall.
Para ele, além de perder competitividade nas vendas locais a empresa terá enorme dificuldade em retomar as exportações. Ele destaca, no entanto, que a produção e as vendas da marca estão dentro do planejado. “Não seria razoável esperar muito de junho, mês da Copa do Mundo” – acrescentou.
Schmall disse ainda não saber notícias de esforços no setor para a redução definitiva do IPI para veículos flex, como foi noticiado.
Fonte: Paulo Ricardo Braga, Automotive Business.
Foto de Luis Prado da coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 17, no Hotel Hyatt, em São Paulo. Da esquerda para a direita: Sr. Alexander Seitz, Vice-Presidente de Compras da Volkswagen na América do Sul, Sr. Garcia Sanz, Membro do Conselho de Administração do Grupo Volkswagen, responsável pela área de Compras e pela região da América o Sul e Thomas Schmall, Presidente da Volkswagen do Brasil.