
E a falta de lançamentos de baixa cilindrada agravou a situação da Yamaha, que perde participação de mercado desde 2006 e vê sua produção em Manaus em declínio. Hegenberg falou sobre a demora de reação da fabricante e de suas perspectivas para os próximos três anos, em que a companhia lançará 250 novos produtos em todo o mundo, incluindo o segmento náutico.
Automotive Business – A Yamaha do Japão tem acompanhado de perto o desempenho da filial brasileira? A demora no lançamento dessa nova moto (YS 150 Fazer) dá a entender que eles estão satisfeitos com os resultados atuais.
Márcio Hegenberg Vou responder a você o que disse recentemente em uma reunião com concessionários: a gente não pode mudar o passado. O que posso dizer é que teremos um novo produto a cada seis meses.
A YBR 125 Factor continuará em produção com a chegada da nova 150 Fazer?
Sim porque elas têm públicos diferentes. O comprador de 125 cc usa a moto quase sempre na cidade. Normalmente, essa é sua primeira motocicleta. Já o consumidor de 150 cc utiliza mais a moto em estrada. Essa já é sua segunda ou terceira motocicleta.
E tem algum investimento programado para esses próximos anos em Manaus, algo como uma nova linha de montagem, estamparia, laboratórios?
Não. Antes de 2008 (o segundo melhor ano para o setor de motos) a fábrica recebeu investimentos para um mercado crescente. Com o momento atual, a capacidade está adequada. Mas, claro, a fábrica recebeu mudanças para produzir a YS 150 Fazer por se tratar de uma nova moto.
A Yamaha teve mais de 600 concessionárias de motocicletas no País. Quantas foram fechadas?
Não sei o número exato. Acompanhei o fechamento de algumas revendas. Hoje temos cerca de 500 concessionárias e 60 pontos de venda.
Algumas marcas como Dafra, Kasinski e Shineray vendem muitas unidades de 50 cc. A Yamaha não estuda entrar nesse segmento?
Por ser preocupada com o consumidor, não. Vemos muitos acidentes noticiados. Tem motociclista usando essas motos sem habilitação, sem capacete. Queremos que haja fiscalização forte (nota da redação: o artigo 129 do Código de Trânsito Brasileiro deixa a critério dos municípios o registro e licenciamento dos ciclomotores, veículos com cilindrada até 50 cc. Com isso, muitas cidades, especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, permitem a circulação dessas motonetas sem placa, conduzidas às vezes por menores ou frequentemente sem capacete. O mesmo código, no artigo 130, diz que todo veículo automotor deverá ser licenciado anualmente pelo órgão executivo de trânsito do Estado, ou do Distrito Federal, onde estiver registrado).
Além da nova moto vocês mostraram o T-Max 530, que começa a ser vendido a partir de dezembro, por cerca de R$ 40 mil. É uma boa novidade, mas os produtos mais vendidos no Brasil nesse segmento custam menos e têm porte menor…
O plano é atingir todos os nichos em que não participamos hoje. O T-Max é um ícone para a marca. Vamos investir na base e também em alta cilindrada.