
“Somos uma operação forte no Brasil que pertence a um grande grupo internacional, hoje um pouco diferente do que éramos como MAN Latin America. Agora nos apresentamos como Volkswagen Caminhões e Ônibus com ambições internacionais bem maiores”, explicou Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, nome oficial da empresa desde 2009, quando a VWCO foi comprada pela empresa alemã que, por sua vez, teve o controle acionário adquirido pelo Grupo VW em 2011. Cortes apresentou o plano de internacionalização da empresa durante o IAA, o maior e mais importante salão de veículos comerciais do mundo que acontece a cada dois anos em Hannover, na Alemanha – desta vez de 22 a 29 de setembro –, e desde 2002 tem participação da VWCO com exposição de alguns veículos.
“Costumo dizer que só a metade do mundo, o Hemisfério Sul, já está de bom tamanho para nós”, afirmou o executivo para resumir a parte do mundo que cabe à VWCO explorar com maior apetite daqui para frente. O principal objetivo é elevar a proporção das exportações dos atuais 15% da produção para 30% a 35%. “Já somos líderes em vendas no Brasil e não há motivos para não sermos também no resto da América Latina. Também vamos expandir as operações para outras regiões, especialmente África e Oriente Médio. Temos produtos apropriados para esses mercados”, diz Cortes.
Este ano a VWCO mostrou alguns desses produtos no IAA. A marca trouxe um ônibus e dois caminhões com propostas alternativas de redução de emissões. O Volksbus 18.280 urbano de piso baixo trazido a Hannover é movido a biodiesel de cana e encaroçado pela também brasileira Marcopolo. O cavalo mecânico Constellation 25.420 Prime tem cabine leito fabricada com 18% de materiais recicláveis e redução de massa, que redeu capacidade de carga uma tonelada maior em comparação com modelos do mesmo porte. Já o Constellation 24.280 chassi-cabine usa gás natural (GNV) para reduzir em 20% as emissões de CO2. “Enquanto muito se fala em eletrificação dos veículos comerciais neste IAA, trouxemos alternativas mais viáveis para os mercados em que atuamos para reduzir emissões”, destaca Cortes.
POTENCIAL
A VWCO já exportou 100 mil veículos em sua história. “Temos uma meta de crescimento forte agora, mas já alcançamos isso antes. As exportações já chegaram a 28% da nossa produção, com pico de 14 mil unidades em um ano na década passada, e potencial para chegar a 17 mil se houvesse capacidade na época”, lembra Marcos Forgioni, diretor de vendas internacionais da MAN Latin America. Nesta década, o máximo exportado foi de 9,5 mil em 2011. Em 2015 o volume caiu para apenas 6 mil, número que deve ser repetido este ano. “É perfeitamente possível retomar os negócios e abrir novos mercados. A recuperação nas exportações brasileiras tem potencial para, pelo menos, crescer 5%. E dependendo da mudança atual em economias vizinhas, não seria exagero pensarmos em crescimento de até dois dígitos porcentuais ao ano”, avalia Cortes.
O executivo garante que agora, como parte do grupo Volkswagen Truck & Bus, existe uma mudança de foco com o objetivo de internacionalizar as operações da VWCO. “Não faz sentido depender de um país só. Temos mais possibilidades dentro de um grupo maior, com vocação para mudar o modelo e não colocar todas as laranjas em uma só cesta”, diz. No momento, a prioridade é abrir novos mercados para compensar as quedas de vendas no Brasil e na África do Sul.
Cortes aposta na eficiência do consórcio modular de produção da fábrica de Resende (RJ), que completa 20 anos em novembro, para vender produtos competitivos no exterior. A planta brasileira opera com sete fornecedores atuando diretamente dentro da linha de produção. “Dessa forma conseguimos reduzir os custos no Brasil”, afirma.
Para viabilizar os planos internacionais, a VWCO já tem 340 concessionários no mundo, 156 no Brasil e 186 espalhadas por países da América Latina e África. Também tem linhas de montagem já instaladas no México e na África do Sul. Com 25 pontos de venda, a operação mexicana já cresceu 20% este ano e deve montar mil unidades em 2016, com perspectiva de alcançar 5 mil em três a cinco anos. Cortes revela que vai direcionar pequena parte dos recursos que restaram do atual programa de investimento da companhia, de R$ 1 bilhão no período 2012-2017, para abrir novas unidades no exterior. Ainda este ano começam a operar na África duas novas pequenas plantas para montar kits semidesmontados (SKD) de caminhões Volkswagen enviados de Resende, uma na Nigéria e outra no Quênia. “Ainda não estamos em boa parte dos mercados africanos e temos condições de avançar lá”, comenta Cortes.
SINERGIA INTERNACIONAL
Cortes também destacou a maior sinergia internacional com as demais empresas da Volkswagen Truck & Bus e a importância que a VWCO ganhou dentro do grupo com a formação da holding: “Agora fazemos parte do conselho da companhia, temos um assento e voz. Mostramos nossos veículos no IAA desde 2002, esta já é a oitava vez, mas é a primeira como protagonista, nossa marca (VWCO) está escrita em português no grupo”, disse o executivo durante o evento de apresentação global da divisão de veículos comerciais do Grupo VW, que também teve a presença de um caminhão Volkswagen Constellation 25.420 Prime, modelo que celebra os 10 anos de criação da linha Constellation.
“Já foram produzidos 130 mil caminhões Constellation no Brasil, é uma história de grande sucesso, graças ao bom trabalho da equipe no Brasil, onde está a nossa base especialista em mercados emergentes, com produtos eficientes e robustos, que serão lançados em mais países fora da América Latina”, confirmou Andreas Renchler, CEO da Volkswagen Truck & Bus, na abertura do evento. “Estou seguro que a expansão internacional (da marca VWCO) será um sucesso”, completou.
“Com a formação da holding ganhamos acesso ao que não tínhamos quando éramos uma ilha isolada, com 500 engenheiros. Agora temos 8 mil na companhia com acesso a muito mais tecnologia”, acrescenta Cortes.
