
A ZF reduziu sua previsão de faturamento e margem EBIT para 2019 ao divulgar seus resultados financeiros referentes ao primeiro semestre do ano, quando o lucro da companhia despencou, além de outros índices que ficaram abaixo das metas em meio a um cenário econômico global mais difícil.
Com isso, a ZF agora prevê que o faturamento fique entre € 36 bilhões e 37 bilhões e margem ajustada do EBIT entre 4% a 5% para o ano, considerando uma estabilidade dos mercados e das taxas de câmbio. Sua previsão anterior divulgada em abril durante encontro anual com a imprensa indicava que as vendas do grupo ficariam entre € 37 bi e € 38 bilhões, com margem EBIT entre 5% e 5,5%.
Em nota, o grupo diz que não espera que a economia global melhore significativamente no segundo semestre deste ano, por isso, era necessário ajustar as previsões. A decisão também foi motivada pelos resultados da primeira metade do ano ficaram aquém das estimativas da empresa.
Nos primeiros seis meses deste ano, a ZF registrou faturamento de €18,4 bilhões, uma queda de 1,5% na comparação com mesmo intervalo do ano passado, ao mesmo tempo em que os custos com pesquisa e desenvolvimento aumentaram 1,7%, para € 1,12 bilhão.
Por sua vez o lucro líquido despencou ao encerrar a primeira metade do ano em € 166 milhões: no comparativo anual, a queda foi de 71,8%.
“Não estamos satisfeitos com estes números e estamos compensando isto, particularmente com o ajuste de nossas capacidades. Além disso, estamos lançando medidas adicionais para melhorar nossos resultados”, disse em nota o CFO da ZF, Konstantin Sauer. “Entretanto, a ZF continuará investindo em tecnologias orientadas para o futuro, como eletromobilidade e condução autônoma.”
Sauer disse ainda estar confiante com relação ao futuro financiamento para a compra da Wabco, cuja aquisição foi anunciada em março deste ano e aprovada recentemente pelos acionistas. “Conseguimos financiamento sólido de longo prazo e investidores potenciais reagiram de forma positiva a nossos planos”, enfatizou Sauer. Para financiar o negócio, a ZF está planejando a emissão de um empréstimo caucionado e de Eurobonds (títulos emitidos por governos europeus) e pretende lançá-los nos mercados no fim deste terceiro trimestre.
Em seu relatório, a ZF diz que prorrogará ou reduzirá investimentos em áreas estabelecidas onde a crise econômica é evidente. Por outro lado, o fornecimento de tecnologias como a transmissão híbrida está avançando:
“Os principais pedidos recebidos recentemente para a nossa transmissão híbrida automática para carros de passeio, bem como para nosso acionamento elétrico, para uma produção de alto volume de veículos premium, cujas entregas já começaram a ser efetuadas, mostram que nossa estratégia e abordagem tecnológica estão no caminho certo. Os clientes confiam em nossos produtos e tecnologias a longo prazo”, comenta o CEO da ZF, Wolf-Henning Scheider. “No entanto, não podemos nos esquecer da situação econômica desafiadora que estamos enfrentando atualmente em nível global, o que coloca nossos resultados muito aquém de nossas metas à medida em que a crise do mercado automotivo piora”.
Os resultados da ZF foram prejudicados pelo segmento de automóveis, uma vez que o mercado de veículos comerciais pesados e os negócios industriais tenham ficado inicialmente estáveis. O crescimento das vendas da companhia desacelerou devido à venda mais baixa de automóveis em praticamente todos os principais mercados mundiais, principalmente na China.
Alia-se a isso a crise econômica global e fatores de política econômica como a incerteza com relação ao futuro do Brexit e questões tarifárias e comerciais como a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Outros fatores como efeitos cambiais e de fusões e aquisições também contribuíram para uma receita menor no primeiro semestre.