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Wabco contorna crise no Brasil com tecnologia

A meta global da Wabco, de crescer de 7% a 8% acima do mercado em todos os mercados onde atua, foi mantida também no Brasil, apesar da profunda retração de vendas que atinge seus clientes, os fabricantes de caminhões e ônibus. “A adoção de novas tecnologias nesses veículos nos ajudou bastante a cair menos do que a média”, explica Reynaldo Contreira, presidente responsável pelas operações da empresa na América do Sul. Ele se refere especialmente aos sistemas de antitravamento de freios (ABS), obrigatórios no País desde 2014, e os controladores de câmbios automatizados, que vêm sendo adotados em maior escala nos últimos anos.
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pedro

27 set 2016

3 minutos de leitura

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Atualmente a fábrica brasileira da Wabco, em Sumaré (SP), trabalha em um turno e tem 350 empregados. “Com aqueda na produção precisamos fazer cortes e fizemos uma redução de jornada por conta própria por seis meses até o início deste ano. Alguns funcionários foram transferidos para o exterior, realocado em operações na Europa e Estados Unidos. Mas agora parece que estabilizamos”, contra Contreira. Segundo ele, já existem sinais mais positivos do mercado de caminhões no Brasil: “As vendas já estão começando a girar acima da produção em alguns casos e em 2017 esperamos crescimento em torno de 10%”, avalia.

Contreira reconhece que é difícil trazer de imediato ao País a maior parte das tecnologias que a Wabco vem apresentando nos últimos anos. No salão de veículos comerciais de Hannover (o IAA), na Alemanha (22 a 29 de setembro), a empresa apresentou diversos sistemas integrados de segurança ativa, como frenagem automática, assistência ativa de direção (250 mil caminhões já usam o dispositivo nos Estados Unidos) e detecção de pedestres e ciclistas que estão no ponto dos veículos. “Algumas dessa funções para funcionar precisam de estradas com boa sinalização (que é “lida” pelos sensosres) e no Brasil não temos isso. Mas existe uma evolução, talvez possamos adotar sistemas um pouco mais simplificados”, diz.

Para o executivo, “não há risco de retrocesso, as novas tecnologias vão continuar a ser adotadas, mesmo que em ritmo mais lento”. Como evolução, ele cita o ABS: “Passamos de 5% a 6% para 100% dos veículos e isso já está fazendo diferença”, destaca. Ele também aponta o crescimento das vendas de caminhões com câmbios automatizados – a Wabco vende o sistema de controle para quase todos os fabricantes no Brasil, como Mercedes-Benz e, via ZF, para Iveco, MAN e Ford. Para o futuro, Contreira vê boas chances de adoção de outras tecnologias nos caminhões brasileiros, como frenagem automática e o stop&go, que controla o veículo automaticamente no para-e-anda do trânsito.

“No começo existe certa resistência por parte dos frotistas, eles querem saber se tudo isso funciona. Mas depois que comprovam que as novas tecnologias também trazem redução de custos acabam aderindo rapidamente às tendências. O câmbio automatizado é um exemplo disso, o uso era próximo de zero há cinco anos e hoje está presente em 50% a 60% dos modelos pesados vendidos no País”, destaca Contreira.