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Conectividade avança no agronegócio e abrange 600 mil pessoas

O agronegócio cresceu a passos largos no Brasil e agora pode contar com a ajuda da conectividade para vencer uma nova etapa em gestão e produtividade

Por Paulo Braga
  • 31/08/2021 - 00:00
  • | Atualizado há 1 semana, 3 dias
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    A ConectarAGRO nasceu como uma iniciativa de oito empresas fundadoras (AGCO, Bayer, CNH Industrial, Jacto, Nokia, Solinftec, TIM e Trimble) motivadas em solucionar a implantação da conectividade no campo, que acontecia de forma descoordenada e desorganizada. A partir da Agrishow de 2019, em Ribeirão Preto, no interior do Estado de São Paulo, cresceu o interesse no empreendimento, que passou a receber atenção de outras empresas. A associação tem atualmente sede em São Paulo e as reuniões passaram a ser realizadas de forma virtual. Ao lado das associadas fundadoras, da categoria ouro, outras 30 empresas são da categoria prata e atuam em mídia social, desenvolvimento de hardware e software, finanças e iniciativas como a Gateway, que busca incentivar a padronização no agronegócio.

    Há diferentes interesses em jogo na associação à ConectarAGRO, que é uma entidade sem fins lucrativos e visa fomentar a expansão do acesso à internet nas áreas remotas do Brasil, para conectar pessoas, máquinas e instrumentos, viabilizando a Internet das Coisas (IoT) na agricultura. “No caso da minha empresa, a CNH Industrial, sabemos que a conectividade que a associação está levando às empresas agrícolas auxilia nosso trabalho. Afinal, as máquinas agrícolas trabalham muito melhor quando estão conectadas”, explica Gregory Riordan, diretor de tecnologias digitais da CNH Industrial e presidente da ConectarAGRO, de 43 anos, dos quais nove dedicados à CNH Industrial, que reúne empresas como a New Holland e Case.

    A TIM teve um papel importante na evolução do ConectarAGRO, liderando a utilização da tecnologia 4G, de 700 MHz, cuja frequência estava sendo desabilitada e se mostrou importante na tarefa de expandir a conectividade. A explicação é simples: quanto mais baixa a frequência, mais amplo é o alcance da tecnologia. A nova tecnologia 5G, de mais alta frequência, que era esperada para setembro e se mostra bastante eficiente em áreas de ocupação mais densa, ainda deve demorar e não tem aplicações direcionadas para o campo. Assim, a tecnologia 4G deve ainda emplacar bons resultados. E uma única torre pode cobrir até 35 mil hectares.

    “Hoje atingimos 60 mil propriedades e 6,2 milhões de hectares de áreas rurais, mais da metade de propriedades de até 100 hectares. São beneficiadas mais de 600 mil pessoas em áreas rurais, em mais de 220 cidades e oito Estados. Poderíamos ter avançado mais, mas enfrentamos os efeitos da pandemia. Com as antenas instaladas já cobrimos uma malha rodoviária de 30 mil quilômetros”, informa Riordan.

    “Somente 11% da área agriculturável do País é coberta com 4G e o agronegócio representa cerca de 30% do PIB, indicando que há muito a progredir. Nada menos de 98% de cobertura ocorre na área urbana”, esclarece Gregory. Segundo ele, o investimento do agronegócio em conectividade corresponde a um quarto a meia saca de soja por hectare. “A resposta ao investimento ocorre no curto prazo”, garante. Para estimular a participação do agronegócio na ConectarAGRO, a associação recorre a websites e projetos pilotos que visam à educação e treinamento para garantir o bom uso da conectividade. Ele destaca também a importância das cooperativas como incentivadoras dos empreendimentos.

    “O avanço da conectividade é indispensável para elevar a produtividade no agronegócio, que já contabiliza tecnologias agrícolas e resultados importantes, reconhecidos por todo o mundo”, diz Riordan.

    Para mais informações, incluindo novos associados, acesse conectaragro.com.br.

    *Este texto traz a opinião do autor e não reflete, necessariamente, o posicionamento editorial de Automotive Business