
Ao comemorar seu aniversário de 40 anos, a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) está a caminho de mais uma vez liderar o mercado brasileiro de caminhões em 2021, com cerca de 40 mil unidades vendidas e 30% de participação nas vendas este ano. Mas assim como o resto da indústria, deve terminar dezembro ainda devendo aos clientes veículos que não puderam ser produzidos por falta de componentes.
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Por isso a ordem é acelerar a produção na fábrica de Resende (RJ), que trabalha em dois turnos cheios e horas extras com 5 mil empregados, contingente 25% maior do que antes da pandemia em 2020, desde quando já foram feitas mil contratações pela montadora e as oito empresas fornecedoras parceiras que atuam diretamente nos processos de manufatura do consórcio modular, que também comemora em 2021 seu aniversário de 25 anos.Segundo a VWCO, a expansão do quadro e da produção também faz parte do programa de investimentos anunciado há um ano, de R$ 2 bilhões entre 2021 e 2025.
“Mesmo com as dificuldades de toda ordem, não paramos a fábrica nenhum dia por falta de peças e seguimos contratando para atender os pedidos dos nossos clientes. Mas isso não quer dizer que produzimos normalmente. Perdemos algumas unidades [com reduções do ritmo de produção], mas conseguimos recuperar boa parte com horas extras, graças à flexibilidade do consórcio modular da fábrica de Resende”, explica Roberto Cortes, presidente da VWCO.
Para atender os pedidos em carteira, Cortes diz que “o ideal seria continuar trabalhando todos os dias até o fim do ano”, sem férias coletivas, mas serão concedidos 10 dias de folga aos funcionários da produção entre o fim de dezembro e começo de janeiro. “Precisávamos produzir mais, mas a parada técnica é necessária para aliviar um pouco os colaboradores que vêm fazendo muitas horas extras. Mas também vamos aproveitar a paralisação para fazer ajustes necessários na fábrica”, afirma o executivo.
Cortes conta que, em princípio, os dois turnos foram adotados em Resende para produzir o mesmo que em um só período, porque foi necessário reduzir o ritmo e adotar distanciamento maior entre as pessoas para seguir os protocolos de segurança sanitária e evitar a propagação da Covid-19 no ambiente de trabalho. Mas com o avanço da vacinação, que já atinge 95% dos funcionários, foi possível aumentar a cadência produtiva para acompanhar o aquecimento do mercado. “Precisamos contratar para garantir a produção necessária”, justifica.
Aposta em expansão em 2022
“As projeções para 2022 são as mais desafiadoras que já fiz, mas, pesando os fatores negativos e positivos, a única certeza que tenho é que vamos crescer”, aposta Cortes. Ele avalia que há volume maior de aspectos favoráveis ao crescimento do que motivos que podem levar à retração das vendas de veículos pesados no País.]
Pelo lado positivo para 2022, o presidente da VWCO elenca a provável reversão da pandemia de coronavírus com o avanço rápido da vacinação, o crescimento econômico “mesmo que seja pequeno”, o avanço de setores que compram muitos caminhões – ele cita agronegócio, construção civil e entregas urbanas –, o boom das exportações motivado pelo câmbio favorável, aquecimento do consumo como efeito dos pagamentos do Auxílio Brasil durante o ano todo, compras de ônibus pelo programa Caminho da Escola, expansão de novas formas de vendas como leasing e aluguel, necessidade de renovação da frota para obter economia de combustível e algum volume de compras antecipadas para fugir dos preços maiores a partir de janeiro de 2023, quando veículos pesados a diesel terão de adotar motores Euro 6 com novas tecnologias para atender à legislação de emissões Proconve P8.
“Claro que também há preocupações”, ele diz, apontando para a escalada crescente de inflação e juros, que elevam os preços dos veículos, a continuação dos problemas de fornecimento de semicondutores que limita a produção, o cenário político instável trazido pelas eleições de 2022, instabilidades externas (como ocorreu com a quebra da chinesa Evergrande) e até mesmo um possível repique da Covid-19. “Colocando tudo na mesa, acredito que há mais fatores positivos do que os negativos”, afirma Cortes.
Crescimento com rentabilidade

Apesar de bem-vindos, Cortes garante que os ganhos de participação de mercado da VWCO este ano estão em segundo plano na ordem de importância dos fatores de desempenho da empresa. “Aumento de market share não é nossa prioridade. Precisamos ser rentáveis para garantir nossos investimentos com recursos próprios”, endossa. “Nosso foco agora é recuperar as perdas causadas pela pandemia em 2020 e voltar ao ritmo de crescimento sustentado”, completa.
Para o presidente da VWCO, o avanço de mercado é resultado da renovação dos produtos da empresa, incluindo o lançamento ainda em 2017 da segunda geração de caminhões leves e médios Delivery, além da entrada no competitivo segmento de modelos extrapesados com a família Meteor, lançada no ano passado. “Temos uma linha completa e bastante competitiva para todas as aplicações de caminhões e ônibus, por isso estamos ganhando terreno”, justifica o executivo.
Internacionalização segue curso para a Ásia
Também segue em aceleração o processo de internacionalização da VWCO, que já exportou seus produtos para mais de 30 países e tem linhas de montagem no México e África do Sul. A empresa segue prospectando novos mercados e vai estrear na Ásia.
A VWCO vai desembarcar pela primeira vez em sua história em um mercado asiático nas Filipinas, onde firmou parceria com o importador local MACC para vender caminhões exportados a partir da fábrica do Brasil e ônibus que serão montados localmente pelo parceiro.
Ao todo, serão ofertados 10 modelos Volkswagen no mercado filipino, das famílias Delivery e Constellation, além dos chassis Volksbus, todos com configurações específicas para o país desenvolvidas pela engenharia da VWCO. Os primeiros 40 veíoculos já estão vendidos e contarão com oito pontos de atendimento nas Filipinas.