Opinião | Inovação 

Você é vítima ou líder das mudanças do setor automotivo?

É preciso entender como lidar com transformações tão gigantescas sem perdas enormes de produtividade e velocidade

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Valter Pieracciani
  • 08/09/2021 - 10:33
  • 2 minutos de leitura

    Este é o primeiro de 4 artigos dedicados a oferecer estratégias para lidar com transformações rápidas e assegurar resultados. Acompanhe nas próximas colunas.

    Tempos excitantes de grandes mudanças no setor. Céu cinzento na conjuntura econômica, com a imprevisibilidade do preço dos combustíveis e do cenário econômico. Revolução sociocultural e novos hábitos de consumo resultando, por exemplo, na explosão do mercado de aluguel. Surpreendente e inexplicável aumento de demanda, empurrando os fabricantes a desovarem inovações freneticamente para manter sua participação. Isso com um tempero especial de falta de componentes e peças essenciais que forçam o desenvolvimento de novos fornecedores. Tudo em altíssima velocidade.

    A sensação é de subir uma escada rolante que está descendo. Mudanças e mais mudanças, todas juntas e misturadas. De repente, e para “animar” a competição, desembarca no Brasil a maior indústria de veículos da China, a Great Wall, que em 2020, em plena paralisia pandêmica, vendeu um milhão de veículos.  no mundo. Isso mesmo, ela já chega comprando fábrica no Brasil, e nada menos que a superautomatizada fábrica da Mercedes.

    Adoraria ouvir os comentários do Dr. Carlos Alberto de Oliveira, que infelizmente se foi no último dia 14 de agosto, sobre essa última surpresinha na arena competitiva. O Dr. Caoa foi, de longe, o maior empreendedor brasileiro e esteve entre os maiores do mundo da indústria e do comércio de veículos. Foi também o grande abre-alas para diversas marcas, idealizador e construtor corajoso da reputação dos veículos coreanos e, mais recentemente, dos chineses no Brasil. A Great Wall certamente vem para surfar essa onda de muito investimento e trabalho do pioneiro.

    A mudança dói em todos

    Bem, voltemos ao mar em fúria no qual teremos que aprender a navegar, já que não adianta ficar esperando a bonança, pois ela não virá. Há, no entanto uma ótima notícia: nossas reações, bem como a de nossas equipes, são previsíveis e gerenciáveis. O duro é que não aprendemos isso na escola.

    Ninguém nos ensinou como lidar com transformações tão gigantescas e rápidas sem perdas enormes de produtividade e velocidade. Em períodos agudos de mudanças, a “radio-peão” ganha força. A busca por respostas aumenta ao mesmo tempo em que a comunicação se deteriora. Perde-se o foco e a conexão com o cliente e os resultados se dissipam. As pessoas aumentam sua concentração e energia nas questões do “e eu?”. Isso mesmo. Como fica minha função? Minha posição de trabalho? Quem será meu chefe?

    Não bastassem as muitas dúvidas trazidas por esse novo mundo, sobrepõem-se novas questões que... Vamos falar francamente? Não têm mesmo respostas. As pessoas se fecham cedendo a um claro instinto de autopreservação, provocado pela combinação da sensação de perda e pela ambiguidade presente em qualquer processo de transição. Até mesmo nas transformações mais desejadas (pense em quando você teve um filho) sentimos um pouco disso.

    Todos nós, indistintamente, resistimos às mudanças em um primeiro momento. Não somos projetados para elas, mas sim para a estabilidade. Nossas primeiras reações são sentimentos de traição e negação. Com o tempo, entramos em uma fase de crise de identidade, sem saber bem se apoiamos ou lutamos, até alcançarmos enfim a quarta etapa do processo: a de busca de soluções. Uns transitam mais devagar, outros mais depressa, mas todos passamos por essas fases.

    Os líderes têm um papel essencial nessas situações. Mais do que nunca serão observados e imitados. E podem fazer a grande diferença na vida das equipes, inicialmente compreendendo as pessoas e o processo, depois identificando que colaborador está em cada fase e por fim compatibilizando o comportamento com a realidade dele. O líder terá que falar idiomas diferentes para pessoas que estão em estágios diferentes da transição. Uma linguagem de busca de soluções para alguém que ainda se encontra mergulhado no sentimento de traição seria uma catástrofe. Nos próximos artigos explicarei melhor as estratégias adequadas para acelerar e suavizar a migração das equipes até a fase de busca de soluções.

    Boas mudanças!

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    Valter Pieracciani é sócio-fundador da Pieracciani Consultoria. Empresário, pesquisador, consultor, e escritor, é especialista em modelos inovadores de gestão. Dirigiu mais de 800 projetos em companhias-líderes como Nestlé, Ambev, Tetrapak, Pirelli e Avon, dentre outras. Atua como gestor de startup e de recuperação de empresas.

    *Este texto traz a opinião do autor e não reflete, necessariamente, o posicionamento editorial de Automotive Business