
A Zen inicia a produção polias de roda-livre para alternadores na China no próximo dia 15. De capital 100% brasileiro e sede em Brusque (SC), esta será a primeira operação industrial fora do Brasil da empresa, para abastecer prioritariamente o mercado chinês e alguns países vizinhos na Ásia. O componente produzido em Jitan, cerca de 200 km distante a oeste de Xangai, começa a ser fornecido primeiro para reposição (aftermarket), mas já foram iniciadas negociações para fornecer a grandes fabricantes originais de alternadores instalados na região, como Denso, Valeo e outros locais chineses.
Com capacidade de 1,5 milhão de peças/ano na China, a projeção é atingir esse volume no horizonte de até três anos. Os fabricantes de alternadores (OEM) deverão ficar com 70% a 80% da produção e o restante deverá ser negociado no mercado de reposição. As exportações são estimadas em cerca de 10% da operação. “A produção na China é complementar ao que fazemos no Brasil, vai ampliar o nosso mercado na região e gerar novas receitas”, afirma Gilberto Heinzelmann, presidente da Zen.
Conforme explica o executivo, as peças produzidas na China são todas projetadas pela equipe de engenharia no Brasil, que desenvolveu projeto próprio de polias de roda-livre – componente cada vez mais usado na indústria porque deixa de oferecer resistência a partir de certa rotação, o que reduz atrito e consumo.
PARCEIRO CHINÊS
A operação em Jitan está alocada dentro das instalações de um parceiro chinês, que já fornecia rolamentos à empresa catarinense e agora também aluga o espaço de produção e é responsável pela mão de obra para a montagem local. Com investimento não revelado, a Zen comprou todos os equipamentos e maquinário da linha chinesa.
“A contratação do prestador de serviços tornou muito mais rápida a nossa instalação na China. O projeto todo levou cerca de um ano e meio para ser concluído, levaria no mínimo o dobro desse tempo se fôssemos construir uma planta do zero”, destaca David Catasiner, diretor de vendas e marketing da Zen.
Há cerca de 15 anos a Zen exporta componentes para a China, onde também mantém no país um escritório comercial e um armazém. A empresa continuará a exportar da unidade de Brusque os pinos impulsores para motores de partida, seu produto de maior volume atualmente.
“A China sempre esteve no radar como um polo de produção de baixo custo para exportar a outros países. Isso mudou. Não é mais um país de baixo custo, mas tem escala incomparável. Com cerca de 30 milhões de veículos produzidos por ano, nenhum outro lugar do mundo oferece um mercado tão grande”, pondera David Catasiner.
Além da enorme escala de produção, segundo o executivo a China oferece também outras vantagens que beneficiam a alta produtividade, como boas condições logísticas, matérias-primas com preços competitivos e regulamentações governamentais estáveis, “que quando mudam é para melhor”, diz. Ele cita o exemplo do imposto sobre valor agregado de produtos manufaturados, que há um ano já tinha caído de 17% para 16% e agora baixou de novo, para 13%. “São fatores que estimulam a produção e o crescimento”, pontua.