Brasil aumenta perdas de produção por falta de chips para 279 mil veículos

Estimativa da consultoria AFS soma paralisações e reduções do ritmo já anunciadas em 15 fábricas

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 25/08/2021 - 12:30
  • | Atualizado há 2 semanas, 1 dia
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    A crise da falta de semicondutores que afeta fábricas de veículos no mundo todo dá mostras que, antes de melhorar, vai piorar, inclusive no Brasil. Segundo as mais recentes estimativas da Automotive Forecast Solutions (AFS), passados 45 dias desde as projeções da consultoria norte-americana publicadas em Automotive Business em julho, até 20 de agosto o volume perdido de produção aumentou em 59 mil unidades, de 220 mil para 279 mil automóveis e comerciais leves que deixam de ser produzidos por nove fabricantes desde o início do problema, no fim de fevereiro, incluindo o impacto das paralisações já anunciadas que se estendem até setembro. Somando todas as paralisações, a AFS contabiliza o equivalente 344 dias de interrupções das linhas.

    O número de fábricas que tiveram a produção afetada no País pela escassez de chips passou de 14 para 15, com o anúncio da Toyota de parar por nove dias a planta de Sorocaba (SP). A montadora era das poucas que ainda não tinha paralisado a linha brasileira por falta de eletrônicos. A parada deverá custar 3,8 mil carros à fabricante, segundo calcula a AFS.



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    A General Motors segue sendo a fabricante que mais perdeu produção no Brasil: 172 mil unidades desde março até o horizonte visível de setembro. A maior perda, 115 mil carros, foi em Gravataí (RS) que na semana passada voltou a produzir a linha Onix hatch e sedã após cinco meses e meio de paralisação total, enquanto a fábrica de São Caetano do Sul (SP) parou em 21 de junho e está prevista para retornar esta semana, na quinta-feira, 26 de agosto, e a planta de São José dos Campos (SP) passa por reduções de turno neste e no próximo mês.

    A Volkswagen, que desde junho atravessa idas e vindas e reduções da produção nas fábricas paulistas em São Bernardo do Campo e Taubaté, além do corte de um turno em São José dos Pinhais (PR), é a segunda fabricante com maior número de carros que deixaram de ser produzidos: 39,3 mil, considerando as paradas já anunciadas até agora para setembro.

    A Renault subiu à terceira posição das perdas de produção com 33,8 mil carros que deixam de sair da fábrica de São José dos Pinhais (PR) em 36 dias de paralisação até 3 de setembro, quando está prevista retomada das atividades. A montadora concedeu férias coletivas em agosto e já adiou três vezes o retorno ao trabalho por causa da falta de eletrônicos.

    Entre os grandes fabricantes, a Stellantis (e suas marcas Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën) conseguiu contornar melhor o problema da falta de chips. A fabricante precisou reduzir o ritmo em todas as suas fábricas no Brasil (Betim/MG, Goiana/PE e Porto Real/RJ), reduziu um turno entre abril e agosto, mas desviou de paralisações totais e até agora perdeu a produção de 15,8 mil veículos – a quarta maior perda, mas bastante abaixo dos concorrentes, o que até agora fez a montadora liderar as vendas do mercado brasileiro com facilidade nos últimos meses.

    PERDA DE QUASE 8 MILHÕES DE VEÍCULOS NO MUNDO



    De acordo com o mais recente levantamento da AFS, a perda de produção no mundo todo por falta de semicondutores já esbarra nos 8 milhões de veículos leves, com números contabilizados até 20 de agosto e considerando as paradas já anunciadas nos próximos meses.

    Por região, as maiores perdas são nos países da Ásia-Pacífico, que deixaram de produzir 2,97 milhões de carros por causa da escassez de chips, com China à frente, perdendo 1,66 milhão, e Japão logo atrás com 770 mil. Na América do Norte a AFS calcula perdas 2,4 milhões de unidades, 1,54 milhão nos Estados Unidos e 507 mil no México. Depois vêm 11 países da União Europeia localizados na Europa Ocidental, que juntos já perderam 1,62 milhão de automóveis, 736 mil só na Alemanha, e outros nove países do Leste Europeu ficaram sem produzir 637 mil (Turquia lidera com 201 mil).