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Fenatran 2024

VWCO apresenta caminhão híbrido que será produzido em Resende

A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) decidiu seguir na Fenatran 2024 uma tradição que diz ter criado em 2017: a de testar no evento tecnologias inéditas no mercado que, mais tarde, devem ser produzidas na fábrica de Resende (RJ).
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Giovanna Riato

05 nov 2024

3 minutos de leitura

Foi assim quando a empresa mostrou o primeiro caminhão elétrico do Brasil, o e-Delivery. A novidade agora é o primeiro modelo híbrido do mercado, uma versão do extrapesado Meteor.

“É a solução ideal para redução das emissões de CO2 em um país que não tem infraestrutura de recarga pública. O modelo traz diminuição da ordem de 20% no consumo de combustível”, diz Roberto Cortes, presidente e CEO da companhia. A ideia é testar no evento a aceitação dos clientes e, se tudo der certo, avançar para a fabricação local do veículo.


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Segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-venda da companhia, esse é um processo que normalmente demora até cinco anos, considerando todos os testes e homologações. O plano, no entanto, é encurtar o prazo, já que o eixo elétrico, fabricando pela Suspensys, já está completamente validado.

Alouche é otimista sobre a aceitação dos clientes pelas vantagens que o modelo oferece sem tanto ônus no preço. “Em média, será um caminhão cerca de R$ 350 mil mais caro do que o modelo puramente a diesel”, conta. Pelas contas dele, esse valor mais elevado se paga em três anos de operação com a economia de combustível. 

Como comparação, o e-Delivery, que é apenas elétrico, custa duas vezes e meia mais do que a versão a combustão, o que tem segurado as vendas do modelo. Desde o lançamento, foram 400 emplacamentos. A expectativa é fechar 2024 alcançando 500 unidades vendidas. “Estamos produzindo e faturando alguns modelos já encomendados nesse momento”, conta Alouche.

Além de caminhão híbrido, VWCO traz modelo a biometano

Outra novidade da VWCO na Fenatran é o Constellation 26.280, a biometano. O modelo já está aberto a encomendas. Em 2025, deve rodar em testes em limpeza urbana. A companhia está em conversas com grandes empresas do segmento em São Paulo, como a Ecourbis.

Nesse nicho, a operação do caminhão aproveitaria o biometano gerado nos próprios aterros sanitários para abastecimento. “Temos uma tendência forte de adesão ao modelo, mas neste segmento”, diz Alouche. Assim como o modelo híbrido, a opção a gás deve chegar ao mercado com acréscimo de R$ 350 mil no preço.

Crise ficou para trás

Na coletiva de imprensa, Roberto Cortes mostrou seu otimismo característico e disse que o período de crise, pandemia e mudança na legislação de emissões que freou o mercado de caminhões ficou para trás. “Saímos de 8 mil unidades emplacadas no mercado brasileiro em janeiro para 12 mil no último mês”, disse.

O executivo reiterou a projeção da Anfavea de que o mercado crescerá na casa dos dois dígitos em 2024, para 121 mil unidades, com alta de 12% na comparação com o ano passado. “O que vende caminhão é PIB e devemos fechar o ano com alta de 3,5%. Também vemos com bons olhos legislações como o Mover, a retomada do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a aceleração da depreciação das máquinas e equipamentos”, comenta Cortes.