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Wrobleski: safra expõe fragilidade da infraestrutura

Antonio Wrobleski Filho, sócio da AWRO Participações e Logística, alerta que boa parte da riqueza gerada pela safra agrícola não será aproveitada por conta da precariedade da infraestrutura. Ele calcula que 60 kg da carga de cada caminhão se perderá nas longas viagens que os veículos terão de fazer até os portos do sul e sudeste, por falta de alternativa.
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cria

06 ago 2010

2 minutos de leitura

Dados do IBGE projetam que a safra de 2010 será a maior da história, alcançando 146 milhões de toneladas, volume 9% superior ao de 2009. “O Brasil se aproxima da excelência quando se trata de plantar e colher, mas convive com a mediocridade quando se trata de transportar e embarcar os alimentos” – afirma o executivo.

Ele entende que grandes produtores como o centro-oeste e o nordeste sofrem com a falta de alternativas próximas de escoamento. Boa parte da produção precisa ser embarcada no porto de Santos ou de Paranaguá, em viagem de quase dois mil quilômetros. A perda de 60 kg da carga de cada caminhão faz com que o custo de produção em Mato Grosso, por exemplo, seja mais que o dobro do Paraná.

Wrobleski explica que mais de 70% das rodovias utilizadas para o escoamento da carga são de péssima qualidade e a frota de caminhões mostra má conservação: “Uma safra desse tamanho coloca cerca de 200 mil caminhões a mais rodando pelas estradas, a grande maioria com mais de 15 anos de uso.”

Para o diretor da AWRO a solução mais próxima para essa questão seria utilizar as ferrovias para o escoamento. “No entanto, as linhas são insuficientes e mais de 80% da malha está ocupada pelos setores siderúrgico e de mineração”, adverte, sugerindo que para evitar os desperdícios é preciso construir, investir, principalmente na extensão da malha ferroviária e criação de novos portos e modernização dos já existentes. “No papel, o PAC contempla muitos avanços nessa área, mas é necessário que seja executado. Até agora, muito pouco foi feito”, avalia.