Além disso, a avaliação é que a introdução obrigatória do ABS dê impulso para a adoção de outras tecnologias de segurança veicular que contribuem para a redução de acidentes e mortes, como o controle de estabilidade. Na Fenatran 2013 (feira de transportes que acontece no Anhembi de 28 de outubro a 1º de novembro), a Wabco destacou seu programa Semirreboque Inteligente, que agrega ao veículo rebocado 40 funções para elevar a segurança e reduzir consumo de combustível. “O ABS e outros sistemas eletrônicos abrem a porta para outras inovações”, explica Contreiras.
Entre as diversas funções o Semirreboque Inteligente desenvolvido pela Wabco, estão controle de estabilidade, indicador de sobrecarga no eixo, alerta de inclinação, detector de ponto cego, frenagem de emergência e levantamento automático de eixo. “Vemos no Brasil muita tecnologia nos cavalos mecânicos e nem tanto nos semirreboques. Queremos mostrar com o programa que é possível evoluir bastante nisso”, observa Germano Collobialli, gerente de treinamento e assistência técnica. Segundo ele, todos os rebocados podem ser equipados com esses sistemas – inclusive alguns usados que passam por retrofit, embora nem sempre o custo para isso seja compensador.
Desde a introdução do ABS obrigatório na Europa, em 1991, e das demais tecnologias de segurança veicular ativa, houve redução de 60% nas mortes em acidentes envolvendo veículos comerciais, segundo dados da União Europeia. No Brasil, um terço das fatalidades no trânsito tem o envolvimento de um veículo comercial. “Estamos defasados 20 anos, mas podemos melhorar esse cenário. O ABS é o primeiro passo para evoluir nesse sentido”, avalia Leonardo Garcia, gerente de engenharia de produto e gerenciamento de projetos da Wabco.
Uma dessas evoluções é o sistema eletrônico de frenagem, o EBS, que custa cerca de três vezes mais do que o ABS comum, o que pode ser parcialmente compensado com a redução dos custos de instalação do sistema. Além disso, o EBS também permite a agregação de outras funções, como o controle eletrônico de estabilidade e antitombamento.
No momento, Garcia estima que cerca de mil veículos já utilizem o sistema conjugado no Brasil, principalmente frotistas especializados no transporte de produtos químicos e combustíveis, para os quais um acidente pode incorrer em elevados custos ambientais. “É o caso típico em que o frotista percebe que a tecnologia se paga rapidamente ao evitar custos”, diz.
Para os próximos anos, o engenheiro projeta que outros 5 mil unidades possam adotar o EBS com antitombamento nos próximos anos. “É uma evolução lenta. Sabemos que essas tecnologias demoram cerca de 10 anos para se consolidar e evoluir, como aconteceu na Europa, primeiro com a adoção obrigatório do ABS nos anos 1990 e agora com a obrigatoriedade de sistemas complementares”, estima Garcia.