Veículos híbridos são essenciais para massificar a mobilidade elétrica no Brasil

Carlos Delich e Ricardo Gondo, presidentes da ZF e da Renault, respectivamente, falaram dos desafios e das oportunidades locais

Por NATÁLIA SCARABOTTO, AB
  • 06/08/2021 - 17:24
  • | Atualizado há 1 mês, 1 semana
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    Os veículos híbridos serão essenciais para a mobilidade rumo à eletrificação no Brasil, aposta o presidente da Renault Brasil, Ricardo Gondo, e também o presidente da ZF América do Sul, Carlos Delich. Os executivos falaram durante o #ABPlan - Planejamento Automotivo 2021 sobre desafios e perspectivas para os veículos elétricos e a agenda ESG (governança ambiental, social e corporativa). O evento foi realizado on-line por Automotive Business na terça-feira, 3.

    Apesar de ainda ser um mercado pequeno no Brasil, os veículos elétricos e híbridos são promissores para o futuro da mobilidade urbana e sustentável. Segundo a pesquisa Cenários para a Indústria Automobilística, levantamento inédito de Automotive Business, em parceria com a Roland Berger, 37% das empresas automotivas farão algum lançamento com foco em veículos elétricos até 2025, mas apenas 13% com produção local desses modelos.

    NOVIDADE PARA O MERCADO DE ELÉTRICOS



    Uma das novidades será lançada pela Renault Brasil em 2022, conforme adiantou o presidente da empresa durante o evento - possivelmente uma versão eletrificada do Kwid. Na visão do executivo, o caminho para o avanço da tecnologia localmente passa pelos modelos híbridos, uma solução para a transição entre motores a combustão e propulsores a bateria.

    “Acredito que o nosso período de transição será mais longo do que em outros lugares [como Europa, China e Estados Unidos] por causa da falta de infraestrutura para recarga, o preço de energia e do veículo”, disse o presidente da fabricante.



    Ele ressalta ainda que a perspectiva é superar tais desafios e popularizar o preço dos carros elétricos e híbridos o mais rápido possível. “Com a evolução da tecnologia das baterias, a melhora dos processos de produção e em larga escala, [a tendência] é que os custos dos carros elétricos caiam. A projeção da Renault é de em 2026 os custos sejam próximos ao de veículos térmicos”, afirma Gondo.

    Para o presidente da ZF América do Sul, Carlos Delich, outro desafio dos carros 100% elétricos é o tamanho do território brasileiro. “Em um país como o nosso, geograficamente grande, é impossível contar apenas com elétricos puros para fazer viagens longas”, afirmou.

    “Independente de incentivos de governos, a infraestrutura para recarga de baterias vai ser muito diferente do que em países como Alemanha, França e Japão, que têm territórios menores.”



    Por outro lado, o Brasil leva vantagem em relação as fontes de energias renováveis. “Estamos muito avançados na qualidade da geração de energia. Quando o setor de veículos elétricos ganhar força aqui, estaremos melhor preparados do que muitos outros países em questão de abastecimento e matrizes energéticas sustentáveis”, analisou Delich.

    VEÍCULOS ELÉTRICOS SÃO PARTE DA ESTRATÉGIA DA AGENDA ESG



    Em prol da mobilidade mais sustentável, os veículos elétricos e híbridos ganham valor estratégico para a agenda ESG das empresas,que tem ganhado força nos últimos anos.

    Segundo o levantamento de Automotive Business, em 36% das empresas os temas ESG são pilares estratégicos em nível global e local. No entanto, apenas 15% iniciaram ações e 12% discutem o tema, mas ainda não têm nenhum plano estruturado.

    “A agenda ESG vai muito além dos veículos elétricos, é um compromisso que a Renault tem há muitos anos, tanto em sustentabilidade, quanto no social, promovendo ações dentro e fora da empresa”, explica o presidente da Renault Brasil.

    Na ZF, o tema também é um pilar importante. “O mundo mudou e estamos falando agora de novas condições de trabalho, da consciência que o mundo tem do cuidado com o meio ambiente e com as pessoas. Isso foi acelerado com a pandemia, quanto tivemos que adotar medidas de proteção aos nossos colaboradores e vai continuar daqui em diante”, conclui Delich.