
Desempenho superior é a principal diferença que o Up! TSI pode oferecer para convencer novos clientes a pagar mais pelo modelo. De resto o carro mantém as mesmas qualidades das versões equipadas com motor aspirado, incluindo a boa eficiência energética que garantiu nota A na avaliação do Inmetro – no TSI foi medido consumo energético de 1,44 megajoules por quilômetro, o melhor nível registrado até agora no País, equivalente ao consumo combinado estrada/cidade de 10,2 km/l com etanol e 14,8 km/l com gasolina E22. Por fora o carro cresceu imperceptíveis 40 mm para abrigar o motor ligeiramente maior com o turbocompressor e radiador do intercooler. As únicas diferenças visuais são a sigla TSI e a tampa traseira na cor preta.
O motor turbinado estará disponível para todas as versões do Move Up! para cima, que já tem pacote de equipamentos bastante completo, incluindo ar-condicionado, direção elétrica e acionamentos elétrico de vidros, travas e retrovisores. As opções topo de linha Red, White e Black passam a ser vendidas somente com turbo, não usarão mais o aspirado MPI.
Um pouco mais diferente, cara e completa (o único opcional é a central multimídia com navegador, por R$ 1,4 mil) será a série especial topo de linha Speed Up!, feita especialmente para abrigar o motor turbo sob o capô com mais propaganda externa. A versão é oferecida somente na cor branca, com teto preto e faixas azuis nas laterais e nos retrovisores – a cor é para lembrar o conceito de eficiência Think Blue da Volkswagen. Também tem rodas de liga leve exclusivas, interior revestido em preto e bancos de vinil. O Up! TSI chega às concessionárias a partir da segunda quinzena de agosto.

A série especial Speed Up! foi criada especialmente para ser a versão topo de linha do compacto turbinado da Volkswagen: por quase R$ 50 mil, tem pacote completo de equipamentos, pintura branca com teto preto e duas faixas laterais azuis, retrovisores também pintados em azul, rodas de liga leve com desenho exclusivo para o modelo e o interior é todo revestido em preto
Veja os preços das versões TSI do Up!:
• Move Up! TSI: R$ 43.490
• Cross Up! TSI: R$ 47.030
• High Up! TSI: R$ 48.040
• B/R/W Up! TSI: R$ 48.690
• Speed Up! TSI: R$ 49.990
Além do mercado brasileiro, o Up! TSI também será vendido na Argentina e Uruguai, para onde as outras versões já são exportadas, e até o fim do ano o México e outros países sul-americanos passam a ser novos destinos para o compacto.
NOVA INVESTIDA
Lançado no mercado brasileiro em março de 2014, o Up! tem preços altos em relação ao que oferece e à concorrência. Com isso, até agora o desempenho comercial do compacto está abaixo do que a Volkswagen esperava. Foram pouco menos de 60 mil unidades emplacadas no ano passado e o modelo foi apenas o 16º veículo leve mais vendido do País. No primeiro semestre deste ano foram 27,8 mil emplacamentos, apontando para resultado pior. A fabricante, no entanto, destaca que atualmente a participação de mercado do Up!, de 2,9% das vendas totais de automóveis, está melhor do que os 2,4% registrados em 2014.
“Esperávamos market share acima de 3%, mas avaliamos que ainda falta maior entendimento (do consumidor brasileiro) sobre o Up!, principalmente em algumas cidades. Em São Paulo, por exemplo, o carro tem 5% de share e em outras regiões apenas 2%. Acreditamos que a tecnologia TSI deve trazer mais clientes, mas também temos de reforçar os valores da marca”, avalia o argentino Jorge Portugal, o novo vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen do Brasil, que assumiu o posto em junho passado. Ação nesse sentido foi tomada já este mês com o lançamento da campanha publicitária “Volkswagen Vale”, que foca nos principais valores da marca, como maior rede, confiabilidade, custo de manutenção, garantia e segurança, trazendo à frente justamente o Up!.
A versão turbo tem papel importante nessa estratégia, para tentar “despopularizar” a imagem do modelo e agregar mais valor. Em nenhuma peça publicitária será dito que o Up! TSI tem motor de 1 litro. “Seis meses após o lançamento do Up! fizemos uma pesquisa com aqueles que não compraram o carro. Um dos argumentos foi de que ele só tinha motor 1.0, que ainda passa a ideia de algo fraco, sem potência”, revela Ivan Segal, diretor de vendas que chegou à Volkswagen do Brasil há cerca de um ano, mas entende bem o mercado brasileiro – ele já foi diretor geral da Citroën no País entre 2010 e 2013.
“CHOCOLATE QUE EMAGRECE”
Na definição de Portugal, a Volkswagen quer vender o Up! TSI “como um chocolate que emagrece”. A mistura de potência com a eficiência trazida pelo turbocompressor torna possível a figura de linguagem. “Conseguimos juntar o melhor de dois mundos”, afirma o executivo. Com isso, ele estima que o mix de vendas do modelo também deve se deslocar para cima. Hoje 60% dos emplacamentos estão concentrados na versão de entrada Take Up!, que não terá a opção turbo. A chegada do TSI, portanto, tem potencial para aumentar a demanda a partir do intermediário Move Up!.
“É como ter dois motores em um. Carros com grande autonomia normalmente têm baixo torque. Com o TSI você tem as duas coisas. Quando roda na cidade tem o consumo reduzido de um motor pequeno, mas que responde muito bem ao acelerador quando precisar. Isso torna coisa do passado avaliar um veículo pela cilindrada”, afirma Markus Kleimann, o novo vice-presidente de desenvolvimento da Volkswagen do Brasil. “O TSI prova que performance e eficiência em um mesmo motor não é mais uma contradição.
O Up! TSI é o primeiro carro nacional com motor turbo e injeção direta fabricado no Brasil, fruto de parte do investimento de R$ 460 milhões feito na fábrica de motores de São Carlos (SP) até 2018. A Volkswagen é a primeira cliente da turbina para veículos leves que a Borg Warner começou recentemente a produzir em Itatiba (SP). O motor três-cilindros com bloco e cabeçote de alumínio é também o primeiro turbo de 1 litro usado pela Volkswagen em todo o mundo – na Europa o Up! usará a versão 1.2 do TSI. O propulsor foi desenvolvido pela engenharia brasileira da empresa com tecnologia flex, que permite rodar com etanol ou gasolina.
“Este motor redefine o conceito de 1.0 no País”, afirma David Powels, que assumiu este ano a presidência da Volkswagen do Brasil. Mais do que isso, o propulsor inaugura no País uma tendência que vem ganhando espaço em mercados mais maduros nesta década. A solução deverá ser adotada em breve em mais modelos fabricados aqui. A própria Volkswagen já começou a produzir na fábrica de São Carlos (SP) mais um motor turbo, o 1.4 que será usado pelo Golf e Audi A3 Sedan que entram em produção nos próximos meses.