
“Nossa mensagem aos concessionários tem sido para preservar as finanças, cortar custos e desperdícios, porque essa crise ainda demora a passar, só no segundo semestre de 2016 devemos voltar a respirar”, avalia Ivan Segal, que há um ano é diretor de vendas da empresa no País, após bem-sucedida experiência no comando da Citroën no Brasil e América Latina de 2010 a 2013. Para o executivo, “2015 ainda não chegou ao fundo do poço”.
Segal trabalha com a possibilidade de tombos ainda mais aprofundados do mercado. Para preservar a rede, ainda a maior do País com 640 lojas, o diretor conta que vem acompanhando de perto a situação dos concessionários, inclusive com a decisão de fechar alguns pontos que perderam rentabilidade e viabilidade com a retração severa das vendas. “Felizmente temos muito menos grupos do que concessionárias. Assim o que estamos fazendo é negociar a redução do número de lojas de alguns distribuidores”, informa o argentino Jorge Portugal, que em junho assumiu a vice-presidência de vendas e marketing da Volkswagen do Brasil.
Segal revela que mesmo as vendas diretas a frotistas, que normalmente costumam compensar períodos de baixa nas concessionárias, também entraram em declínio. “Faz dois meses que as vendas corporativas acompanham o varejo. Isso aponta para queda ainda pior do mercado”, diz. Ele afirma também que os negócios com frotas chegaram a um certo limite de rentabilidade: “Além de certo ponto (leia-se descontos nos preços) não podemos mais ir.”
Boa parte das perdas da Volkswagen este ano está ligada à derrocada do desempenho do Gol, que perdeu a liderança de mercado mantida por de mais de 20 anos e este ano caiu para a sexta posição entre os veículos leves mais vendidos do País no primeiro semestre. Isso porque no fim de 2014 as vendas do modelo a frotistas chegaram a representar 60% das vendas.
A briga entre participação de mercado e rentabilidade tem sido uma constante entre as maiores fabricantes de veículos instaladas no País. “Para quem tem uma estrutura grande como a Volkswagen, é preciso ter escala de produção alta, pois sem isso a rentabilidade também não acontece”, diz Jorge Portugal.