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Opinião

Um plano emergencial para os automóveis?

As vendas de veículos novos despencaram 35,8% no mês de janeiro, em relação a dezembro. A queda sinaliza uma nova trajetória no mercado brasileiro, com uma inclinação para baixo depois de meses de bons resultados? Para Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, ainda é cedo para conclusões e projeções. Mais do que isso: ele demonstra otimismo para 2011.
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Redação AB

10 fev 2011

4 minutos de leitura

Na entrevista coletiva da entidade na segunda-feira, 7, em São Paulo, ele voltou a enfatizar que é parte da história do setor os emplacamentos recuarem até 30% em janeiro. Desta vez foi um pouco mais e não há motivo para alarme.

Para quem imagina que o consumidor está sem dinheiro para comprar automóvel e com problemas no pagamento das prestações, ele contrapõe um argumento decisivo: a inadimplência nos financiamentos recuou para 2,6% ao longo de 2010, o mais baixo desde 2001. Belini adianta, também, que o mês de fevereiro começou bem no que diz respeito ao fluxo de lojas e vendas.

As vendas de veículos no País têm desafiado os pessimistas, subindo a rampa. O mês de janeiro, na realidade, mostrou um avanço significativo em relação a outros janeiros — especialmente sobre o de 2010: a média diária de vendas cresceu 9,3% mês contra mês.

O que preocupa o presidente da Anfavea são as tendências principais relacionadas ao setor envolvendo a balança comercial. De um lado as importações vão à estratosfera, enquanto o País perde competitividade na hora de vender veículos lá fora. O efeito aparece na forma de um ‘x’ no slide que Belini gosta de mostrar.

Belini não esconde que o setor espera estímulos do governo ao mercado de veículos, incentivando a indústria local. Ele prefere não definir o que a Anfavea gostaria de obter de Brasília, neste momento, quando há muitos cargos a serem preenchidos no novo governo. Mas, com certeza, reduções no IPI para veículos e alívio no crédito seriam bem-vindos de forma emergencial.

O executivo lembrou que o suporte do governo, no tsunami de 2009, foi decisivo para a recuperação do setor. Não há outro tsunami do gênero à vista, mas a indústria não gostaria de ser contaminada por um clima de baixa e pe ssimismo neste momento, quando se retomam com força os investimentos.

A Anfavea promove estudos sobre competitividade, com suporte de uma das principais consultorias que atuam no Brasil. O levantamento consolidará as recomendações das montadoras e também de outros segmentos, como o de autopeças, para chegar às mãos de Dilma Roussef. Isso pode acontecer no mês de abril.

Os ingredientes que influenciam negativamente o desempenho do setor automotivo brasileiro já são bastante conhecidos. O que se espera, na verdade, é pelas soluções recomendadas para ganhos de competitividade, se m depender de grandes reformas promovidas do governo. Ganhar escala de produção, inovar, estimular a qualificação de pessoal e o desenvolvimento de tecnologia, desonerar a contratação de pessoal e facilitar o crédito são algumas das questões que estarão em jogo no estudo.

O preço do aço e outros insumos será questão central. Belini alertou que o aço brasileiro chega a ser 40% mais caro que o adquirido no mercado internacional. “As empresas do setor negociam com as siderúrgicas, mas os acordos são individuais. Os players menores pagam mais pelo produto”, explicou.

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