Dados do IBGE projetam que a safra de 2010 será a maior da história, alcançando 146 milhões de toneladas, volume 9% superior ao de 2009. “O Brasil se aproxima da excelência quando se trata de plantar e colher, mas convive com a mediocridade quando se trata de transportar e embarcar os alimentos” – afirma o executivo.
Ele entende que grandes produtores como o centro-oeste e o nordeste sofrem com a falta de alternativas próximas de escoamento. Boa parte da produção precisa ser embarcada no porto de Santos ou de Paranaguá, em viagem de quase dois mil quilômetros. A perda de 60 kg da carga de cada caminhão faz com que o custo de produção em Mato Grosso, por exemplo, seja mais que o dobro do Paraná.
Wrobleski explica que mais de 70% das rodovias utilizadas para o escoamento da carga são de péssima qualidade e a frota de caminhões mostra má conservação: “Uma safra desse tamanho coloca cerca de 200 mil caminhões a mais rodando pelas estradas, a grande maioria com mais de 15 anos de uso.”
Para o diretor da AWRO a solução mais próxima para essa questão seria utilizar as ferrovias para o escoamento. “No entanto, as linhas são insuficientes e mais de 80% da malha está ocupada pelos setores siderúrgico e de mineração”, adverte, sugerindo que para evitar os desperdícios é preciso construir, investir, principalmente na extensão da malha ferroviária e criação de novos portos e modernização dos já existentes. “No papel, o PAC contempla muitos avanços nessa área, mas é necessário que seja executado. Até agora, muito pouco foi feito”, avalia.