No episódio #32 do podcast Lideranças Diversas, a CEO da Automotive Business, Paula Braga, recebe Luciana Nicola, sócia e diretora de relações institucionais e sustentabilidade do Itaú Unibanco e vice-presidente do conselho administrativo do Pacto Global da ONU no Brasil.
A executiva conta sobre sua carreira de 28 anos dentro do banco, aprendizados e desafios como liderança, projetos de sucesso e outros que não deram tão certo, além de discutir o momento atual da diversidade no setor privado e o papel da mobilidade urbana na transição sustentável.
Formada em direito, Luciana entrou na faculdade na mesma época em que começou sua carreira na área financeira do Itaú. Por isso, nunca advogou. Migrou para áreas institucionais, com olhar para impacto, e foi onde traçou a maior parte da sua carreira. O propósito e novos desafios foram determinantes para mantê-la motivada na liderança por tantos anos.
“Faz diferença trabalhar com algo que te dê prazer e tem q ter fit com a cultura da empresa. Quando tem fit e você se sente desafiado, vai virando quase que um casamento ali, no sentido, de que a empresa agrega, você se sente agregando e aí vai se construindo essa relação de longo prazo, passando por várias áreas”, afirmou Luciana.
Ao longo da carreira, ela passou por comunicação interna, voluntariado, área social, microcrédito para empreendedores de baixa renda, até chegar onde está hoje, na área institucional com foco na agenda ESG.
Da Bike Itaú aos aprendizados da liderança
Luciana compartilha também exemplos de sucessos e aprendizados. Um dos principais projetos que esteve à frente foi o lançamento da Bike Itaú, em 2010.
“Foi muito disruptivo trazer aluguel de bicicleta por um banco. Implementamos em 2010, mas comecei a estudar em 2008 sobre mobilidade nos grandes centros urbanos e como o banco poderia contribuir”, explicou a executiva. “Depois que definimos a bike, tivemos a jornada de aprendizado de se conectar com quem pedala, entender por que as mulheres pedalavam menos, olhando agora a bike como solução de mobilidade sustentável e parte de outros modais que precisam ser integrados.”
Ela conta também sobre dois cases do banco que deram errado, mas trouxeram aprendizados importantes.
“A vida não é só de acertos e sucessos, mas se aquilo não deu certo e você aprendeu, teve maturidade pra entender que o aprendizado vale a pena”, concluiu Luciana.
ESG, diversidade e o futuro da mobilidade
No podcast, Luciana fala também sobre a sua percepção em relação à agenda ESG e como a questão da diversidade perdeu força nos últimos tempos.
Ela compartilha também os desafios de ser uma mulher na liderança e questões que atravessam os talentos femininos, como licença-maternidade e turnover.
Para fechar o papo, Luciana conta sobre sua participação no Pacto Global da ONU e dos compromissos do Itaú Unibanco com a mobilidade sustentável.
O banco tem como meta reduzir 50% de suas emissões até 2030 e ser net zero até 2050.
“No setor automotivo, isso significa 44% das emissões tanto que financiamos das montadoras, quanto de pessoas físicas. Por isso, as montadoras precisam ser net zero também”, afirmou Luciana.
Ela chama atenção ainda para a importância da circularidade dos veículos e renovação de frota, mas também para o impacto que isso pode ter para pessoas de baixa renda ou fora dos grandes centros, que geralmente são o público de carros mais antigos.