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Wörth ensina Juiz de Fora a fazer o caminhão pesado Actros

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pedro

10 ago 2011

7 minutos de leitura

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Pedro Kutney, AB, de Wörth, Alemanha

Uma sala na área de preparação de kits CKD na maior fábrica de caminhões da Daimler no mundo, em Wörth, Alemanha, ostenta uma improvável bandeira brasileira, hasteada junto ao teto (foto). Ali trabalham quatro montadores em um chassi e uma cabine, falando em português. Eles fazem parte do grupo de 50 trabalhadores que, alternadamente, estão fazendo ou ainda farão estágios de quatro semanas em várias áreas para aprender a produzir o caminhão pesado Actros, que começa a ser montado na planta brasileira de Juiz de Fora (MG) a partir de janeiro de 2012. Cada um deles deverá multiplicar para 40 outros funcionários os conhecimentos adquiridos, em um processo que se inicia na próxima segunda-feira, 15.

A operação de treinamento faz parte do investimento de R$ 450 milhões (inserido no pacote de R$ 1,5 bilhão da Mercedes-Benz do Brasil até 2013) para converter uma linha de produção de automóveis em outra de caminhões, algo que nunca foi feito antes na história de 125 anos da Daimler. A mudança na fábrica mineira começou em janeiro passado, logo depois que o Classe C parou de ser montado na unidade, e praticamente só as paredes e tetos puderam ser reaproveitados na área industrial de 176 mil metros quadrados. Agora está quase tudo pronto. Em outubro começam a ser montados os primeiros veículos, ainda em fase de testes de linha. Além do Actros, também será feito o leve Accelo.

“Este ano enviaremos 132 kits desmontados para a montagem das 30 primeiras unidades”, conta Rolf Toefer, gerente de consultoria de montagem da unidade de CKD de Wörth. As primeiras unidades servirão para testar todas as etapas do processo produtivo dos Actros 6×2, 6×4 e 8×4 com duas versões de cabine. Alguns modelos serão destinados ao treinamento de pós-vendas para a rede de concessionários e outros já vão estar presentes no estande da Mertcedes-Benz na próxima Fenatran, em outubro.

O Actros, segundo informa a Mercedes-Benz, não irá substituir no Brasil a linha de pesados Axor (que para de ser produzida na Alemanha), e o modelo continuará a ocupar o topo de linha de produtos da empresa no País, com motor V6 de 450 cavalos importado da Alemanha. Apesar da produção local a partir do ano que vem, não há nenhuma perspectiva de redução de preços, que devem continuar na mesma faixa de R$ 400 mil a R$ 450 mil pedidos pelo caminhão hoje importado.

Nacionalização em etapas

Quem ajuda no treinamento dos brasileiros em Wörth, em bom português, é o engenheiro suíço Thomas Hubacher, gerente de qualificação de juiz de Fora que trabalha há 30 anos na Mercedes-Benz no Brasil e hoje mora na cidade mineira, para onde só deve voltar em outubro, após o fim do programa de estágio. “Para fazer caminhões foi necessário modificar a fábrica inteira, pois é uma operação muito diferente da de carros”, explica, contando que os equipamentos que estavam lá até dezembro para montar o Classe C foram devolvidos para a Alemanha, alguns para fornecedores, e as partes inaproveitáveis foram sucateadas.

A montagem em CKD do Actros e Accelo em escala comercial começa em janeiro ao ritmo estimado de 15 mil veículos/ano. O processo de nacionalização do Actros será longo, em etapas. As linhas de armação (solda) e pintura só estarão operacionais no decorrer de 2013. De início, cabines, motores e câmbio do Actros virão da Alemanha, para serem montados na fábrica mineira com inclusão de conteúdo local de 40%. Os 60% de nacionalização, necessário para tornar o caminhão financiável a juros baixos pelo BNDES/Finame, só serão atingidos em 2014.

No caso do Accelo, os componentes já são mais de 90% nacionais e chegarão à planta mineira enviados de São Bernardo do Campo (SP), onde 348 funcionários de Juiz de Foram também passam por treinamento. “O processo de montagem de veículos segue os mesmos passos, mas no caso de caminhões tudo é maior e precisamos aprender a usar mais equipamentos que seguram as peças pesadas”, conta o montador de cabines Michael Soares Assis, que está há 14 anos na Mercedes-Benz e junto com três outros colegas de Minas Gerais completa seu treinamento em Wörth nesta semana. Ele e os demais passaram quase um mês trabalhando das 9h às 15h na Alemanha e também já estiveram em São Bernardo do Campo. Ao todo, estão sendo preparados para fazer caminhões há sete meses.

Em 2014, quando terá capacidade nominal para fazer até 50 mil Actros e Accelo por ano, Juiz de Fora se transformará na quarta unidade de produção completa de caminhões Mercedes-Benz no mundo, a segunda no Brasil. Além das fábricas de São Bernardo, Wörth e Aksaray, na Turquia, existem hoje outras 10 plantas de montagem da Daimler Trucks. Ao todo, Wörth abastece essas linhas com 100 mil kits por ano de peças de caminhões totalmente desmontados ou semimontados – e nos primeiros dois anos de operação Juiz de Fora será um desses clientes.

Solução de competitividade

Juiz de Fora foi a solução encontrada para desafogar São Bernardo, que aos 55 anos de idade teve o seu último suspiro de ampliação de capacidade, passando de 65 mil para 75 mil veículos/ano. Já é a unidade mais produtiva da Daimler no mundo, ocupando quase que integralmente o 1 milhão de metros quadrados do terreno para fazer caminhões, chassis de ônibus, eixos, caixas de câmbio e motores, com cerca de 12 mil empregados. Como comparação, a maior fábrica da Daimler Trucks no mundo, em Wörth, tem 40 anos, 475 robôs, 10 mil funcionários e está localizada em uma área três vezes maior do que a da planta brasileira, mas só faz caminhões, no ritmo de 70 mil unidades em 2011 – o recorde foi de 113 mil em 2008.

Em Minas, além da área industrial de 176 mil metros quadrados, existe um prédio destinado a fornecedores de 34 mil metros, onde já confirmaram presença Randon, Seeber e Maxion (leia aqui). Mas há muito espaço para crescer no imenso terreno de 2,8 milhões de metros, quase o mesmo tamanho de Wörth. Ainda não há estudos para novas ampliações, mas a Mercedes-Benz espera por continuado crescimento do mercado de caminhões na América do Sul, especialmente no Brasil, pelos próximos 10 anos no mínimo, o que torna obrigatória a expansão de capacidade na região para poder fazer frente ao avanço do mercado.

Atualmente a unidade de Juiz de Fora tem 870 empregados, todos reaproveitados da montagem do Classe C, feito só para exportação. No pico de produção do carro, em 2008, foram montados 27 mil CLC com 1,5 mil trabalhadores. A fábrica é uma herança do malsucedido Classe A, cuja produção no Brasil, que começou em 1999 e parou em 2003, alcançou o máximo de 17 mil veículos, contra a perspectiva da montadora de 60 mil/ano. Após pouco mais de 10 anos de operação e de cumprir todas as obrigações com o governo de Minas Gerais, a Mercedes-Benz finalmente parece ter encontrado um caminho produtivo para sua planta mineira, para encerrar as constantes especulações sobre o fechamento da unidade.